Daqui não passa
 
Busca

Posts arquivados em Junho 2003

Arquivado em notas |
24 6 2003 0 00 00

 

Lido 3 vezes


 

Sem comentários »

Caminhando e cantando até o trabalho hoje, me deparo com, numa barraca de camelô, um saquinho de tecido amarelo, com patinhos amarelos bordados em ponto-cruz, escrito "Minhas Cuecas" com letrinhas floreadas. O que seria pior, a mulher que compra isso para seu marido, ou o coitado que se sujeita a utilizá-lo?

O livro de mamíferos

Arquivado em textos |
12 6 2003 0 00 00

 

Lido 38 vezes


 

Sem comentários »

A alegria pode vir das coisas mais inesperadas.

Estávamos na Recesso, em mais um dia de trabalho, quando a Gi nos chamou para vermos a planta da mudança. Nossa redação seria transferida para o outro lado do andar, e a gente devia escolher onde íamos ficar na disposição nova das mesas.

Papo vai, papo vem, memórias do caos da outra vez que a redação mudou de lugar afloram, e a Mô diz "Pôxa, ninguém achou ainda o segundo livro dos mamíferos?". Vários nãos desanimados vieram das repórteres.

Sendo a Recesso uma revista infantil, grande parte das pautas são baseadas em bichinhos. Desde capas sobre a existência do panda vermelho, até tira-dúvidas sobre como as girafas dormem, a tartaruga faz xixi ou qual o animal mais venenoso do mundo. E assim, me explicaram elas, acaba-se tendo que fazer muita pesquisa.

O livro dos mamíferos era uma obra em dois volumes de novecentas páginas cada um, em inglês, falando absolutamente tudo sobre todos os mamíferos, escrito por cientistas mundialmente reconhecidos e supermeticulosos. Assim, por um ano, elas foram felizes e contentes, pois a super-referência estava lá para ser consultada sempre que se tornasse necessário saber quanto tempo dura os dentes dos leões ou qualquer coisa do gênero.

Mas, na última mudança, o segundo volume, que tem mais da metade dos bichos listada, perdeu-se. Elas tentaram comprar apenas o primeiro na Amazon, mas só vendem os dois juntos. Em sites de leilão como o E-Bay, ironicamente, elas só encontravam o primeiro para vender. E assim, elas vertem lágrimas de saudade sempre que uma criança escreve perguntando como que as baleias amamentam.

Mal tinha a Mô me contado essa história, a coordenadora do website diz "ei, tem um monte de livro num canto do meu armário que eu não mexo porque deve ser de alguém…". Um brilho de esperança passou pelos olhos do pessoal de texto, mas por pouco tempo, pois não queriam se decepcionar depois. Seria bom demais para ser verdade.

Mas eis que ela vai até o armário, mexe lá por alguns minutos, e volta pouco tentando segurar um livrão. "É esse aqui, por acaso?". "SIIIIMMMMMM!!!", comemoram elas, mal acreditando no que viam. Aposto que nenhum outro exemplar desse livro foi tão festejado, abraçado e acariciado quanto aquele. E agora elas aprenderam a lição: quando começaram a empacotar para a mudança, a Mô fez questão de colocar os dois na caixa dela, a qual foi fechada por ela mesma. Chorar lágrimas de crocodilo por mamíferos, nunca mais.

Arquivado em notas |
6 6 2003 0 00 00

 

Lido 4 vezes


 

Sem comentários »

Fui até a USP hoje para entregar o comprovante de pagamento do diploma, preencher a fichinha e ter a esperança de recebê-lo em três meses. Na ida, o trânsito todo emb**etado, cheio de desvios etc. e tal. Na volta, com o fluxo mais cagado ainda, descobri a razão: estavam usando as avenidas da USP para fazer uma corrida de toras, com índios autênticos e tudo, em comemoração à Semana do Meio-Ambiente. Só porque eu estava atrasado pro trabalho…

