Daqui não passa
 
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Posts arquivados em Julho 2002

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26 7 2002 0 00 00

 

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Os funcionários aqui do departamento resolveram fazer um churrasco hoje. Cobraram cincão de cada um e compraram toneladas de carne. Enchi a cara em quinze minutos depois fiquei lá, no meio do pagodão, sem saber bem o que fazer. Ainda não me acostumei com a minha situação "não-aluno, funcionário e nada mais". As tiazinhas da secretaria sempre serão as tiazinhas da secretaria pra mim. É difícil deixar de lado os hábitos de quatro anos…

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26 7 2002 0 00 00

 

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O próximo número da Artigo Definido está quase pronto! Eu e a Andréia escrevemos o editorial hoje, ficou mó bacaninha. Se tudo der certo, antes de agosto todas as páginas estão prontas…

Vai, pode falar, "eu já vi esse filme antes!". Eu sei… periodicidade torna as coisas meio cíclicas.

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22 7 2002 0 00 00

 

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Segundas de manhã são os únicos dias em que eu fico contente quando tem congestionamento em Sampa, já que venho dormindo no Limeirense fretado que eu pego em Campinas às cinco e meia da matina. Dou aquela pseudo-acordada básica às seis e meia, abro uma fresta na cortina do ônibus e olho pela janela. Daí eu penso: "Oba, tá tudo parado, vou conseguir dormir mais hoje", viro pro lado na cadeira e puxo o ronco. O único problema é quando as curvas da USP não me acordam, e eu só abro os olhos quando o ônibus pára de vez, lá na Biologia. Daí tenho que enfrentar uma longa caminhada até chegar ao trabalho, no CJE.

Bolo e guaraná

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18 7 2002 0 00 00

 

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Aniversário da juventude mais ou menos endinheirada, depois dos 18 aninhos, é tudo assim: você escolhe uma casa noturna X, marca o dia, faz uma lista de convidados. O aniversariante mais acompanhante entram de graça, o resto do povo da lista entra com desconto. Divertem-se todos a noite inteira, e no fim vai cada um pra sua casa, tendo pagado só o que consumiu. O aniversariante paga pouco e não tem que limpar a casa depois. O único lado triste disso é que em geral gente grande não ganha presente de aniversário.

Depois da balada pseudo-chique e quase anônima que foi meu aniversário ano passado, eu decidi esse ano fazer a festança num karaokê, para que meus convidados tivessem toda aquela interação de escolher músicas juntos, cantarem juntos etc. e tal. Duas semanas antes da data, procurei lugares na internê e achei o Opera Lis, que prometia um enorme cardápio de músicas, entrada grátis na quarta-feira (data do meu niver) e ainda bolo de graça para quem fizesse festa lá! Como diria vó Norma, o Senhor preparou. Fui pra Camps no fim-de-semana, confirmei com o Danilo se ele poderia ir pra Sampa comemorar comigo (irmãos gêmeos têm essas coisas, nunca fazem aniversário sozinhos) e, então, marquei minha festa no Opera.

Quarta de manhã Pai quase esquece que é meu aniversário, mas o Bom-dia São Paulo lembrou ele que era dia 17 de julho e ele me deu os parabéns. O resto do dia foi bastante divertido, com as pessoas me cumprimentando e dizendo se iam ou não iam na festa, que, descobri eu, estava se tornando até que um evento, com várias pessoas considerando ir.

Eu e o Marcel tivemos que chegar mó cedo no Opera para pegar a mesa que eu tinha reservado, porque eles só a segurariam das oito às nove da noite. Felizmente os convidados não demoraram muito para chegar e ocuparam os vinte lugares que eu tinha pedido antes da reserva virar abóbora. Foram os editorandos da lista Especialidades, os jornalistas da lista Tio Mega, e o Rods, a Fernanda, a Gabi e a Andréia da Edit-USP. Assim que eu cheguei lá eu me dei conta que é meio difícil conversar num karaokê, mas esse é um pequeno preço a se pagar pelos micos que se paga num lugar como esse.

Eu resolvi abrir a cantoria dos meus convidados, cantando "Garçom", do Reginaldo Rossi. Uma das vantagens do lugar é o microfone sem fio, que permite tanto que se faça altas performances na área entre as mesas como cantorias anônimas sentadinho no seu lugar. Depois disso, o povo se soltou: o Denis e a Mariana destruíram "Baby One More Time", da Britney; Rodolfo soltou a voz em "Pais e Filhos; o Marcel deu a melhor performance da noite, levantando a platéia com "It’s The End of The World as We Know It", também conhecida como "a música incantável"; e eu voltei para cantar "Nuvem de Lágrimas", que não podia ficar de fora.

