
Ai ai, as alegrias que só morar em apartamento dá a você. Cheguei em casa hoje e descobri um vazamento novo no teto do banheiro, escorrendo pelo lustre, que devia estar pingando desde domingo à noite e tinha inundado tudo. Tomar banho fica muito mais emocionante quando a luz pode entrar em curto por causa da água e explodir a qualquer instante. Pelo menos a gente pode descontar tudo no zelador. Neste exato momento, todos os apartamentos acima do meu (dez andares) estão sem água para descobrirem se o problema é aqui ou no 60. A vida coletiva é muito mais emocionante.
Ai ai, as alegrias que só morar em apartamento dá a você. Cheguei em casa hoje e descobri um vazamento novo no teto do banheiro, escorrendo pelo lustre, que devia estar pingando desde domingo à noite e tinha inundado tudo. Tomar banho fica muito mais emocionante quando a luz pode entrar em curto por causa da água e explodir a qualquer instante. Pelo menos a gente pode descontar tudo no zelador. Neste exato momento, todos os apartamentos acima do meu (dez andares) estão sem água para descobrirem se o problema é aqui ou no 60. A vida coletiva é muito mais emocionante.
Atenção: A palavra "telefônica" é repetida inúmeras vezes nesse texto, com ou sem acento. Não me culpem. Culpem a maldita companhia de telefonia que adotou um nome super original.
E eis que agora eu tenho telefone em casa!
É claro que isso só aconteceu porque não é mais necessário vender o próprio fígado e entregar o dote da filha mais velha junto com a virgindade da moça como entrada para adquirir sua linha telefônica. Agora é só mandar uma carta pra Telefonica com xerox dos documentos, e em mais ou menos uma semana a linha chega na sua casa.
É claro que, se fosse assim tão simples, isso aqui seria uma notinha e não um texto. Ninguém te avisa disso, mas a Telefonica só leva a linha até a central telefônica do seu prédio. Pra subir o fio até seu apartamento, descobri quando o porteiro me avisou que tinham instalado minha linha (uns três dias depois que o técnico tinha feito o serviço), você tem que pagar o serviço à parte. Fui eu lá ligar pra Telefonica pra pedir o serviço de subir o fio prédio acima, mais uma extensão até meu quarto, parcelado em seis vezes a serem pagas na conta telefônica mesmo.
Escrevi um bilhete super-explicativo para orientar o zelador, peguei a chave reserva e deixei os dois com o porteiro. No dia seguinte, quando perguntei para o zelador se já tinham feito o serviço, ele me diz que não, mas que o porteiro da tarde faz esse tipo de trabalho por fora, e que seria muito mais fácil pedir pra ele fazer isso, porque o povo da Telefonica nunca vem mesmo. Eu disse que não precisava, que tinha fé nos orelhões amarelo-doença e que mais cedo ou mais tarde eles apareciam.
Pois então qual não foi minha surpresa quando quarta-feira, dois dias depois, me liga uma mocinha no meu celular, avisando que o técnico tinha vindo mas não tinha ninguém esperando ele. "Como assim?? Eu deixei a chave na portaria!", disse eu. Com toda sua educação telefónica, a mocinha me explicou que o porteiro da tarde disse ao técnico que eu e meu pai tínhamos ido viajar e só voltávamos na segunda. Desejando ardentemente que o porteiro não tivesse a morte misericordiosa de ser eletrocutado pela central telefònica do prédio e tivesse que viver porteiro pelo resto da eternidade, disse à mocinha que mandasse o técnico de volta no dia seguinte, que ele conseguiria entrar no apartamento. Assim que cheguei em casa, delatei o porteiro da tarde pro zelador, que prometeu dar uma bronca no trapaceiro. No dia seguinte, graças à presença providencial do Vôanselmo, meu telefone já estava funcionando.
Ter telefone em casa é ótemo. Pra começar, não preciso mais correr com minhas conversas telefönicas, já que meu minuto não custa mais R$ 1,40. Agora, quando a telemoça do celular me avisa que não posso mais nem sequer fazer uma ligação a cobrar porque meus créditos expiraram, eu posso dizer "SUPOSITA SEUS CRÉDITOS!! EU NÃO PRECISO MAIS DE VOCÊ!!".
Além disso, a linha telefõnica preencheu o enorme vazio internético que havia no computador do meu apartamento. Tadinho, em quase dois anos de existência, jamais tinha posto seu modem em uso. Tá certo que tenho que usar as internets grátis da vida, que são muito mais lentas que a conexão aqui da USP, mas pelo menos agora não vou ter que comer McCoisas para poder ler e-mail de sábado.
