
Na minha infância, quando a gente fazia aniversário, a mãe já começava a se descabelar um mês antes pensando na festa que ia ter que dar em casa e na bagunça que isso geraria. Na infância atual, isso já não acontece, porque as festas todas acontecem em bufês. A mãe só se descabela pensando nos gastos provenientes do bufê.
Quando se torna um jovem descolado, os custos podem ser reduzidos a quase zero. Se você quer fazer sua festa de aniversário, você vai pra uma danceteria X, marca o dia da sua "festa" e anuncia aos amigos; no dia do seu pique-pique, você e um acompanhante entram grátis, seus amigos entram com desconto e todo mundo fica feliz.
Pois foi isso que aconteceu ontem. Denis Fracalossi, o mais jovem da classe, resolveu comemorar seu aniversário no Dolce, um dos lugares mais caros de Sampa. O esquema era bem vantajoso: ele mais um amigo entravam de graça, as meninas na lista de sua festa também entravam grátis, e os homens restantes entravam por delão consumíveis. Considerando-se que normalmente paga-se quarenta de consumação para entrar naquele cafofo numa quinta (de final de semana é mais), era um negócio da China, e uma oportunidade única para nós estudantes desprovidos de renda.
O maior problema da festa do Denis é que nós todos das Especialidades tínhamos prova de Legislação e Ética às oito da matina do dia seguinte. Resolvemos, no entanto, nos rebelarmos contra essa sociedade opressora, mandar a prova pelos ares e ir pra festa assim mesmo; andávamos tão ajuizados que nos sentíamos com quarenta e três anos de idade. Marcamos de nos encontrarmos na casa da Mari às dez e pouco, e de lá irmos todos de Denismóvel pro Dolce.
Quinta à noite, cheguei em casa, tentei espantar a canseira, tomei banho e vesti uma das três camisas que eu comprei numa queima de estoque da Hugo Boss por metade do preço e só uso nesse tipo de ocasião. Elegantésimo vestido de preto da cabeça aos pés, andei os quatro quarteirões até o apartamento da Mari, onde já estava a Raquel. Elas tentavam espantar o cansaço também, com menos êxito do que eu; enquanto esperávamos o Denis chegar, quase dormimos várias vezes, até que resolvi fugir do sono correndo na esteira da Mari (objeto que já devia ter sido citado na entrada 59 e não foi por pura incompetência minha).
Felizmente o Denis tinha em seu carro a solução para nossa velhice: um CD pirata da Kelly Key. Empolgamos imediatamente, e fomos cantando "Baba Baby" o caminho todo até a casa do Sávio. De lá até para o Dolce, fomos a ritmo de Shakira, nos sentindo no primeiro ano de faculdade de novo.
O Dolce é o tipo de lugar caríssimo em que a juventude endinheirada vai porque sabe que não vai ter pobre dentro. Algumas juventudes nem tão endinheiradas suam sangue para frequentar lugares assim também e arranjar cônjuges ricos. De qualquer maneira, é o tipo de lugar em que as aparências importam muito mais que deviam, e por isso, apesar de estar todo mundo querendo catar todo mundo, ninguém dá mole. Ninguém conversa direito, ninguém ri muito; chato…
Felizmente nós não fomos lá com essa intenção, e portanto até que nos divertimos bastante. Sabendo que teríamos que ir embora no máximo às duas, dançamos o tempo todo, mesmo quando a música estava chata e a pista vazia. Uma hora depois, o fato da pista estar mais cheia não nos impediu de dançar a Macarena ao ritmo das músicas eletrônicas genéricas deles. O povo nos olhava como se fôssemos alienígenas. Sou alienígena mas me divirto, e vocês que são metidos a besta?
Perto da hora de ir embora, quando a catação começou a rolar, um casal se atracou com uma eficiência tão grande que mal se distinguiam suas orelhas. Foram andando para trás, alheios ao resto, e foram parar bem no meio da nossa rodinha. Não tivemos dúvidas: nos demos as mãos e começamos a dançar ciranda em volta deles. O pior é que conseguimos dar três voltas inteiras, e os dois até hoje não sabe o que aconteceu literalmente em torno deles.
Às duas e meia, quando já não nos aguentávamos mais nas pernas de cansaço e de sono, rachamos o que tínhamos gasto na comanda do Sávio, rachamos o estacionamento, e voltamos pra casa. No dia seguinte, quase dormimos em cima da prova, mas valeu a pena. Todo cansaço era compensado ao vermos a cara do povo ao contarmos da noite anterior.
Hohoho, dei a bola dentro do semestre. Há um mês, comprei um disco da Andrea Marquee, gostei, achei os contatos dela e fiz uma entrevista por e-mail, a qual foi publicada no Quadradinho. Publicaram apesar de nunca terem ouvido falar dela antes, porque o Quadradinho vive publicando coisa de gente desconhecida. Pois bem, qual não é minha surpresa ao saber que a Andrea vai participar do novo (mais um!) reality show da Globo, o Fama! Agora eu tenho feita mais uma entrevista com alguém razoavelmente famoso, feita antes de todo mundo começar a bombar! (Andrea, resista à Caras! Resista à Gente!) Bem, agora que eu já fiz a propaganda, passem lá e leiam a minha entrevista!
Eu pretendia colaborar com a Babi em sua campanha para institucionalizar o dia 20 de abril como o Dia Internacional dos Lapsos de Memória, mas, vejam só, no dia 20 eu esqueci disso. Que lapso. Fica pro ano que vem, se eu me lembrar disso.