No meio da noite eles fizeram um intervalinho, no qual o pessoal levantou para dançar uns axés da Ivete Sangalo e o especialíssimo funk do morto muito louco. Depois disso, cantaram parabéns e trouxeram um bolo para mim e outro para outra mina que também fazia aniversário, com aquelas velas fininhas de faísca espetadas no bolo. Nem deu tempo para olhar muito pra ele, no entanto, porque ele rapidamente foi recolhido. Quinze minutos depois, cada convidado meu recebeu uma mini-fatia do dito, que mais pareciam carpaccios de bolo. E não deram repeteco, o que torna a história do bolo grátis para os aniversariantes muito suspeita. Acho que eles mostram dois bolos mas só distribuem meio, guardando o resto para aniversários posteriores.

Mas o resto da festa correu bem. Depois de uma espera de 20 senhas, à uma e meia da manhã, meus convidados remanescentes juntaram-se todos para cantar "O Amor e o Poder" em coro, ao que se seguiu um "Se Fue" também em conjunto, apesar de ninguém lá saber a letra direito. Saímos de lá às duas da manhã, roucos e contentes. A Rachelships ficou sem voz por mais dois dias, e o Denis ficou com sinusite, mas eles juram que não estão fazendo um vudu meu no vidro de picles em represália.

Os doze trabalhos de Ana Paula

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9 7 2002 0 00 00

 

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Eu, o Danilo e o Anselmo reclamamos da nossa infância sofrida, de como tínhamos que varrer calçada, podar as trepadeiras do muro, lavar louça etc. e tal, mas na verdade temos que considerar que nossa meninice foi fichinha perto do que a Ana Paula enfrenta. E olha que ela faz o serviço muito bem, ela mantém um bom humor que eu não sei se seria capaz de ter.

Já faz um mês mais ou menos que ela começou a tomar injeções diárias de hormônio de crescimento, porque está meio pra trás nos padrões de desenvolvimento. Ela ganha um real por injeção, o que, mais os dentes que estão caindo, a fazem a menina mais rica lá de casa (inda mais porque ela não gasta mesmo). Mais de uma vez já me vi na situação vergonhosa de emprestar dinheiro da Ana Paula pra pegar o ônibus de volta pra Campinas. Ela devia cobrar juros, mas acho que só se começa a pensar nisso quando se chega aos doze anos.

Domingo ela voltou de Araraquara, onde tinha ido operar a boca, com o primo Luquinhas. Os caninos permanentes da mina estavam nascendo no lugar errado, dissolvendo as raízes de alguns incisivos, então ela foi lá arrancar os de leite e passar um fio que conduza os dentes rebeldes para o lugar certo. Mãinha ortodontista já aproveitou e extraiu os molares que ela precisaria arrancar mais pra frente pra completar a obra de dentes perfeitos dos filhotes. A menina chegou toda inchada, bochechuda e com o beiço de cima enorme. E ainda estava levando tudo até numa boa, não sorria mas também não chorava, falava que estava tudo legal. Eu fiquei meio triste dever aquilo, mas também não conseguia deixar de achar que ela estava muito engraçada. Porque era temporário; se fosse permanente, eu ia ficar muito triste mesmo.

Pois bem, quatro da matina de domingo pra segunda, eu acordo com um barulho de enxurrada. Levanto pra saber o que está havendo, encontro Ana Paula, mãe e Lucas de pé, e um monte de água escorrendo do lustre do quarto da Ana Paula, bem em cima da cama dela. Estava ela em seu soninho desinchador, quando começa a cair água em cima dela. Corre a menina pro quarto de mãinha, "Mãe, tá chovendo dentro do meu quarto!". Mãinha acorda pai, vão lá ver do que se trata, ponto em que o Lucas também já tá de pé, vêem que a mina não está alucinando com resquícios de anestesia e está tendo o dilúvio no quarto infantil mesmo. Pai sobe no forro e descobre que estorou um cano da caixa d’água. Podia ser no meu quarto, no do Danilo, no deles, mas nãããão, tinha que ser em cima da mina da boca inchada.

E como urucubaca pouca é bobagem… Hoje mãinha e Anselmo foram levar a Aninha e o Lucas pro Hopi Hari. Se divertem bastante o dia inteiro, voltam pra Campinas, e descobrem que não têm a chave de casa. Contactam o Danilo, que estava comigo na casa do Spock, combinam de ir pegar a chave no meio do caminho, e fecham a porta do carro - em cima da mão de quem, de quem, de quem? Da Ana Paula! Tiveram que ir lá pegar a chave, e daí correr pro hospital tirar um raio-x da mão da mina pra certificar que não tinha quebrado nada (e não quebrou mesmo, felizmente). Agora, além da boca inchada, tem o dedo inchado.

E ela ainda levando tudo numa boa, no maior bom humor. Essa mina vai pro céu, sério.

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3 7 2002 0 00 00

 

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O mais impressionante da vitória do Brasil na Copa do Mundo é que do dia para a noite todos os comerciais fazem alusão ao pentacampeonato. TODOS mesmo. O que mais me impressionou foi o Guaraná Antarctica, que na terça-feira já tinha um comercial com o Felipão (que de repente virou ídolo). Meu, eles chegaram no Brasil na terça! Como foi que fizeram? Foram lá no Japão gravar o comercial? Já tinham ele gravado just in case? Gravaram dentro do avião? Se alguém souber a resposta, eu ficaria muito agradecido.