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Posts arquivados em Fevereiro 2002

Bibliofagia

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28 2 2002 0 00 00

 

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Tantos pais tentam criar hábitos de leitura nos pimpolhos, mal imaginam os problemas sérios que decorrem disso. Além de ser sempre apontado na escola como "aquele que lê", depois de adulto você pode cair numa situação como a que eu estou agora, muito pior: a de não ter nada para ler.

Na verdade é uma conseqüência natural de se ler muito. Você começa a ler rápido, muito rápido. E não consegue dar conta da quantidade de livros que é necessária para que você se mantenha lendo o tempo todo.

Minha situação agora: estou me arrastando com uns livros ruinzinhos. Daí eu acho um livro bacana, e nham nham! Devoro o coitado em três dias. Acabou o livro, respiro fundo e volto pro ruim. Estou num ponto em que tudo que era bom aqui em casa eu já li, só sobraram uns clássicos em inglês que eu venho tentando ler desde que os comprei numa promoção, três anos atrás.

É foda. Quando eu resolvi ler o Harry Potter, ano passado, encomendei os quatro livros com a minha vó. Eles chegaram, e em menos de um mês eu tinha lido os quatro. Encomendei o American Gods, um livrão de 460 páginas, e em quatro dias ele já era. O Senhor dos Anéis? Gone, baby.

A falta do que ler chegou num ponto que estou recorrendo à pornografia pra me distrair. Ontem eu sentei e num tapa se foram trinta páginas de As façanhas de um jovem Don Juan. E o pior que não tem graça nenhuma. Tem o mesmo problema que eu vejo em filmes pornôs: tá, a primeira trepada é até interessante, mas a segunda e a terceira e a quarta e a quinta não têm graça nenhuma. São todas, em essência, basicamente a mesma coisa. Se já é difícil ter paciência para assistir as poucas variações possíveis sobre o tema, quem dirá para lê-las.

O último livro interessante que eu terminei foi o Voragem, do Junichiro Tanizaki. Durou três dias, e estou de volta ao terrível impasse: ler as duzentas páginas da Mitologia dos Orixás que falta, agora que já li duzentas e cinqüenta, matar a autobiografia da Isadora Duncan, que está nas trinta páginas finais e é pocket, ou ver se consigo sair da décima página do Great Expectations?

E o pior que nem posso emprestar livros direito, já que me deixaria em dívida, o que vai contra o meu princípio de não emprestar livro nenhum meu nem que você arranque as unhas na minha frente com um alicate. Mas aceito sugestões. Vai, o que deveria eu ler agora?

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27 2 2002 0 00 00

 

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Continuando com a mania de divulgar os e-mails alheios no meu site, aqui vai um que eu recebi faz um tempinho da Amanda:

"Jogos de computador não afetam crianças. Se o Pac-man tivesse nos afetado quando éramos criancas, hoje em dia estaríamos todos correndo por salas escuras, engolindo pílulas mágicas e escutando músicas eletrônicas repetitivas."
Kristian Wilson, Nintendo Inc, 1989.

Achei o máximo esta frase!!!! Quando li pela segunda vez percebi que fazemos isto sim!!!!

Sem falar que, talvez por causa disso, hoje os americanos são redondos, amarelos e comem o tempo todo!!

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25 2 2002 0 00 00

 

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E Vómaria, coitada, que foi assistir a Xuxa e os duendes porque não gosta de ler legenda, e caiu por engano numa sessão do Senhor dos anéis? Tadinha! Ela não estava preparada pra isso!

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25 2 2002 0 00 00

 

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Onze homens e um segredo: fizeram um filme sobre o time do Corínthians e esqueceram de avisar a Fiel? Ou será sobre a seleção?

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24 2 2002 0 00 00

 

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Tinha uma pilha de revistas velhas na banca da rodoviária, e entre elas uma Nova com a seguinte chamada de capa:

Novas descobertas sobre o clitóris: tudo que você precisa saber sobre a parte mais importante do seu corpo.

Afinal, cérebro pra quê mesmo, não é?

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20 2 2002 0 00 00

 

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Hoje é o Dia do Palíndromo! 20/02/2002, dá pra ler de trás pra frente, bacaninha, não? Isso, é claro, se você considerar a existência dos zeros à esquerda, mas eu não vou estragar a felicidade de centenas de numerólogos dizendo que na verdade hoje é 20/2/2002 e portanto não tem palíndromo nenhum. Ovo! Oto! Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos!

