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Posts arquivados em Agosto 2001

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31 8 2001 0 00 00

 

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Ha, todas as revistas nas bancas hoje estão com uma foto do Sílvio Santos e de sua filha número 4, comemorando o final feliz, enquanto o sequestrador tomava conta do Seu Sírvio. Essa história é fantástica, alguma pessoa inteligente vai ter que transformá-la em filme daqui a dois anos. O que o sequestrador fez hoje só acontece com o Bruce Willis, em filme.

AD2

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30 8 2001 0 00 00

 

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Já falei algumas vezes assim en passant da revista que eu fiz no semestre passado, a Artigo Definido. Explicando direito, na aula de Laboratório Editorial, cada um pega um projeto, em geral um livro, e cuida de todas as etapas, para aprender na prática como funcionam as coisas. Eu resolvi pegar a Artigo Definido, uma revista semestral que grupo anterior ficou um ano para fazer uma edição. Eu botei na cabeça que ia fazer, ia fazer bem e ia fazer em seis meses. O Wagner e a Juliana embarcaram nessa comigo, e lá fomos nós.

Meses e meses de entrevistar pessoas, transcrever fitas, levantar dados, escrever histórias. Depois que eu saí dA Revista, dediquei todo meu tempo à Artigo, razão pela qual eu escrevi a maioria das matérias e a diagramei sozinho. Sempre driblando os problemas mais inesperados: o computador que não funciona, o slide que não tem como escanear, o funcionário que resolve que vai embora depois do almoço e fecha o laboratório… Felizmente o Wagner estava lá para cuidar de muitos dos detalhes sérios, como contactar a gráfica, falar com a Publifolha etc., de forma que eu pudesse continuar no meu mundinho AD.

Minha cabeça ficava ligada nisso o tempo todo; o que podia ser ruim (às vezes eu não conseguia dormir, pensando na revista) ou bom (numa dessas pensações, por exemplo, eu tive a idéia de como preencher quatro páginas da revista, usando um pedaço da tese de mestrado do Vicente Gil). Semana passada eu até sonhei que ela estava saindo, errada, com papel jornal, meio verde meio azul, e que ia ter que refazer tudo.

Até porque, para conseguir fazer com que os fotolitos dela ficassem prontos, foi uma luta. Primeiramente, aprender a fechar os arquivos no formato certo e fazê-los chegar à Publifolha, que nos daria os fotolitos de graça. Quando isso aconteceu, eu descobri que tinha fechado os arquivos numa resolução de 300 linhas (o normal é 150), mas tarde demais: eles já tinham feito os fotolitos. Lá fui eu fechar os arquivos de novo, dessa vez na resolução certa. Três dias depois, me liga o Márcio da Publifolha, dizendo que ia ter que fazer de novo, porque as duas cores tinham saído com inclinação de 45 graus (o certo é uma sair com 45 graus, e a outra com 75). Fiz tudo mais uma vez de novo. Felizmente, essa foi a derradeira.

Prontos os fotolitos, foi questão de fazer aprovar o orçamento da gráfica, fazer os fotolitos chegarem lá, fazê-los entender o que é pra fazer, e fazer-me controlar a ansiedade. Fiquei eu enchendo o pessoal da gráfica, até que segunda a moça me disse que estava tudo pronto e que ia chegar naquele dia. Fiquei todo feliz e saltitante. Meia hora depois, me liga a mulher do departamento financeiro, dizendo que faltava ela receber uma nota de empenho que devia ter chegado na sexta para que pudesse ser feita a entrega. Saí eu pelos departamentos da ECA, até descobrir quem fazia essa nota de empenho. Disse que precisava que essa nota chegasse antes das duas, por fax, à gráfica. O cara tirou sarro da minha cara. Duas e meia, nada de nota, nada de entrega.

Meu humor ficou mais negro e amargo que café expresso. As flores murchavam por onde eu passava, as pessoas na mesma sala que eu tinham que colocar máscaras de gás para se protegerem da enorme nuvem negra que me acompanhava. Minhas revistas, prontas, e eu não podia tê-las em minhas mãos. Xinguei deus e o mundo. Fui para casa salgando o solo em meu caminho, para que nem mato mais crescesse.

