
Eu não costumo reclamar do verão, acho-o uma estação tão boa quanto as outras. Mas a situação este ano está particularmente bizarra. Por causa deste mês de chuvas particularmene macondianas, eu tenho que fechar as janelas da Com-arte. Então fico eu aqui melado de suor, enquanto o ar lá fora está gelado. Irrita depois de uma semana.
Na reta final para estrear a nova versão do Quadradinho, o Blogger me começa a dar pau, isso num site que depende muito mais dele do que este. Espero que tudo volte ao normal logo. E espero que esta mensagem seja postada, senão o Blogger está pior do que eu pensava.
O celular da minha mãe fez ligações sozinho para o meu ontem à noite, provavelmente de dentro da bolsa dela. Você fica naquela situação ridícula de ficar gritando "Mãe! Mãe!", e a voz dela distaaante… Mas foi divertido porque deu pra ouvir a Ana Paula perguntando "Ô mãe, que é musgo?". "Ah, Ana Paula, é um negócio verde que cresce em pedra", ela respondeu. Como que a Ana Paula descobriu essa palavra, só posso imaginar.
Minha trabalheira com o Quadradinho está me impedindo de escrever tanto quando poderia, mas não se preocupem, logo eu volto ao normal.
Outro dia o Marcel me disse que estava com tanta saudade do Otávio e da Cíntia que estava quase ligando pra eles. Quando viu a minha cara de intrigado, ele me disse que não liga para os amigos, mas espera que eles liguem para ele. Particularmente, eu acho esse tipo de sangue frio uma coisa impressionante.
E algo de que eu jamais seria capaz. Talvez lá no fundo eu ache que se eu ficar esperando ninguém vai jamais ligar pra mim. Mas começa a dar muito tempo que eu não falo com um amigo meu, ente querido, sei lá, eu pego num telefone, ligo pros amigos, me convido para ir na casa deles. Mas ficar esperando indefinidamente por alguém me ligar, jamais.
Já teve uma época que eu encanei com isso, e resolvi não ligar pra ninguém e esperar pra ver quem seriam os "amigos de verdade" que me ligariam. A resposta foi um acachapante ninguém. Ninguém ligou. Conforme o tempo foi passando, eu fui ficando mais desiludido de tudo, e, depois de um tempo, não me aguentei e liguei. A reação de todo mundo foi "Nossa, há quanto tempo, você sumiu, hein?". O que, acho eu, significa que devem ter sentido a minha falta. Agora eu parei com isso, eu ligo e pronto, fiquei com vontade de falar com cicrano ou beltrana mesmo, e daí?
É claro que não sou tão eficiente quanto gostaria, e muitas vezes, entre trabalho, aulas, tentativas esportivas e tudo mais, acabo não tendo tempo para falar com todo mundo que eu quero. Eventualmente, no entanto, eu acabo entrando em contato com todos.
É meio estranho notar que se está entrando no esquema gente grande de amizade, em que você seus amigos esparsamente, de mês em mês, e nestes encontros se diverte, coloca a conversa em dia. Eu sinceramente prefiro o esquema infância, em que você vê seus amigos quase todo dia, nem que seja pra fazer as mesmas coisas sempre. Mas num dá, o que se há de fazer.
De qualquer maneira, se você leu isso e se lembrou que eu não converso com você faz mó tempo, não fica aí sentado esperando eu te ligar. Me liga e se convida pra vir aqui em casa, vai ser um prazer.
Quem levou o Anand à turma do Cotuca fui eu; fazíamos Engenharia da Computação juntos, ele queria conhecer mais gente que jogasse RPG, então eu o apresentei ao resto da turma. Com o tempo, ele deixou de ser "aquele mané amigo do Marcio" para ser o Anand, com registro próprio e direitos de Inner Circle.
Ontem foi a colação de grau do Anand, e eu e o Danilo fomos prestigiar. Encontramos o pessoal um pouco antes de subirem no palco. Foi um evento muito estranho para mim ver a minha classe da Unicamp se formando. Obviamente a primeira coisa que eu pensei foi "EU PODIA ESTAR AÍ!!". Fazia muito tempo que eu não via a maioria dos meus colegas da Engenharia; em geral, desde a última aula que eu assisti na Unicamp. Cumprimentei o pessoal da Panela e fui procurar um lugar para sentar - missão impossível, a maioria dos lugares já estavam ocupados, e os que não estavam ocupados estavam sendo "guardados".