Não sei ainda se vou arranjar uma secretária eletrônica. Não quero ter uma maquininha que me mostre que ninguém liga pra mim. Mas ia ser divertido inventar uma mensagem boa pra secretária.
MEU DEUS, QUE VERGONHA. Dia 14 esse site fez um ano de idade, e eu deixei passar. Deve ser porque deixei o semestre todo pago em janeiro, então fiquei sem receber o boleto do provedor avisando que já estamos no meio de maio.
Já respirei minha cota de ar da Nerdolândia esse ano. Fui na pré-estréia do Homem-Aranha ontem, com o Daniel. Impressionante. Chegamos lá meia hora antes do começo do filme, de ingresso comprado, e tivemos que sentar na senzala da sala de cinema, láááá na frente, porque todos os nerds de Sumpaulo tinham chegado às dez da noite pra uma sessão que começa às dez pra meia-noite, e ocupado todos os assentos. E, pior ainda, tinha uns quinze com camiseta do Homem-Aranha. A única vantagem de sentar na frente foi que a gente conseguiu sair rapidinho quando o filme acabou, escapando da manada de óculos e dos comentários que fariam na saída. Mas o filme é bem bacana, podem ir ver sem medo.
Trabalhar aqui na Com-arte requer paciência. Um computador resolveu ignorar o mouse, o outro não deixa instalar impressoras, o outro recebe vírus pela rede a cada quinze minutos, então tem que ficar desconectado. E meus conhecimentos tecnológicos, por melhores que sejam, não conseguem dar solução nisso. Agora outra mina vira e me diz "Marcio, não consegui gravar CD aí no seu computador, diz que não tem buffer". Não disse nada pra ela, só fiz aquela cara de "hmmm, senta e chora". Que que ela acha que eu posso fazer? Se eu soubesse a solução, já tinha resolvido isso!
Denis: Virge Maria, cálculo, estatística, cálculo econômico…
Marcio!: E aí, Denis, tá querendo prestar Administração depois que se formar ainda?
Denis: Não tô mais! Magina, ter que encarar essas matérias!
Wagner: É verdade. Depois que a gente se acostuma com cursos de humanas…
Marcio!: Sabe que meu irmão ficou horrorizado com o nosso curso? Ele veio aqui na quinta passada, então eu levei ele pra minha aula de Desenho de Observação. A gente chegou lá, o professor falou uns quinze minutos, depois disse "Bem, hoje vocês têm que fazer um desenho em 360 graus" e soltou a gente. Eu falei um pouco com o professor, assinei a lista, e fui pra Com-arte. Depois de uma hora que eu estou lá resolvendo uns problemas, o Danilo me diz "Marcio, sua aula era só aquilo?". Eu respondo: "Não, pode voltar lá às onze e pouco pra apresentar os desenhos que fizemos hoje, mas eu não tô com vontade". Assustado, ele disse "Todas as suas aulas são assim??", e eu respondi "Ah, nem todas…".
Mariana: Marcio, você fez tudo errado! Não pode ser sincero assim! Você tinha que trazer ele num dia de aula ferradona, pra ele ter uma impressão esforçada da sua vida acadêmica!
Marcio!: Mas, meu, não dá pra mostrar pra ele aqui o tipo de aula que ele está acostumado lá na Medicina!
Wagner: Mas Humanas é outra coisa mesmo! É um espaço pras pessoas ficarem elocubrando, refletindo…
Marcelo: (Depois de ter passado vários minutos entretido com o fecho da bolsa da Raquel) Meu, brincar com ímã é muito legal!!
Marcio!: Pois é, curso de Humanas permite que a gente chegue a conclusões como essa!
Marcelo: Mas é legal mesmo! O lance é tentar chegar o ferrinho o mais próximo possível do ímã, sem encostar. É super difícil!
Mariana: Brincar com fecho é super lúdico!
Wagner: E quando você pega dois ímãs e eles se repelem? Já passei mó tempo tentando fazê-los ficar retinhos, um em cima do outro!
Marcelo: E aí, quem vai participar do Bolão da Copa?
É por isso que eu adoro meu curso.
A cada duas semanas eu ponho o meu cesto de roupa suja no carro de Painho na sexta, que o leva para Campinas. Quando chegar em casa no sábado, lavo todas as minhas vestes eu mesmo, garantindo minha roupa limpa por mais quinze dias.
Enquanto a rotina se mantém, esse sistema funciona perfeitamente; em semanas como as últimas, em que eu tive que ficar aqui em Sampa por causa da Bienal do Livro, o esquema fura, e a roupa vai empilhando em cima do pobre cesto. Já estava prestes a chegar no ponto vergonhoso em que seria necessário reciclar as cuecas quando resolvi aproveitar o feriado de 1 de maio para ir para Campinas fazer a lavança.
