
Agora, com a vitória do Lula, a cara dele está por toda parte. As bancas de jornal estão parecendo um book do nosso novo presidente. O que não é necessariamente ruim, mas é bastante notável como toda mídia virou amiguinha do Lula nessa semana. Eu só espero que ele não faça a burrada de ir pro Faustão esse domingo, como a Folha disse que queriam fazer. Please. Um presidente tem que se dar o respeito.
Existe certas horas que você se sente num momento histórico. Eu me lembro de alguns. Me lembro, por exemplo, de quando a Guerra do Golfo começou, que a Globo ficou a noite inteira noticiando ao vivo e mostrando os bombardeios no Iraque, e eu, na tenra quinta série, preocupado que a Terceira Guerra Mundial ia começar, que Nostradamus tinha previsto isso e ia ser o fim do mundo.
Outro dia com jeito de momento histórico foi quando jogaram os aviões no World Trade Center, e eu, ja menos tenro no terceiro ano de faculdade, assistindo a tudo na Globo na faculdade, preocupado que ia comecar a Terceira Guerra Mundial, que eu ia ter que ir pra frente de batalha, que Nostradamus tinha previsto isso e ia ser o fim do mundo.
Mas, felizmente, nem todo Momento Histórico é uma desgraceira. E Nostradamus não previu isso, e aparentemente o mundo não vai acabar (se bem que a Globo noticiou o evento incessantemente). Todo mundo já sabia que isso ia acontecer, mas teve um ar de novidade (o que é, afinal, o mínimo que se pode esperar desse evento) a vitória do Lula pra presidente.
O dia foi todo tranqüilo hoje. O Danilo me acordou pra levar ele para a escola onde ele já amarga há várias eleições o privilégio de ter participação na "festa da democracia" como mesário. Eu, que entrando com ele pude furar todas as filas, enrolei até as oito horas e fui um dos primeiros da minha seção a votar. Depois fiquei o resto do dia tentando sem sucesso escrever coisas para cá, para o Rabisco e para a USS Whatever.
Pai e Mãinha chegaram de Araraquara, onde votam, umas oito da noite, e daí, voluntariamente, a família toda se reuniu na frente da tevê para acompanhar as apurações. Mãinha é tucana de bico roxo, e compensava as frustrações presidenciais nas derrotas estaduais do PT. Já a Ana Paula estava muito mais interessada em fazer de mim um playground humano que acompanhar as eleições per se. Anselmo, que também se revelou um tucano de carteirinha, achava tudo uma desgraça, e Danilo, Pai e eu ficávamos na nossa.
Por volta das nove o Fantástico anunciou que o Lula havia sido oficialmente eleito. Vinte segundos depois o telefone tocou. Todos nós tínhamos certeza de que seria o Tio Zé, que desde o começo da campanha eleitoral vem nos enchendo a paciência com discursos do PT. Com certeza ele estava ligando para cantar vitória. Depois de muito tocar, eu me resignei e atendi. Era o orientador do meu TCC, para o alívio e riso de todos nós. O coitado não entendeu a razão de tanta risada.
Depois, seguiu-se o acompanhamento televisivo dos fatos: a Paulista cheia, os repórteres se matando pra tentar conseguir a primeira declaração presidencial do Lula, o discurso do novo presidente no hotel… Muito emocionante. Não dava para não sentir um certo orgulho patriótico. É desculpa pra achar que as coisas vão ser melhores amanhã, e isso sempre faz bem.
Daqui a anos e anos, vão repetir essas imagens que a gente viu hoje, e vão estudar nos livros de história o que aconteceu agora há pouco. Provavelmente o ponto de vista não vai ser tão romântico assim, e caberá a nós lembrarmos que, no dia de hoje, todo mundo, quase inevitavelmente, foi dormir um pouquinho mais contente. Pelo menos hoje.
Outro momento histórico que eu me lembro de assistir na onipresente Rede Globo foi a morte do Tancredo Neves. Eu me lembro de ter ficado muito revoltado, porque estavam interrompendo o meu Balão Mágico pra ficar mostrando aquilo e o Balão Mágico não voltava e aquilo não acabava nunca. O que me importava daquele velho no Incor, eu queria a Simony!
O bom de ser fã de um escritor como o Neil Gaiman é que ele tem blog e portanto há algo novo dele para se ler todo dia. Hoje eu descobri a fantástica história de Heliogabolus, uma história em quadrinhos que o Neil escreveu e desenhou em 24 horas. É boa, é quase ilegível, e é grátis.