Arquivado em notas |
6 6 2003 0 00 00

 

Lido 3 vezes


 

Sem comentários »

A Caras desta semana: "Débora Secco casa o pai e perde o sogro na mesma semana". Que mundo é esse, em que o ator, depois de tantos anos de TV, teatro e etc., só aparece na revista como apêndice da Debão…

Começo de carreira

Arquivado em textos |
5 6 2003 0 00 00

 

Lido 5 vezes


 

Sem comentários »

Quando eu fui sair da DROM para fazer o XX Curso, meu chefe lá fez questão de me dizer, até um pouco por despeito: "Você sabe que esse curso não é renumerado, não é?". Sei, sei, eu respondi. "E que não há garantia de que você seja contratado depois, não é?". Sei sim. "E que a concorrência lá é acirradíssima?". Sim, sei. E nada que ele me dissesse ia me fazer desistir de fazer o curso. Porque entrar nele já tinha sido difícil, e era um sonho meu que estava se realizando.

Bem, cinco meses depois, um deles fazendo curso, outro desempregado e três como frila na Jota e na RMP, eis que finalmente minha carreira começa de verdade, de carteira assinada. Sim, finalmente estou pondo meu diploma em uso na minha carteira de trabalho, e terei um emprego com benefícios e tudo mais.

Quando eu ainda estava na Jota, a Petite me deu um toque: "Marcio, lá na Recesso vai abrir uma vaga, vai lá falar com a Cacau". Assim que sobrou um tempo, fui lá. Já tinha conversado com ela antes, numa semana que passei em peregrinação por TODAS as revistas da editora, mas fui me certificar de que ela se lembraria de mim.

A Recesso é uma revista infantil, na qual eu tinha vontade de trabalhar desde que vi uma palestra da Cacau durante o XX Curso. É uma daquelas revistas que você sente as boas intenções de quem faz, o que já é dizer bastante. Pois bem, fui eu mais uma vez, muito empolgado, falar com a Cacau, que me recebeu e conversou comigo.

A Petite me deu outro toque no mês seguinte, quando eu já estava na RMP, e então eu fui lá de novo falar com a futura chefa. Já recebi uma promessa de possibilidade de ser admitido, o que, para um atual frila, é uma das coisas mais doces de se ouvir. Na semana seguinte, fui lá outra vez, e já quase recebi garantias. Até que, no fim dessa semana, recebi a confirmação do frila que me sustentaria no mês seguinte caso tudo desse errado, e fui falar com a Cacau. E ela, para minha alegria, me disse que nem começasse o frila, porque eles iam me pegar mesmo e que eu poderia começar na semana seguinte.

E pois então que agora eu parei de aumentar os índices de desemprego do país! Tenho meu próprio computador, no qual já coloquei miniaturas e um cartão da espada nova do He-Man. Um monitor GIGANTE, que faz com que eu considere qualquer outro mó pequenininho. Mais importante, um emprego ganhando bastante para fazer algo que eu gosto!

Agora estou trabalhando numa redação cheia de alcunhas monossilábicas ou não muito mais que isso: na arte, minhas colegas são a Ali, a Pri e a San, minha chefe de arte é a Cacau, e a de redação, a Gi. A Mô, a Dani, a Lu e a Mari cuidam dos textos, que depois são revisados pelo Edu. Entro às dez e pouco e saio às oito, ou à hora que o serviço acabar, dependendo do dia.

E assim, quando passa da meia-noite de quinta ou sexta-feira e eu ainda estou lá fechando a revista, eu penso satisfeito "cuidado com o que você deseja, que pode acabar conseguindo!!", e resolvo que, mesmo com esse horário alterado, isso é o que eu quero e gosto de fazer. E havia uma opção: ganhar mais ou menos a mesma coisa pra trabalhar pouco em horário comercial, diagramando uma revista sobre piscinas que ficava em Alphaville. Mas isso seria o inferno em forma de piscina.