Daqui não passa
 
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Posts arquivados em Dezembro 2002

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28 12 2002 0 00 00

 

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Anteontem nasceu a ainda-sem-nome (que eu saiba) filhotinha da Lulu, minha poodle que pensa que é gente!! O parto foi de bruços, em Araraquara, cidade onde cinco sextos da família nasceu. Mãe e filha estão bem, sendo que a última está se deleitando com dez tetas inteirinhas só pra ela! O rebento será adotado por Lucas, tia Ni e tio Eraldo, que com certeza cuidarão muito bem da minha sobrinha.

Tempo de Natal

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25 12 2002 0 00 00

 

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Cinco horas trabalhando na segunda-feira, dia 23, enquanto toda a família já estava comendo chocotone e jogando baralho na casa da vó.

Meia hora até chegar em casa e buscar ítens de primeira necessidade que o estúpido tinha esquecido, mas uma hora até ônibus e metrô levarem até a rodoviária.

Quinze minutos de fila até conseguir que trocassem meu bilhete para outro ônibus que saísse mais cedo, mais trinta minutos enrolando até a hora da saída. Mais vinte e cinco minutos de espera até o ônibus certo conseguir chegar, as pessoas pararem de se estapearem e o motorista tomar rumo para Araraquara City.

Quatro horas de viagem, quase todas dormidas. Dez minutos de espera até que o Anselmo mais Ana Paula, Marcelinha e Dieguinho viessem me buscar na rodô.

Quinze minutos até cumprimentar todo mundo que ainda estava batendo um carteado e compreender as piadas internas que tinham surgido na minha ausência, como o poder do dedo da Luciana Gimenez sobre o Mick Jagger e as bicadinhas de cerveja que evitavam discórdia. Uma hora de carteado até recebermos a ligação da prima distante dos meus tios, que queria que alguém a buscasse na rodoviária, apesar de ter sido avisada por três pessoas diferentes que não devia vir porque não tinha lugar pra ela.

Seis horas de sono. Cinco minutos pasmo de descobrir que a prima indesejada tinha dormido na rodoviária, vindo encontrar minha vó na padaria de manhã, e agora o pai dela, irmão do finado vô, que tinha dito que ela podia vir que a gente se ajeitava, estava tentando arranjar um lugar pra ela dormir. Quatro horas de nada fazer, finalmente, seguidas de duas horas de compras de roupas novas, mais duas horas de nada fazer de novo. Meia hora de banho, uma hora de televisão, uma hora de cantoria com o Danilo e com o Anselmo.

Uma hora comendo churrasco com bolo salgado e suco de cenoura com limão, que é a melhor ceia de Natal que alguém pode pedir. Meia hora assistindo ao especial de Natal da Globo sobre o menino preto que toca violino, muito comovente mas engraçado, porque não adianta, o menino ainda é o Saci por mais que ande com duas pernas. Quarenta minutos de enrolação, dois minutos para colocar o chinelo debaixo da árvore de Natal, dez minutos segurando as crianças no quintal pro Papai Noel chegar, e quinze minutos comemorando os presentes. Uma hora de disputa entre os DVDs adquiridos, até o tapetinho de dançar da Xuxa ganhar a primazia sobre a televisão, deixando todos os marmanjões chupando o dedo.

Quatro horas de sono, até ser acordado pelo tio-avô inconveniente, que de manhãzinha já estava no portão gritando "Abre a pôrta!".

Funcionalismo

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22 12 2002 0 00 00

 

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A pasmaceira do funcionalismo público é um monstro que só não se levanta para te engolir porque para isso ele ia ter que te atender no balcão. Quando eu fazia parte dele eu ficava deprimido só de pensar que não tinha o que fazer naquele dia, nem no dia seguinte, nem no outro, e, depois do fim-de-semana, chegaria o dia em que o professor tinha que dar aula: daí eu faria três coisas inteiras e voltaria a não ter nada para fazer.

Mas mesmo quando você sai dele o monstrão dá um jeito de estender seus tentáculos malemolentes em sua direção. Depois de ter feito tudo que a mulher da secretaria do meu departamento tinha me dito que era necessário para pedir demissão, eu pirulitei do CJE, para nunca mais voltar, pensei eu. Pois que duas semanas depois, de manhã, eu recebo uma ligação da mulher da secretaria, e em seguida, uma dos recursos humanos da ECA, ambas dizendo que eu tinha que aparecer lá urgentemente.