Me irrita um pouco quando o Terra decide vender alguém de qualquer jeito. Mês passado era aquela chata da Pink, que graças a deus já se pirulitou. Esse mês eles estão insistindo no Santana e no disco novo da Adriana Calcanhoto. Tipo, TODOS os banners deles são com um dos dois. Começa a ficar monótono depois de um tempo.
Uma das peculiaridades do Trabalho Novo é ter que dar plantão no final de semana uma vez por mês. O que não é tão problemático, já que eu só tenho que chegar às cinco e, assim que todos os jogos de futebol acabarem, atualizar os resultados e ir embora. O problema é que esses jogos não acabam nunca!! Estou a meia hora de ir embora. E ela se alonga cada vez mais.
Quando resolvi pegar a vaga de técnico da Com-arte, eu o fiz na fé de que em poucos meses encontraria um emprego melhor, e que portanto não era de todo mal trabalhar lá e ir ganhando um dinheiro pra ficar num lugar onde eu já ficava de qualquer jeito.
Claramente os meses foram bem mais do que eu esperava. Por mais que eu mandasse currículos pra lugares vários, ninguém jamais respondia. Os meses foram passando cada vez mais funcionários públicos, e eu fui me ocupando com as Artigo Definido, Quadradinho e, ultimamente, o Rabisco. Com o departamento criando mil empecilhos pra imprimir a Artigo, minha desilusão só ia aumentando. Assim, quando a Com-arte Júnior me perguntou se eu não estaria interessado em pegar um trabalho que eles estavam intermediando, eu aceitei imediatamente.
Pois bem, o trabalho deu certo, e eu já chutei o departamento de Editoração e Jornalismo. Avisei que ia sair numa terça, entreguei minha carta de demissão numa sexta (já que, devido às eleições, eles não poderiam me fazer o favor de me demitir), e na terça já não fui lá. Que aviso prévio o quê.
Agora eu trabalho no website de uma rede de TV a cabo doravante chamada de DROM (não, stalkers, vocês não vão saber onde eu trabalho). Trabalho bastante bacana, onde, mais importante que tudo, eu tenho coisas pra fazer. Isso faz toda a diferença. Eu consigo me ocupar durante todas as horas que passo lá!! Depois de um ano procurando o que fazer, isso é fantástico.
Não ir mais pra USP todo dia, no entanto, me forçou a algumas mudanças. A primeira e mais urgente foi resolver minha atividade física. Não dava mais pra ir pro remo madrugadeiro. Então resolvi me tornar mais mainstream e fazer uma academia de ginástica mesmo. Depois de um pouco de pesquisa, me matriculei numa que apresentava um plano semestral razoável e tinha várias aulas interessantes. Dá pra ir a pé daqui de casa, o que é muito prático.
Mas não adianta nada gastar tanto dinheiro em academia e continuar comendo abóboras engordantes. Então resolvi comer mais em casa, comer mais frutas e verduras e (pasmem) evitar a bolacha recheada, meu café da manhã nos últimos quatro anos. Eu pretendia almoçar em casa, mas teria que esperar até as trê e meia da tarde pra começar a preparar minha comida, o que não é aconselhável para quem está fazendo atividade física, dizem os gurus da malhação. Então, depois de dois dias gastando os tubos nos restaurantes careiros em volta do serviço, eu encontrei uns baratinhos que dá pra encarar. A refeição não custa mais só R$ 1,90, mas a comida é melhor, e eu não fico limitado a um mísero copinho de suco.
Meu computo caseiro passou a ser mais usado também! Afinal, não dá mais pra escrever e montar o Rabisco (ou mesmo o Chão) no trabalho. Ter que usar bem mais a conexão discada me fez adotar o Outlook também, por mais que eu odeie dar mais esse passinho em direção à dominação total da Microsoft.
Mas o mais importante é que agora eu estou fazendo coisas! E estou levando uma vida muito mais saudável por conta disso, ó só que lindo. Nada como sair da pasmaceira.
Meu telefone aqui no Trabalho Novo é assombrado, e a cada vinte minutos dá um toquinho por razão nenhuma. Depois de cinco dias convivendo com isso, perguntei a razão pra mocinha do meu lado e ela disse que deve ter alguma mensagem, mas só o ex-dono do teléfono sabe a senha. Estou condenado a toques telefônicos involuntários para sempre.