No dia seguinte o professor ainda me disse que estas notas de empenho demoravam semanas para ficarem prontas. Fui eu ligar para a gráfica, para perguntar se não tinha jeito de deixar essa nota pra lá, quando a moça me diz que já estava tudo resolvido e que as revistas já estavam na ECA. Com efeito, cinco segundos depois chegou o entregador com meus mil exemplares. Eu me senti na Porta da Esperança.

E agora eu estou cuidando para que a revista chegue até todos que colaboraram com ela. Todo mundo até agora a achou linda, elogios mil, e eu já achei cinco erros nela, mas não digo quais são. Mais calmo agora? Sim, estou. Mas não por muito tempo. Já estou cuidando do próximo número.

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27 8 2001 0 00 00

 

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Existe um sério problema quando tudo que você faz é pra ontem, e o mundo à sua volta deixa para amanhã. Tenho mil revistas prontas a poucos quilômetros daqui, e não posso pegá-las porque desde sexta falta um papel do departamento comercial ser assinado e chegar na gráfica, por fax. Espero que tenham um ataque cardíaco no meio de um engarrafamento.

Emprega eu

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27 8 2001 0 00 00

 

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Se você for na Superfície e ler a entrada 126, você vai ver como eram as minhas reações ano passado quando eu não conseguia um emprego que queria.

Não posso dizer que melhorei muito.

Mas estou reagindo um pouco melhor agora. A little wiser, agora eu sei que, assim como, pouco tempo depois, eu descolei o emprego nA Revista, mais cedo ou mais tarde eu deverei encontrar um que me apeteça mais que esse que eu não consegui agora.

Nestas últimas semanas eu entrei em dois concursos na EDUSP. Um deles requeria que a pessoa tivesse terceiro grau completo, então as chances de consegui-lo eram muito poucas, mas o outro só exigia segundo grau, e era algo que eu queria fazer bastante (arte-finalista), então eu estava torcendo bastante para que desse certo.

Provas de concurso são estranhas, ainda mais quando só há uma vaga. Elas ganham todo um clima Highlander, "só pode haver um". Você fica até sem jeito de cumprimentar as pessoas que você conhece e que estão fazendo a prova também: mesmo que você descarte o fato de que você quer roubar o emprego do outro, ele provavelmente não vai.

É o tipo de situação que não devia acontecer. Por que que os empregadores simplesmente não vêem minha aura de perfeição, os anjinhos à minha volta cantando amém, o meu currículo resplandecente dizendo que eu sou perfeito para o emprego e não me contratam de uma vez? Não: avaliação, prova, entrevista.

E pra quê? Pra você ficar em segundo lugar. Você é ótimo, mas continua desempregado.

Mas algo melhor haverá de surgir, e até lá eu aproveito o tempo livre para resolver outros problemas e responsabilidades.

Maurícios

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24 8 2001 0 00 00

 

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Programa de sexta à noite: festa de aniversário do Guilherme, irmão mais velho do Louis. À tarde o Louis chamou a Amanda, Zé, eu, Renata, Débora, Ciça e Bruno para fazer-lhe companhia na festa do irmão, garantindo que teríamos todos o nome na lista de convidados. O que não era nenhum sacrifício, muito pelo contrário: eu conheço o Guilherme desde que conheci o Louis, sete anos atrás, já trabalhei um pouco para ele, não somos estranhos nem nada. Sem falar que um baladão grátis assim não se recusa.

Onze da noite o Zé me pegou em casa, junto com a Ciça, e fomos até o Itaim procurar o Bar do Araújo na rua Araújo. Quando conseguimos chegar lá, descobri que eu era o único que não estava na lista de convidados (so much pelos sete anos de convivência), mas o cara na porta não pegou no pé, anotou meu nome no fim da lista e me deixou entrar.