Fui no mesmo dia, levando minha carteira de trabalho. Falando com a mulher do RH, descobri que meu pedido de demissão tinha demorado duas semanas para subir até lá, e que estava todo errado e, portanto, inválido. Além disso, se eu simplesmente largasse o emprego como tinha feito, teria que pagar um salário de multa, e não simplesmente deixaria de recebê-lo, como pensava que aconteceria. Para não pagá-lo, eu teria que fazer um mês de aviso prévio.

Revoltadíssimo com o mundo e com a incompetência de todos envolvidos na história, eu fui negociar os horários na DROM, onde tinha ido trabalhar, e acabei conseguindo trocar de horário para o turno das três às oito da noite. Então passei a trabalhar das oito às duas da tarde na ECA, ainda sem fazer nada, e daí corria para a DROM, onde ficava até que o chefe me liberasse (nunca antes das oito e meia, várias vezes depois das dez).

No fim do mês recebi um salário da ECA descontado dos dias que tinha faltado, e, depois que o suplício da jornada dupla acabou, fiquei esperando o equivalente dos quinze dias restantes mais meu décimo-terceiro. Um mês depois, nem sinal da grana. Liguei pro RH para reclamar do dinheiro, e tive que ouvir a mulher me responder "Olha que você recebeu sim, hein? Tem certeza que não gastou sem notar?", ao que tive que responder que, minha senhora, se MIL E TANTOS REAIS tivessem caído na minha conta, eu sem dúvida perceberia isso e sairia pulando de alegria por aí.

Como ela ainda não estava convencida, eu tive que tirar um extrato dos últimos dois meses e ir lá mostrar pra ela que não tinha mil e tantos reais escondidos em lugar nenhum da minha conta. Daí ela ligou pra um, ligou pra outro, esperou, ligou pra outro, e descobriu que realmente eu não tinha recebido o dinheiro! Eles tinham mudado o sistema dos computadores da área financeira da USP, e várias pessoas na minha situação estavam sem receber também. E, mas bacana, não tinha previsão de quando a grana ia chegar! Super duper!

Como não tinha remédio, peguei minha carteira de trabalho de volta, e fiquei a esperar o tutu. Esperei sentado duas semanas. Quando chegou, reparei o rombo que tinha feito na minha poupança nesses tempos de necessidade, e, com o que sobrou, fiz uma pequena orgia consumista, para comemorar minha liberdade do funcionalismo. E viva a propriedade privada.

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20 12 2002 0 00 00

 

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Dica supimpa: leiam as tirinhas on line do Sluggy Freelance. Estão disponíveis lá uns cinco anos de tirinhas, desde que ela começou, totalmente grátis. Vale conhecer as aventuras de Torg junto de Bun-bun, o coelhinho fofo assassino, Ailee, a alienígena secretária que comia gente mas agora só come batata, e vários outros personagens bizarros.

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20 12 2002 0 00 00

 

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Todo Natal e Páscoa é a mesma coisa: revistas e mais revistas com Jesus na capa. Não basta ser crucificado uma vez, o povo tem que repisar o fato ad nauseum. Até agora já tem a Galileu (mas, até aí, nada demais), a Superinteressante e, pior de tudo, a Veja. Jesus Christ…

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13 12 2002 0 00 00

 

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Ó que super, o pessoal da DROM deu um peru e um lombo para todos os colaboradores! (Os funcionários de verdade, grupo no qual não me incluo, ganharam um kit natalino mais completo, mas tudo bem, já não esperava nem essas carnes.) Agora teremos um gasto a menos na nossa ceia de Ano Novo. O único inconveniente é que esses defuntos não cabem no congeladorzinho do meu frigobar em casa, o que significa que terei que deixá-los no freezer da Carolzinha!

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11 12 2002 0 00 00

 

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Depois de horas e horas de espera, saiu ontem o resultado do Curso Abril. E eu tô dentro!! Tô me sentindo como se tivesse passado no vestibular!