Os fatos do post abaixo me fizeram pensar numa teoria da conspiração: e se essas empresas de antivírus, tipo Norton, McAffee etc, na verdade criam os vírus que tornaram meu dia mais triste hoje? Não é suspeito como, dias depois que o virus surge, eles já têm o programinha específico pras pessoas pegarem no site? Se eu estiver certo, eles são a versão internética dos mafiosos que cobram proteção dos pobres lojistas em filme (com a diferença de que os lojistas sofrem muito menos do que eu com o pensamento de ter que formatar meu computador…).
Revoltante. Cheguei do almoço hoje, e descobri que o computador que costumo usar aqui na Com-arte encheu de vírus durante minha uma hora de ausência. Passei a tarde inteira fazendo acrobacias para conseguir instalar um trial do Norton, e agora o antivirus tá rodando (426 arquivos infectados, até o momento). Devia fazer que nem o cara do laboratório de Jornalismo, que pegou um computador pra ele e o colocou atrás de um balcão, escrito "não entre". De que adianta ter hábitos seguros se seus colegas e co-usuários de laboratório enchem seu comps com vírus??
Vendo as notícias sobre a gravação da próxima novela chorosa das oito, Esperança:
Civita di Bagnoregio foi escolhida [para se gravar a primeira fase] por ser uma cidade de apenas 20 moradores, o que facilita as gravações, além da beleza do lugar.
VINTE MORADORES?!? Que tipo de vida é essa? Minhas aulas têm mais de vinte pessoas (pouco mais, mas têm). Será que não é uma fazenda? Um refúgio espiritual? Será possível??
O pior é que eu nem posso desejar que o Romário morra, porque se isso acontecer eu vou ter que continuar ouvindo falar sobre ele ("Ele jogava tão bem… Era tão legal… Se estivesse vivo salvaria a Seleção… Buuuu…"). Não sei por que essa convicção da imprensa de que ele e o Ronaldinho vão fazer o Brasil ganhar a Copa (RÁRÁRÁRÁ!!). O Romário é tão insuportável que merecia que lhe enfiassem vários palitos de dente narinas acima. Espero mesmo que ele não vá pra Copa e perca todos seus contratos publicitários.
Já fazia algum tempo que Mãinha ameaçava de comprar um piano. E eu sempre dizia "Isso, compra, compra, compra!!", mas não surtia muito efeito. E olha que foram anos e anos querendo ter um piano, olhando com um pouco de inveja o piano dos meus primos, que ficava sentado na sala deles desde sempre, mas que deve ser muito pouco tocado.
O problema é que piano realmente é muito caro. Pra não nos deixar totalmente na mão, Mãinha sempre nos supriu com órgãos, teclados e coisas afins, mas isso simplesmente não é a mesma coisa. Órgão é quase algo totalmente diferente, e teclado tem um monte de tecla faltando, não chega aos graves de verdade, o que me frustrava muitas vezes nos meus improvisados estudos pianísticos.
No último ano, resolvemos que já tinha passado da hora de termos um piano de verdade em casa. Tentando fazer negócios mais econômicos, Mãinha adentrou nos pântanos tenebrosos dos sites de leilão, onde até se encontra ofertas, mas até elas se tornarem realidade são outros quinhentos. Entre os vários contatos infrutíferos, ela chegou a negociar um piano que viria de Belém, de caminhão, o qual ficou conhecido dentro do nosso círculo famíliar como "O Piano da Puta Que O Pará".
Mas nossas agruras chegaram ao fim, e conseguimos encontrar um piano em Campinas mesmo. Quanta alegria! Eu ainda estou na euforia de ter um piano de verdade em casa. Quantas teclas! Quantos pedais! Quanto espaço! Vem até um banquinho junto! As alegrias são sem fim.
Eu estou no processo de reaprender a tocar as músicas que tinha tirado no teclado molinho no piano, algo que exige força no dedo. E, pra não torturar a família sempre com as mesmas músicas, estou aprendendo umas novas também. Mas o mais divertido é ver a Ana Paula aprendendo a tocar piano. A gente toca o bife todo mundo junto, toca "Oh Suzana!" a quatro mãos, o piano é algo tão lúdico!!
Quem deve estar se sentindo abandonado é o tecladinho em Sampa. Tadinho, ele teve o seu propósito, mas é difícil concorrer com o pianão. Mas, se servir de consolo pra ele, eu ainda tenho o impulso de ligar o piano quando vou tocar, e desligá-lo quando termino. Ele deixou impressões super persistentes na minha mente.
Post sob encomenda:
Ontem de manhã, a Olívia, uma das minhas amigas jornazistas, foi até o laboratório de vídeo e descobriu que o vídeo que o grupo dela estava fazendo (e no qual se incluem Marcel, Katia e outros Quadradinhos) tinha desaparecido do computador. Momentos de extrema desolação all around. Mais tarde, no tradicional McNic, o Marcel chegou todo contente porque o drive-thru do McDonald’s não só tinha dado quatro sanduíches e duas batatas fritas a mais, como também tinha esquecido o íma com o número de espera em cima do carro dele. Deve existir um equilíbrio cósmico, no final das contas.
Foi tão, mas tão difícil definir as novas fontes do projeto gráfico da Artigo definido. E, agora que eu já fechei, começo a notar que a que vou usar nos títulos (Handel Gothic, caso te interesse) está sendo usada em todo lugar! No anúncio da rádio USP, na capa do disco do No Doubt, em vitrine de lojas… Enlouquecedor. Outro dia vi um cartaz de um simpósio sobre doenças infecciosas no Amazonas que usava a Handel de alto a baixo. E eu que me achava tão original!! Ó céus, será que estou ficando paranóico?