Naturalmente, eu não conhecia nem um décimo das pessoas ali, mas logo localizamos o Louis, o resto das pessoas chegou e a gente ocupou um canto da pista de dança. Cercando a gente estavam representantes de todas as mais ilustres famílias da Mauriciolândia. Eu fiquei lá, dançando e observando, até que chegou num ponto que eu não agüentei e fui falar com Louis: "Lui, por que que todos os mauricinhos depois dos 25 anos são gordos?". "Como assim?", pergunta ele. "Olha em volta!" Ele olhou e disse "Ah, mas o Guilherme não é gordo. Mas ele também não é mauricinho. É meio mauricinho e meio gordo. Hmmm, você tá certo". A Amanda apontou que esta é uma conseqüência natural de um processo que começa aos vinte. Deve ser mesmo. Eles começam a ganhar quilos para compensar os cabelos que perdem.

Deviam fazer um folhetinho para entregar na entrada destes lugares:

1) Você consegue passar quinze minutos sem ter uma bebida na mão. Ficar segurando um copo de uísque ou garrafa de cerveja a festa inteira não vai resolver seu problema de auto-estima.

2) Não fique atravancando o caminho com sua barriguinha de chope. Corredores, escadas e o espaço de passagem entre mesas não são bons lugares para ficar parado secando as pessoas.

3) Se você não sabe dançar, fique na sua e não passe ridículo. As danças de hoje em dia dão liberdade o suficiente para você ficar fazendo aqueles dois passinhos que você aprendeu na sétima série a noite inteira, sem ninguém se incomodar. Ir para a pista segurando um copo de bebida não melhora em nada a sua performance.

4) Encurralar a menina no canto da pista com um copo de uísque e não deixá-la sair enquanto ela não te beijar não é uma boa cantada.

5) Existem outras opções de vestuário além de camisas de botão.

6) Quando uma menina está bêbada o suficiente para topar dançar twist com você, não fique girando ela de um lado para o outro. Você não sabe fazer o passo certo mesmo (veja número 3), e ela inevitavelmente vai tropeçar no seu sapato e cair de cara no chão. Ficar jogando ela repetidas vezes para trás também não é uma boa idéia: ela pode ficar zonza e gorfar na sua camisa de botão, ou bater a cabeça na parede.

7) Atravessar a perna na escada para não deixar seja lá quem for passar até que ela fale com você também não é uma boa cantada. Não só irrita ela, como também todas as outras vinte pessoas que estão tentando subir/descer a escada.

8) Ficar batendo palminha do lado da cara não faz de você um dançarino de flamenco. Novamente, veja número 3.

9) Tentar catar a mina bujãozinho no fim da festa depois de ter dado em cima de todas as outras não melhorará sua carência ou sua auto-estima. Ela não é besta e não vai querer encarar seu bafo de chope.

10) Dar uma de joão-sem-braço e entrar no meio da fila para pagar a conta não é educado, e olhar para cima e assoviar para fingir que não ouviu a mulher reclamando atrás de você é pior ainda.

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23 8 2001 0 00 00

 

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Videocassete faz muita falta. A gente fica à mercê da programação da TV, chega uma hora que não dá. Nesse tempo que está agora, eu queria endredon, chocolate quente, almofadas e um filme pra assistir, mas filme não tem.

Como se fosse um jornalista

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22 8 2001 0 00 00

 

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Uma das coisas que eu gosto (e que mais dá trabalho) em fazer a Artigo Definido na aula de Laboratório de Produção Editorial é realizar as entrevistas para as matérias da revista. É um ótimo pretexto para conhecer lugares e gentes que em geral não se tem a oportunidade de conhecer.

A primeira vez que fiz uma entrevista dessa foi quando eu ainda trabalhava nA Revista, numa matéria sobre a própria. Marquei as entrevistas com os responsáveis um mês antes e confirmei uma semana antes. No grande dia, o resto do grupo chegou, e a gente foi entrevistar o Big Boss da Redação. Eu fiquei irracionalmente nervoso, eu lá, mero estagiário, entrevistando o Poderoso Diretor Editorial, o fato de ele estar sendo super gente fina não ajudou nada. Eu tremia, e endurecia todos os músculos do corpo para não tremer e parecer relaxado. Quando a entrevista terminou, o Wagner me perguntou se eu queria um Lexotan. A gente ainda entrevistou a Diretora Comercial, e, depois, às oito da noite, um dos donos dA Revista ainda me deu entrevista antes de ir embora.