Graças à tecnologia moderna, lavar roupa nem é tão dolorido assim. Você põe a roupa na lavadora, aperta os botõezinhos e vai cuidar da vida. É claro que já dei minhas falhas no sistema. Uma vez, apertei os botõezinhos e fui pro computador. Três horas depois, a máquina ainda estava como eu a havia deixado, com as roupas sequinhas: eu tinha esquecido de abrir a torneira da lavadora. Felizmente nunca fiz nada tão trágico como colocar cândida no compartimento de amaciante sobre as roupas coloridas; o máximo que acontece hoje em dia é eu ter que segurar a máquina quando ela centrifuga as roupas, porque ela está com excesso de peso.
Mãinha tinha ido pra Bragança dar cursos, o que fez com que os irmãozinhos Caparica tivessem que se distrair entre si. Quem se diverte mais nessa é a Ana Paula. Entre uma carga da lavadora e outra, por exemplo, estávamos eu e ela lendo e-mail e ouvindo a uma coletânea de músicas infantis. Entrou uma música animadinha, eu comecei a dançar com ela. Logo chegou o Anselmo depois o Danilo, e daí parecia cena de filme: ficamos os três marmanjões fazendo coreografias, uma mais boba que a outra, e ela rindo, rindo, rindo. Divertidíssimo. Mas, como a Ana Paula também é uma mina muito culta, depois ela foi comigo assistir o DVD do show da Marisa Monte. Como ela é muito pró, ela cantou junto sem titubear TODAS as músicas do show. Maninha é um prodígio!
Minhas roupas só ficaram secas meia-noite e tanto, e Danilo e Anselmo, que estavam fazendo uma boquinha na cozinha, ficaram me fazendo companhia enquanto eu tirava as roupas do varal (ajudar a tirar? Nããããão! Ficaram lá olhando eu fazer meu serviço de escravo Isauro!). Conversando, chegamos à evidente conclusão de que com o passar dos anos e dos filhos Mãinha foi ficando banana mesmo, para o deleite dos mais jovens. Ou os filhos menos bobos, também.
Eu e o Danilo, que éramos bobos de tudo, levávamos os castigos a sério: ficávamos semanas sem jogar video-game, ou meses sem ler gibi (chegando ao máximo de comprá-los na banca e obedientemente colocá-los em cima do armário junto com os outros, sem ter lido. Eu tentava sugar o máximo do gibi nos três quarteirões entre a banca e minha casa, mas nunca era o suficiente). Já o Anselmo, hohoho, jogava vídeo-game e usava o computador escondido, e ainda tinha a cara-de-pau de nos pedir que não contássemos pra mãe quando a gente pegava ele com a boca na botija. A Ana Paula já chegou no estágio em que nem vai saber o que castigo assim significa.
Mas a história mais divertida foi a da minha calculadora. Eu tinha uma calculadora científica de estimação que comprei quando fiz intercâmbio nos EUA. Muito econômico, a usava nas aulas de engenharia, jamais pedindo para que se comprasse aquelas megacalculadoras HP que só usavam pra tocar musiquinha. Depois que criei juízo e saí da Engenharia, emprestei-a para o Danilo, que estava fazendo aulas de estatística. Qual não foi a minha surpresa quando, meses depois, ele me chega com minha calculadora tão querida toda deformada! O mentecapto tinha deixado ela no painel do carro, e, num dia de sol, a calculadora se transformou num tobogã.
Eu fiquei furibundo, e, com lágrimas nos olhos, disse que ele ia ter que pagar uma nova, e ele dizendo que não, que não tinha sido de propósito. Nós ficamos nessa querela até que eu, crente de que venceria a discussão, disse "Mãe, fala pra ele que ele tem que pagar minha calculadora!!". Ela olhou bem para ela, que não fechava mais em seu estojinho, e deu o veredito: "Ela ainda funciona, não tem que pagar nada!". Fiquei eu lá, de calculadora torta e cara de tacho.
Fazia tempo já que nós três não tricotávamos assim. Foi muito divertido. Quem pensa que mesa de Natal é o melhor lugar para reunir a família, não sabe do que um varal cheio de roupa é capaz!
Amanhã é feriado, certo? Certo. E, que sorte, tem a festa de aniversário da Carolzona hoje à noite, não é bom? É. Só não é perfeito porque, de todas as terças em que eu poderia fazer um seminário na aula de noite, o meu caiu justo nesta. Então não posso matar aula. Tenho que ficar aqui na ECA até as onze da noite. Podia estar me divertindo, mas em vez disso vou ter que explicar os efeitos das imagens artificiais no modo de vida moderno. Grrr.