
O que me importa quantos anos a Xuxa faz hoje, se é aniversário da Ana Paula, a mina mais citada neste site, minha lirousista e meu orgulho! Parabéns pra você, mina! Muitas felicidades, que agora você passa a carregar dois dígitos na idade por mais 90 anos!!
Que maçã dourada, o quê! Se a Discórdia soubesse dos conflitos que a Celine Dion é capaz de causar no staff do Quadradinho, ia se esconder num vaso grego para sempre, com vergonha de sua incompetência e métodos antiquados. Esse "tale as old as time" precisa dessa força que só a Celine consegue injetar numa discussão. And the argument will go on ever…
A Artigo Definido ficou pronta! Hurrah! Tá certo que o roxo ficou bem mais claro do que esperava, mas, rememorando, tinha sido esse mesmo que eu tinha escolhido, eu só me acostumei com o equivalente meia-boca que o monitor e a impressora me davam. Agora começa o doloroso processo de ficar encontrando erros na minha revista. Ó céus, é um sofrimento que não acaba jamais.
Quando você entrega o formulário preenchido para fazer carteirinha de estudante e de ônibus (depois de ter pagado VINTE E CINCO REAIS), eles falam que vai ficar pronta dali a trinta a quarenta dias. Pois bem, chego eu hoje, trinta a quarenta dias depois de ter pedido a minha, e me entregam uma carteirinha com a foto errada! É uma visão chocante ver seu precioso nome num documento com a foto de outra pessoa. Causa sérios problemas de identidade. Agora juraram que semana que vem ela estará com a foto certa. Espero mesmo, porque daqui a trinta a quarenta dias a minha carteirinha do ano passado já tera expirado.
A maior questão desta semana foi: "Vai ter paralização na quinta?". E o pior é que ninguém sabia responder. Os alunos mais engajados falavam "claro, vai ter greve geral!". Já os funcionários diziam que não sabiam de nada. E eu, que sou aluno e funcionário, fiquei aqui esperando algum pronunciamento para saber se eu poderia ficar em casa como todos os outros alunos eu teria que vir trabalhar como todos os outros funcionários.
A quinta chegou, e, como não houve pronunciamento, resolvi pegar o busão pra USP e conferir se deveria trabalhar ou não. Estava um dia chuvoso, eu queria mais que tudo ficar em casa assistindo Sessão da Tarde, mas o dever falou mais alto. Lá fui eu sacolejando pro outro lado da marginal.
De greve geral, nem sinal. Os ônibus funcionavam normalmente, e a cidade estava como se nada estivesse acontecendo. Só quando o coletivo começou a se aproximar da USP que notei algo diferente: uma fileira de trólebus estacionados num lado, e os ônibus a diesel parados fazendo ponto final na outra pista.
Meus colegas engajados haviam atravessado um trio elétrico no portão 1 da USP, impedindo que os busuns passassem. Afinal, para quê fazer uma verdadeira campanha de conscientização e convencer os alunos a realmente participarem, se você pode simplesmente impedir a entrada deles todos numa greve compulsória?
Desci na entrada da USP e tomei coragem pra caminhar sob a chuva. Passei pelos manifestantes sem maiores problemas. Conforme me afastava, ouvia uma mulherzinha dos grevistas fazer discurso pra eles mesmos. Acho impressionante como conseguem sempre escalar alguém que usa a mesma entonação de voz e pausas esdrúxulas do povinho que pede dinheiro no ônibus: "NÓS ESTAMOS AQUIII… RE-UNIIIDOS… EM PRO-TÉÉSTO CONTRA… A MU-DAAANÇA… DAS LEIS DE TRA-BAAA-LHO…".
E o mais interessante foi outro tiozinho que foi informar sobre como estava o movimento: "Setenta por cento da USP está parada! Tem algumas aulas por aí, mas isso não conta! Parece que na fábrica da Volks os trabalhadores também pararam!". Acho que não captaram que greve geral ou é geral ou não é. De que serve parar 70% da USP? O governo já quer se livrar da Universidade mesmo, não tá nem aí se 70% ou 95% da USP parar.