Desde então eu já entrevistei um monte de gente, estou mais acostumado e não preciso mais de um Lexotan antes e outro depois. Se não fosse o trabalho de transcrever as entrevistas depois, eu me divertiria mais ainda.

Semana passada eu e a Mariana fomos entrevistar um padre, editor da Ave Maria, para uma matéria sobre Bíblias que vai sair no próximo número. A minha experiência mais recente com padres foi no batismo do Anselmo, três anos atrás, quando cheguei à conclusão que padres são meio carentes e adoram ter com quem conversar ("Vocês têm que agradecer seus pais todos os dias", dizia ele, "porque eles podiam tê-los abortado!!"). Esse não foi excessão. Ele era um velhinho muito simpático, de dentes mais tortos que as linhas pelas quais Deus escreve certo. Quando ele entendeu o que a gente queria para a matéria, ele começou a dar uma longa explicação sobre a história da Bíblia, muito útil. Volta e meia ele babava e limpava o pinguinho que ficava em cima da mesa com a mão. No fim ele nos deu um livro sobre a história da Bíblia, e ofereceu o acervo da editora para nossa pesquisa. Show de bola.

Ontem eu e o Wagner fomos entrevistar os editores da Cosac & Naify, uma editora de livros de arte. Já estávamos tentando conseguir esta entrevista pela assessoria de imprensa da editora desde o semestre passado, sem sucesso. Este semestre conseguimos o nome do editor, falamos direto com ele, e, surpreendentemente, em uma semana estávamos lá em sua sala.

A Cosac & Naify fica no segundo andar de um prédio perto do Largo de Santa Cecília. Lá é tudo branquinho, cheio de obras de arte pelas paredes. Eu cheguei na hora marcada, o Wagner chegou um pouco depois, fomos recebido pelo Editor, que chamou o Outro Editor. Coloquei o gravador em cima da mesa e começamos a fazer as perguntas.

Estávamos com uma pauta toda armada sobre como funcionava uma editora de livros de arte. Infelizmente (para nós), logo no começo eles disseram "É, nós estamos abrindo para literatura, ano passado nós lançamos quinze livros de arte, esse ano, com a literatura, vamos lançar 100, ano que vem, se tudo der certo, 120". A nossa pauta afundou. Eu fiquei tentando adaptar as perguntas para que servissem para uma editora em expansão ao invés de uma de livros de arte. Felizmente o Wagner bolou umas boas perguntas na hora.

Enquanto a gente conversava com os dois, O Editor puxa um papel de seda e começa a enrolar um cigarro. Fiquei naquela situação meio desconfortável, pensando "Benzadeus, será que ele vai puxar um baseado aqui??", sem querer ficar olhando pra não parecer caipira, mas querendo descobrir o que que ele ia fumar. Meus temores eram infundados, era alguma coisa que meio que cheirava a baunilha que ele fumava.

A entrevista foi chegando ao fim, e eu estranhei que a fita não tivesse terminado um lado ainda, apesar de tudo que a gente tinha conversado. Olhei para o gravador e vi que ele estava parado. "Pronto, fudeu, perdemos a entrevista inteira", pensei. Ao saberem disso, Os Editores riram, mas devem ter pensado "que tipo de manés são estes que nem checam a pilha do gravador antes de vir aqui?". Na verdade o problema era outro: o gravador girava por quinze segundos, depois parava por cinco, e voltava a funcionar por mais quinze. Temos toda a entrevista gravada, em fatias de quinze segundos.

Na saída, O Editor me explicou que a boneca de pano nua que ficava sentada entre o banheiro feminino e masculino era a Keyla, um auto-retrato de uma artista plástica que também se chamava Keyla. "Keyla Alaver??", perguntei eu. "Acho que sim", disse ele, "não deve haver duas Keylas artistas plásticas". Vendo o catálogo da Cosac, eu notei que vários dos artistas que têm livros publicados lá expõem na galeria para a qual eu estou fazendo o site. Quando menos se espera certas coisas ficam úteis.

