Daqui não passa
 
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Posts arquivados em Setembro 2003

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29 9 2003 0 00 00

 

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"Se a poesia não serve para apressar o meu sangue, para abrir de repente as janelas sobre o misterioso, para ajudar-me a descobrir o mundo, para acompanhar esse desolado coração na solidão e no amor, na festa e no desamor, para que me serve a poesia?"
    - Eduardo Carranza

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26 9 2003 0 00 00

 

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Agora que os ladros caem, agora que os galos galam,
agora que alvando a toca as altas soam campanas;
E os zurros burram e que os gorjeios pássaram,
e os assovios serenam e que os grunhidos porqueiam,
e que a aurorada rosa os exetensos douros campa,
perolando líquidas calhas tal qual eu lágrimo derramas,
e friando de tirito embora a abraza almada,
venho suspirar meus lanços janelo de teus debaixos.
     - dom José Manuel Marroquín

Família blogueira

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22 9 2003 0 00 00

 

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Em 1997, quando eu comecei a fazer sites pessoais pra mim, maravilhado com a possibilidade que o Instituto de Computação da Unicamp dava a seus alunos de colocarem páginas em seu espaço no servidor, fazer sites era bem mais complicado do que hoje. Minha primeira página, tosquinha, foi feita com o Frontpage que tinha no laboratório, mas, quando resolvi aprender a fazer aquilo de verdade, descobri páginas que explicavam o que era HTML e li tudo que podia. Passei anos fazendo minhas páginas no Notepad, com muito orgulho, até que dois anos depois consegui um emprego na Tropeço e passei a usar o Dreamweaver, para acompanhar o ritmo do resto do site.

Naqueles tempos ancestrais, fazer textos falando da sua vida (os chamados journals) requeria estudo (já que tinha que se aprender a fazer páginas) e um pouco de espírito pioneiro, já que quase ninguém fazia aquilo, principalmente no Brasil. E um pouco de reflexão sobre o conteúdo, já que a idéia era atrair milhões de leitores falando apenas do que você comeu no café da manhã. Com o advento do blog aquilo que eu fazia me sentindo super inovador virou carne de vaca. Não só qualquer mané tem seu cantinho na net (milhares deles usando uma mesma template…), como nem se pensa mais no que se coloca - o conteúdo é todo descartável, e os blogs chupinham imagens uns dos outros sem pudor ou remorso.

Bem, not surprisingly, há algum tempo o Anselmo começou o blog dele. E, tendo um irmão que é um profissional do ramo, ele usou suas táticas fraternais (ou seja, basicamente ficou no meu pé algumas semanas, tocando no assunto sempre que me via) para que eu fizesse um lay-out para o blog dele. "Aquela template que eu estou usando é muito verde, parece do Palmeiras", disse meu corintianíssimo irmão. Bem, num sábado em que eu estava particularmente benevolente, eu sentei na frente do computador e disse: "Tá bom. Você tem alguma idéia do que você quer?".

"Não", me responde ele.

Tanto esforço foi despendido pra me convencer a fazê-lo que não sobrou sinapses para Litoubrou pensar no que queria. Começou um longo processo que consumiu dois dias inteiros, em que a seguinte cena se repetia incessantemente:

"Anselmo, esse(a) [cor / título / figura / caixa / etc] está bom?", digo eu.

"Hmmmm, não, não gostei", responde ele.

"Do que exatamente você não gostou?", retruco eu.

"Ah, de tudo", retorque ele.

"Como você quer, então??", indago.

"Não sei, Marcio, você que entende disso!!", fala ele, com a maior cara lavada.

De qualquer maneira, depois de setecentas versões diferentes, eu fiz o lay-out dele, que pode ser visto aqui.

Um pouco de um mês depois, eu descubro que minha prima Aline armou um blog pra Ana Paula. Quem diria, minha irmãzinha, tão novinha, já fazendo algo que seu irmão mais velho precisou entrar na faculdade pra começar a fazer. Como alguém que trabalha numa revista infantil e não resiste à vontade de que sua irmãzinha tenha o blog mais lindo de todos, não pensei duas vezes: peguei algumas noites aqui e fiz um lay-out para o blog dela também. Foi muito mais divertido e fácil fazê-lo para ela, porque, afinal, ela não estava do meu lado opinando e acha tudo que eu faço lindo. E o resultado ficou lindo mesmo, você pode conferir.