A entrega dos diplomas começou com uma versão saxofônica de "Fácil", do Jota Quest. O que só podia ser ironia. A Engenharia era tudo, menos fácil. Desde o dia em que nós, pobres bixos carecas, tivemos que tomar sopa fria do galão coletivo antes de entrar numa aula-trote, não teve uma aula que fosse realmente fácil (tirando as primeiras de programação, que eu já tinha aprendido tudo no Cotuca). Eu fiz parte dos quarenta por cento da classe que, conforme o professor anunciou na primeira aula, bombariam Física I. Depois de um ano e pouco aprendendo mal matérias que eu não gostava de qualquer maneira, eu finalmente saí da Engenharia para eventualmente me tornar um Editorando com orgulho. Mas não posso deixar de sentir orgulho e admiração pelos meus colegas que aguentaram mais três anos daquilo (e, pior ainda, devem ter até gostado!) e conseguiram se formar.
A cerimônia até que foi bastante descontraída. Quando o Bolha foi fazer seu discurso como representante da classe, o pessoal começou a fazer bolhas de sabão. Um cara da classe volta e meia levantava uma placa pedindo "aplausos". Mas o melhor foi o cartaz que tinha escrito "Engenhheiro, 23 anos, moreno, formando, procura emprego para relacionamento estável".
O porre de colação de grau é que todos nós convidados estamos lá apenas como meros acessórios para fazer com que os formandos se sintam importantes. Entra um professor, entra outro, entra mais um, o povo faz um juramento esdrúxulo, cada um dos alunos vai lá, recebe o diploma, fala um paraninfo, fala outro, fala o diretor, fala o homenageado, faz-se uma homenagem aos pais, aos alunos, aos funcionários, a deus, entrega os diplomas de mérito para os melhores alunos, fala mais um, mais outro, e nós nisso? Nada, melhor aplaudir na hora certa.
Depois da solenidade, eu e o Danilo fomos de novo cumprimentar o pessoal. O mais surpreendente foi finalmente conhecer a mãe do Anand, que mora na África e veio para a formatura. Ela existe de verdade!
Na saída, jogando fora o pacotinho de Doritos com o qual eu e o Danilo tínhamos enganado o estômago durante a interminável cerimônia, o Danilo me lembra que ano que vem tem a do Kil, e, depois, a do Davi. Sem falar a dele também, que vai ser a segunda formatura que eu não vou ter (a primeira sendo esta, e a terceira sendo a minha…). Coragem, coragem, pelo menos os formandos ficam contentes…
Em mais um momento bizarro que só o vício internético é capaz de causar, eu me locomovi de casa até um McDonald’s num dia chuvoso, só para comer uma promoção e ter direito a usar a McInternet. Três dias sem ler e-mail é mais do que eu consigo aguentar. Agora só me restam 8 min e 21 seg…
Se vocês acharam o menuzinho novo das notas bonitinho, saibam que se deve principalmente ao meu trabalho eremita, que me permite ficar fuçando nele até estar tudo certo.
A Ju me mandou este e-mail, eu tenho que compartilhá-lo com todos:
O sonho acabou! A Hebe é uma farsa. O estúdio é um óvulo. O palco é feito de madeirite. A única coisa real é o carro da Hebe, uma Mercedes (branca, eca), série E, com a a placa EBE 00… Sabe todas aquelas mulheres da Casa [dos Artistas]? A Nana, a Mari e tal? Farsas. Elas parecem popozudas e super altas, né? Ilusão. São magrinhas e do meu tamanho. O Supla é cadavérico, mas bem educado. O Frota não é um ogro dos 7 mares…. É tudo mentira! Tudo! A Hebe lê tudo o que ela fala no telepronto! E quando ela está no sofá tem o ponto, que ela obedece, sim! E o auditório? É a coisa mais irracional do mundo…