Marcios

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20 8 2001 0 00 00

 

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Eu sempre achei que uma das vantagens de se chamar Marcio é que este é um nome que, apesar de não ser nada esdrúxulo, também não é um nome carne de vaca. É claro que se chamar Kryptus Ra ou Raíssa é bem pior que se chamar José ou Juliana, entre os dois eu ficava com o último. Mas Mãinha teve a iluminação de me dar um bom nome, e, melhor ainda, sem formar dupla sertaneja com meu irmão gêmeo, apesar de que por pouco nós não fomos condenados a nos chamarmos Marcio e Marcelo.

É muito raro eu encontrar outros Marcios por aí, só na primeira série teve outro Marcio na minha classe (em contrapartida, eu já estudei numa classe em que havia oito Julianas). E ele não era Marcio, mas Márcio.

Nesta etapa final da novela Artigo Definido 2 (e a 3 já começou…), o chefe da Publifolha responsável por me arranjar os fotolitos também se chamava Marcio. Ou melhor, Márcio. O que causa conversas meio bizarras por telefone, "Oi Márcio, aqui é o Marcio, tudo bem?". Mas nada extremamente bizarro aconteceu, até pouco tempo.

Terça passada ligo eu para a Publifolha, atende a mocinha, eu peço para falar com o Márcio, e ela diz "Ah, desculpe, o Márcio se desligou da empresa". Tudo bem, então chama a Soraia, que ela também pode cuidar do assunto. Falei com ela, os fotolitos estavam prontos, eu podia passar pra pegar. Eu desliguei, e uma hora depois falei que estava tudo pronto pro Wagner. Ele me perguntou se eles iam fazer prova da capa, eu disse que achava que não, mas não custava nada pedir, então lá fui eu ligar de novo pra Soraia. Atende a mocinha da Publifolha.

"Oi", digo eu, "eu queria falar com a Soraia, por favor."

"Quem é?", diz ela.

"O Marcio."

Dá um tempinho, daí a Soraia atende o telefone.

"Traaansmissauumm de pensameeentuuuu…", diz ela.

"Ah é? Por quê?", digo eu, começando a ficar preocupado.

"Aaaahhh… Nada… Tava pensando em você…", ela diz, toda melíflua.

"O que houve? Aconteceu alguma coisa com os fotolitos??", eu respondo, começando a arrancar os cabelos.

Pausa.

"MEU DEUS! Que fora!", ela diz. "Pensei que era o meu ex-chefe! Que fora! Queforaqueforaquefora! Desculpa! Desculpa!"

"Não, tudo bem, tudo bem."

"Desculpa! Desculpa!"

Terminei de resolver o assunto com ela, e, gentleman como sou, não toquei mais no assunto. Ela estava toda sem-graça quando eu fui buscar os fotolitos, hoje. Eu cheguei, cumprimentei, conferi os fotolitos, tirei umas dúvidas e fui embora, sem falar da ligação, por mais que eu quisesse saber o que que ela estava tendo com o ex-chefe dela. Educação francesa te deixa morrendo de curiosidade.

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15 8 2001 0 00 00

 

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O pessoal da aula de Edição de Imagens em Revistas mandou a gente ir pra banca, dar uma olhada e comprar a revista que mais chamasse a atenção. Para o exercício dar certo, tem que comprar a primeiríssima que chamou a atenção. Infelizmente, no meu caso, o experimento não vai funcionar, porque a revista que me chamou atenção custava R$ 65,00.

Natachão

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14 8 2001 0 00 00

 

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Adeus, legião de sedentários!! Pois agora quem escreve se dedica a atividades físicas outras que carregar as sacolas do supermercado três quarteirões até em casa e lavar louça. Resolvido a voltar ao mundo das pessoas saudáveis, eis que agora faço natação.