Eu sou da opinião de que as coisas só mudariam mesmo se sempre que alguém quisesse fazer uma greve, os lixeiros aderissem em solidariedade. Daí sim, as decisões iam ser tomadas com uma rapidez nunca vista. Se não for assim, acontece que nem foi comigo: caminhei até minha sala, assinei o ponto, e fiquei a tarde inteira sozinho, já que os alunos tinham tirado o dia de férias. E ainda voltei de ônibus pra casa, depois de ter tido remo, pois o piquete no portão 1 saiu no meio da tarde pra protestar em outro lugar. E ninguém aprendeu nada de novo.
Ontem, no El Kabong, nós das Especialidades comemoramos o aniversário da Mariana. Muito divertido. Entre um nacho e outro, desvendamos fatos estarrecedores! Primeiro que me contaram que o Wagner Montes não tem uma perna. "Ué, Marcio, você nunca notou que eles faziam uns dez lalalalalás a mais quando ele entrava, pra dar tempo dele se arrastar até o lugar dele?", disse a Ju. Depois a própria Ju continuou: "E o Roberto Carlos, que tem uma perna mecânica radioativa que já matou duas esposas de câncer e fez um filho cego?". É maldade, mas faz sentido.
Sexta-feira à tarde, marcamos um cineminha básico na Paulista. Considerando o trânsito normal da sexta-feira à tarde, ainda mais com a chuva que tinha caído, combinei com Katchu de pegarmos o busão às seis, pra chegarmos no cinema às sete e meia. O ônibus não demorou muito a chegar, a gente foi conversando animadamente pra fora da USP.
Assim que escureceu, o ônibus encontrou um engarrafamento. Nada demais. Dez minutos depois, o assunto acabou e a gente resolveu jogar o jogo dos pontinhos. Tracinho aqui, troca cor, tracinho ali, troca cor.
Vinte minutos, a Katchu diz "Ah, esse jogo tá muito chato, vamos jogar palavras cruzadas". "Tá bom, vamos jogar com nome de músicas". "Lanterna dos Afogados" cruza com "Malandragem" que cruza com "Bem que se quis"…
Trinta minutos, a Katchu liga pro Marcel, pra avisar que a gente ainda estava parado no mesmo lugar, e que provavelmente nos atrasaríamos.
Quarenta minutos. "Katchu, cansei disso. Vamos mudar de tema." "Certo, então vamos mudar pra ’sexo’ que é mais divertido!". "Sexo" que cruza com "penis" que cruza com "coito"…
E nada do ônibus andar. Não é que ele andasse devagarzinho. Ele não andava mesmo. "Masturbação" cruzou com "clitóris" que cruzou com "cunilingus" que cruzou com "felatio". Depois de cinqüenta minutos exatamente no mesmo lugar, o Marcel liga pra Katchu. Segundo ele, o Anhangabaú estava alagado, ninguém passava por lá. O show do Roger Waters não ajudava muito a situação, o que explicava que o trânsito estivesse simplesmente imóvel. Depois desta revelação, resolvemos fazer o que vários passageiros do ônibus tinham feito antes da gente: descer e seguir a pé.
Montes e montes de gente saíam dos ônibus também, inundando as calçadas. Alguns motoristas, revoltados com o trânsito, passavam por cima dos canteiros e voltavam pela outra via da avenida, que estava vazia, já que ninguém conseguia chegar nela mesmo. Outros, mais conformados, tocavam O bonde do tigrão a todo vapor. Motoristas de ônibus e cobradores, que nada podiam fazer, seguiam milimetricamente para frente.
É sintomático de que o trânsito estava em situação crítica o fato que nós conseguimos atravessar o megacruzamento da Vital Brasil na entrada da marginal, e chegar no pontilhão vivos.