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20 2 2002 0 00 00

 

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Os sites estão perdendo toda a vergonha mesmo. Janelinhas pop-up aleatórias já são irritantes. Agora elas estão cada vez maiores, chegando a ocupar a tela toda. Como se isso não bastasse, acabei de passar no site da Rolling Stone, estou lendo uma nota, e me pula uma mega janela com um comercial de Diet Coke, com filminho, som e voz em off, que nem comercial de TV. Eu cliquei em alguma coisa? Não. Queria ver aquela desgraça? Não. Vou tomar Diet Coke? Não. Viva o guaraná diet!

Encanações e encanamentos

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20 2 2002 0 00 00

 

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O meu apartamento já deu o que tinha que dar.

Não que ele seja ruim. Os quartos são espaçosos, o banheiro é de bom tamanho, e ele é super bem localizado. Pra morar eu e meu pai está até bom. É verdade que não tem parede onde enconstar um sofá na sala, mas tudo bem porque a gente não tem sofá mesmo. E na cozinha não cabe a geladeira e o fogão juntos. Mas, desenterrando a Poliana dentro de mim, isso até que não é problema, dessa forma o frigobar faz companhia à televisão na sala.

São as pequenas coisas que, gota a gota (hmmm… literalmente), em dois anos fizeram o meu copo transbordar. Quando eu fazia faxina, me incomodava que o único ralo do banheiro ficava dentro do box, mas agora felizmente tem faxineira. Só me lembro dele quando estou tomando banho e ele solta um cheiro horrível.

Várias vezes alguém ia lá em casa, e, ao sair do banheiro, dizia, com aquele ar de "coitado, não sabe como cuidar de casa ainda", "Marcio, se você não pendurar o tapete do banheiro no varal, ele não vai secar mesmo, né?". E eu ficava com aquela cara de "não fui eu", com o meu orgulho doméstico ferido.

Pois bem, sexta eu cheguei em casa e não tinha água nem no chuveiro nem na pia do banheiro. Como era muito tarde, escovei os dentes na pia da cozinha (que decadência) e deixei para resolver isso no dia seguinte. Quando acordei, fui falar com o zelador, o qual me contou que o cara do apartamento debaixo do meu tinha reclamado que estava sendo vítima de uma inundação, cuja fonte, descobriram, era um vazamento no meu banheiro (sim, havia uma razão para os tapetinhos magicamente encharcados). Como não tinha ninguém em casa, chamaram um chaveiro, entraram no meu apê e fecharam o registro, razão pela qual eu estava sem água na pia e no chuveiro.

Por virtude desse incidente, já que o maldito registro não tem pegador, eu tive que pegar o alicate do zelador emprestado por dois dias, para abrir o dito cada vez que fosse escovar os dentes, lavar o rosto ou tomar banho. Aparentemente a proprietária do meu apê já levou o encanador lá, disseram que teria que quebrar a parede, mas até agora não vi sinal disso.

Espero que não aconteça que nem a vez que tiveram que fazer uma obra no apartamento em cima do meu. Mesmo tendo sido avisado que alguma coisa aconteceria, nada me preparava para, ao chegar em casa, encontrar um um mega buraco no teto do banheiro, um pé atravessando-o, o chão todo cheio de pedaços de teto, e um outro encanador que olhou pra mim do apartamento de cima e disse "OOIII!!". A gente precisa da ilusão de que não mora ninguém em volta.

Infelizmente achar outra moradia não é tão fácil. Os sites de imobiliária não ajudam muito. Mas a esperança é a última que morre. Quem sabe logo eu não consigo até morar num lugar onde não há confusão entre cozinha e sala?

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17 2 2002 0 00 00

 

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Preciso recomendar a vocês todos o blog da Babi, Modo de Usar. Ela tem umas sacadas que eu gostaria de ter, rio à beça lendo o que ela escreve.

Alinhais, fique registrado aqui que ontem, depois de várias baladas de observação, ela e a JuX descobriram que o John Cusack paulistano chama-se Valter.

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14 2 2002 0 00 00

 

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Pela primeira vez na vida, eu queimei as entradas que eu tenho na cabeça. Não é triste este sinal da idade? Sem falar que minha testa está esfarelando. Mas sacar que meu cabelo ficou ralinho a ponto de queimar as entradas é algo meio chocante. Daqui a pouco vou me sentir que nem o carinha da propaganda da Interlace.