Isso tudo levanta a questão de quando eu vou criar vergonha na cara e fazer um lay-out novo para o meu site, o que tem que ser respondido com a constatação de que meu site é muito mais complexo de se alterar que um blog, e fazê-lo requer fotos novas, navegação novas e alterar 400 páginas, o que demora um tanto. Até conseguir fazê-lo, eu posso praticar meus skills de webdesigner nos blogs da primaiada toda, que sem dúvida vai começar a fazer suas encomendas também. Só espero conseguir renovar o meu site antes que a Ana Paula, adolescente, ache seu blog de menininha demais e comece a usar as táticas do Anselmo para que eu refaça o blog dela - com ela opinando…

Pé de atleta

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14 9 2003 0 00 00

 

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Uma das minhas maiores alegrias quando eu consegui o emprego na Recesso (além de sair das estatísticas do desemprego e poder passar o crachá para pagar o meu almoço) foi a possibilidade de fazer academia dentro do prédio da editora. Ao contrário do que muitos pensam quando ouvem isso, não, a academia não é um benefício grátis - é até bem carinha, principalmente quando se compara com a mixaria que meu irmão paga de academia em Campinas. Mas ela é dentro do trabalho, o que facilita muito as coisas, e tem piscina, me permitindo então realizar meu velho plano de voltar a fazer natação.

Bem, uma semana depois de admitido, assustei a mocinha da academia perguntando quanto que custava fazer natação todo dia. Ela, acostumada a atender pessoas que querem nadar duas ou no máximo três vezes por semana, teve que parar e fazer as contas. Como o preço não era tão acima do plano sem piscina, aceitei pagar o preço salgadinho, porque afinal esse é o sabor do cloro.

Qual não foi a minha decepção então quando a mina fala que eu tinha que fazer um exame médico para entrar na piscina, mas que teria que fazê-lo fora porque a academia não dispunha mais de um médico coitado para olhar entre os dedinhos dos pés dos nadadores. A avaliação física eles faziam lá, mas a cardiovascular "obrigatória" eles - adivinhou - também mandaram fazer fora.

O problema disso é que é um grandessíssimo pé no saco ter que caçar um médico particular para fazer um atestado ridícro desses. Inda mais no meu caso, em que envolveria esperar a carteirinha do plano médico do trabalho chegar, localizar um médico, pegar condução, ir lá e voltar, num processo que não sai por menos de quatro horas. Como meu irmão ainda não pode assinar atestados, resolvi o problema indo pedi-lo ao Guilherme, pelo menos aproveitando para botar a conversa em dia.

Pois bem, comecei a nadar antes do almoço, feliz e contente, quase morrendo nos primeiros dias, mas melhorando a performance e fazendo cada vez mais piscinas de uma vez só conforme o tempo passava. Mesmo não nadando cinco vezes por semana, como planejava, ter pagado para fazê-lo garante que eu esteja lá se sunga, touquinha e óculos pelo menos três vezes por semana. Porque, quando se faz aula de terça e quinta, por exemplo, se você tem um compromisso inadiável na hora do almoço numa terça e tem que faltar na natação, a chance de quinta-feira bater uma preguiça e você pensar "Não, semana que vem eu faço direitinho" é enorme. Já nadando todo dia, se você não pode ir na terça, você já foi na segunda, quarta não tem desculpa para não ir, quinta você vai porque, afinal, por que não, se você já foi na segunda e quarta, e daí sexta você também vai pra fechar a semana bem. Muito melhor.

As consequências disso são que eu vou almoçar todo dia com o cabelo molhado, e passo o resto do dia com um odor residual de cloro que não há banho depois da piscina que consiga remover. Mas o pior de tudo não é isso.

Há umas duas semanas meu pé começou a incomodar muito durante uma das minhas tardes de trabalho que se estendem até a noite. Depois de horas levemente supliciosas, cheguei em casa, tirei o sapato e a meia, e descobri que meu pé estava descascando mais fácil que uma mexerica. E o cheiro era horripilante. Passei a ficar sem meia sempre que possível, o que aliviou o problema um pouco.

Meu irmão (que ainda não pode dar receitas) viu meus pezinhos durante o fim-de-semana e aferiu que aquilo se tratava de fungos, e que eu devia passar a enxugar os pés muito bem antes de colocar meias. E que provavelmente tinha adquirido esses novos companheirinhos na piscina. O que é de se esperar, já que, ao abdicar de um médico que faça o exame médico, a academia devia estar aceitando um monte de atestados feitos por telefone. Danilo também me recomendou uma pomada para os pés que daria jeito no problema por hora.

Pois bem, agora meu kit vestiário (sabonete, xampu e toalha) foi acrescido de um tubo de Tênis-Pé Baruel, que promete deixar meus pés lindos e cheirosos com uma sensação refrescante. Cada vez que eu o uso eu fico com vontade de sair cantando "Com Tênis-Pé Barué-el, eu não me escondo mais não! Baruéééééélllll…".

Mas a natação está dando resultados, já me sinto mais saudável, estou ficando mais fortinho, e a professora já me perguntou se eu não quero ir pra uma represa mês que vem fazer uma travessia de 1 km com o povo da academia, o que, segundo ela, eu faria com o pé nas costas (e eu não duvido, já que faço em média 1600 metros por aula). Empolgado, há três semanas passei a frequentar também a aula de abdominais, nas quais a professora faz a gente fazer mais de 1000 repetições em meia hora, muitas vezes com um peso de 5kg atrás da cabeça. Eu estou querendo morrer, mas junto toda minha força de vontade e continuo indo. Quem sabe daqui a uns dois meses eu estarei fazendo esse suplício com mais facilidade também?