Provavelmente todas as crianças de classe média já fizeram natação em algum ponto da vida. Tavlez isso se fato de que as mães superzelosas morrem de medo que os filhos morram afogados, então acham bom que aprendam a nadar logo. Afinal, eles não podem ficar depositando mijo na piscininha infantil a vida inteira.

Como não podia deixar de ser, é claro que Mãinha tratou de seguir a regra acima e colocou eu e meu irmão na natação. E depois em atividades esportivas variadas. Sofremos um ano de escolinha de futebol ("Terminem um ano", ela dizia, "vocês não podem se acostumar a largar as coisas no meio!".), que só me valeu ganhar uma medalha de prata num campeonato interno - sem nenhum mérito da minha parte, que só gostava de ficar na defesa, torcendo para meu time atacar bastante de forma que a bola não viesse muito para o meu lado. Ainda fiz caratê (que eu larguei na faixa verde, quando começou a demorar mais para subir de faixa, e eu comecei a perceber que não gostava de lutar, então o que estava fazendo ali?) e, embalado na medalha de ouro, vôlei, que não deu muito certo também, pois todo mundo era melhor que eu.

Depois disso, só voltei a fazer esportes quando estava nos EUA. Já estava lá havia alguns meses, e estava sofrendo com o dilema: em high school, as pessoas só fazem amigos nos times esportivos, mas eu não gostava de esportes coletivos (vôlei, o mais aceitável, só tinha feminino). Foi quando eu vi o anúncio do time de natação, e resolvi que era uma alternativa boa. A Mom topou me levar aos treinos diários, então entrei nessa.

Os estadunidenses, bizarramente, consideram natação um esporte de inverno, pois lá todas as piscinas são cobertas e aquecidas. No time havia umas vinte meninas e só eu e outro cara de meninos, pois os american boys preferem perder o dedo mindinho a colocar uma sunga.

Eu não era o mais dedicado dos nadadores, enrolava bastante, tentava dar o melhor de mim nas competições mas sabia que esse melhor não era tanto assim. Mesmo assim, era divertido. Na última competição, o técnico me pediu pra raspar as pernas para que eu ganhasse um segundo no meu tempo. Convicto na minha crença de que meus pêlos demoraram muito para crescer e que, até eles se jogarem das janelas do meu corpo eu que não vou empurrá-los, disse que não. Até porque meses de pêlos nascendo de novo não valiam um segundo.

De volta ao Brasil, vestibulares, faculdades e trabalho me impediam de criar vergonha na cara e fazer exercício. Eu até fiz um pouco de musculação, mas o ambiente das pseudo-academias que fiz (no clube e na USP) não me estimularam. Não só musculação é um porre de se fazer, como existe uma competição (às vezes) silenciosa entre todos na sala, para ver quem levanta mais peso mais vezes e quem criou mais bíceps. Assim, fiquei contente em deixar a Ana Paula fazer balé, natação, equitação e educação física, assim se exercitando por mim e pelo resto da família.

Agora, começo de semestre, entre trabalhos (Esse eufemismo não é ótimo para miseravelmente desempregado? Aprendi hoje.), resolvi entrar na natação da USP. Fui lá, paguei ensandecidos cinco reais pelo semestre todo, e peguei uma das vagas remanescentes para natação das seis às sete da tarde, terças e quintas. Cheguei lá, quase de noite, pronto para encarar a piscina, quando descobri que só a abririam na primavera, e que até lá nós faríamos exercícios físicos na trilha do CEPE. Ou seja, natachão. O que não é tão ruim assim, eu estava com medo de encher a piscina com ferrugem assim que pulasse nela, agora não deve mais acontecer.

É impressionante como a gente já começa a se sentir mais saudável só porque correu dois dias e fez uns abdominais.

Ainda tenho que comprar os apetrechos. Fui na lojinha do CEPE comprar óculos de natação, e a mulherzinha do balcão me falou com a maior naturalidade de que só tinha esse e esse modelo, por 35 e 50 reais. Eu quase perguntei para ela se eles deixavam a gente com olhos azuis, iam pingando colírio conforme a gente nadava ou algo assim, porque por 50 reais tem lugares que te fazem um óculos de verdade.