Eu ainda não me conformo com a eleição do Enéas. Sim, pelo menos a gente não corre o risco de ter o Maluf como governador, mas ver o Enéas empurrando mais sete candidatos do Prona pra câmara é triste. No trabalho não se falava de outra coisa na segunda-feira, todos revoltados. o comentário era um só: tanta gente achou que seria engraçado votar no Enéas que deu no que deu.
O dia de votação foi bem tranqüilo pra mim. Mãinha e Pai votam em Araraquara, então foram pra lá com a Ana Paula no sábado. O Danilo teria que passar mais uma eleição como mesário (parece que ele já escalou quase todos os postos do colégio eleitoral), então mal o vi no domingo.
Acordei cedinho, catei o carro e fui pra casa da Kika buscar o radinho a pilha que ela tinha comprado pra mim de aniversário. Depois fui pra escola Aníbal de Freitas, onde eu voto, desviei do monte de flanelinhas que estavam tentando explorar um evento tão cívico, e parei o carro três quarteirões pra cima da escola. Ando no sol quente, mas não pago flanelinha.
Eu mal conseguia ver a porta da minha seção, tamanha a fila que tinha nela. Vendo que ficaria ali um bom tempo, saí da escola, fui pra uma banca, comprei uma revista e corajosamente voltei para cumprir meu dever de eleitor. Nesses vinte minutos entre ir e vir, a fila já tinha aumentado bastante. Resignadamente liguei o radinho, abri a revista e fui conquistando cada centímetro do corredor até a classe onde eu votaria.
Atrás de mim estava uma mulher que não devia dar fazia já algum tempo e estava revoltada com o mundo. Não parava de reclamar um segundo, "que é um absurdo isso, eu venho cumprir minha obrigação e tenho que pegar fila, nesse calor insuportável, porque eses políticos são todos iguais, e esse pessoal que corta a fila…". Eu só concordava com ela com relação ao calor (quando começou a passar um pessoalzinho distribuindo folhas de papel pro pessoal se abanar, eu vi que as coisas estavam realmente preocupantes), de resto eu fazia o possível pra me concentrar no radinho e continuar lendo a revista.
Quando eu já estava chegando na porta da classe, uma mulher chegou carregando um moleque chorão. Ela queria entrar na fila do povo preferencial porque tinha uma criança de colo. A tiazinha atrás de mim começou a reclamar imediatamente, dizendo que o moleque conseguia andar e portanto não era do colo, e a outra começou a brigar de volta, dizendo que não podia largar ele chorando por aí pra ir votar. Depois de minutos de briga, a mãe do choroso entrou na frente da resmungona, que imediatamente ofereceu uma balinha pra acalmar o garoto. Eu suspeito que ela tinha naftalina.
As razões de tanta fila ficaram claras quando entrei na sala de aula: havia apenas uma urna em cada sala, o que tornava tudo muito mais lento. Parece que o governo encontrou a forma mais rápida de fazer uma eleição totalmente eletrônica distribuindo as urnas que já existiam por aí. Eu, acostumado a caixa eletrônico e tudo mais, e ainda provido de colinha, votei tão rápido que chegou a ser frustrante. Tanta espera para apenas alguns segundos de voto. Deviam pelo menos elogiar nosso esforço cívico pra gente se sentir melhor.
À noite Pai e Mãinha chegaram, e a gente começou a acompanhar pela tevê a apuração dos votos. Mãinha, PSDBista de adesivo ferrenha, comemorou até não poder mais a ida do Serra ao segundo turno. Eu fiquei contente mesmo com a queda do Maluf.
Segunda-feira o Bom-dia São Paulo deu a lista dos novos deputados, e nenhum dos que eu votei se elegeu. O que é uma pena. Eu só espero que o segundo turno, com menos opções, tenha menos fila.
Fui numa palestra da Macromedia ontem. Impressionante a quantidade de adolescente que aparece. Eu achando que ia estar cercado de profissionais e coisas do tipo, que nada! O que eu vi foi um monte de gente espinhuda se estapeando pra pegar as canetinhas que o povo jogava na platéia. E várias coisas muuuuuuito legais que se faz usando Flash e ColdFusion. No dia que aprender a usar o CF e tiver dinheiro pra pagar o servidor que o suporte, haverá grandes mudanças no Chão…