Esta foi uma situação pela qual eu nunca achei que passaria: atravessar a ponte Eusébio Matoso a pé. Fomos passando pelos carros e ônibus parados, um a um, encostados no lado direito da ponte, vendo as fileiras de faróis na marginal logo abaixo, e o rio Pinheiros que não refletia nada. Os motoristas, de dentro dos carros, nos olhavam com um pouco de inveja.
Katchu, com todo seu fôlego de fumante, tentava sublimar o fato que estava caminhando quilômetros e quilômetros entre automóveis. Foi um dos momentos em que eu fiquei contente de não ter carro, por ter essa opção de, no caos do trânsito, poder simplesmente sair andando.
E até que não estávamos tão mal assim. Fizemos da Vital Brasil, Teodoro acima, em cinqüenta minutos, e da minha casa até a Paulista em mais trinta. Não dava mais pra ver o filme, mas este momento surreal valia mais que o ingresso do filme e a passagem de ônibus. Muito mais.
If you could unlearn all the words
That you never wanted heard
If you could stall the southern wind
That’s whistling in your ear
You could take what is
To what can never be
- Katell Keineg
No Bom-dia Brasil hoje: "O fenômeno Ronaldinho deve ser escalado para o jogo da Seleção". Deve ser um fenômeno mesmo, já que vai fazer todos estes milagres que estão prometendo mesmo tendo ficado dois anos sem jogar e sem treinar. Só espero que, quando o joelho dele falhar de novo como inevitavelmente vai acontecer, não fiquem reprisando o mané abrindo o bocão no meio do campo que nem da outra vez. Na verdade, espero que a rótula do joelho dele se desloque, seja arremessada em alta velocidade e encha em cheio os bagos dele próprio. Hmmm, isso dói. Jogadores de futebol também precisam ser esterilizados.
Situação: Eu tinha que terminar a Artigo Definido em janeiro, para que ela saísse em fevereiro.
Problema: Não conseguia entrevistar um professor, nem fazer a Mariana escrever um texto.
Solução: Insisti até conseguir a entrevista, tirei o texto da Mariana da revista, e mudei a data de capa para março.
Situação: Precisava fazer os fotolitos da revista.
Problema: O departamento não tem dinheiro.
Solução: Bati um lero com a Publifolha, que aceitou fazer mais uma vez os fotolitos em troca de anúncio, e ainda dei uma chorada para conseguir umas folhas a mais caso desse algo errado.
Situação: Precisa mandar a revista para a gráfica.
Problema: Quem disse que o departamento tem dinheiro?
Solução: Usando dos meus privilégios como aquele que organiza as despesas da Com-arte, passei minha revista na frente. Ela precisa sair esse mês, oras!
Situação: O chefe de departamento precisa aprovar os gastos.
Problema: A secretaria esquece que a gente tem urgência em certas coisas.
Solução: Fiz piquete lá até ter o papel assinado.
Situação: A ECA precisa pagar a despesa.
Problema: Na verdade, quem autorizava o gasto não era o chefe de departamento, mas o diretor da ECA. Além disso, precisava de dois outros orçamentos mais caros do que o que havia sido aprovado. Pior ainda, as gráficas têm o péssimo hábito de demorar uma semana para passar o orçamento.
Solução: Pedi orçamento para cinco outras gráficas. Nosso Senhor do Bonfim me deu uma força, dois orçamentos mais caros chegaram no dia seguinte, resolvendo meu problema e avançando o pedido nos trâmites da ECA.
Situação: A revista poderia ser rodada amanhã.
Problema: O anúncio da Publifolha precisa sair na quarta capa, mas não está pronto ainda, porque a impressora de fotolitos da Publifolha está quebrada.
Solução: Senta, e escreve uma entrada no Chão. Não vou me estressar, já fiz isso semestre passado.