
Patos. São fofinhos, amarelinhos ou branquinhos, saem por aí vestidos de marinheiro, sem calças. Totalmente inofensivos. Se você ainda acredita nisso, precisa ouvir "The March of the Sinister Ducks". Baixe o MP3 e ouça. Para seu próprio bem.
Visitei ontem pela primeira vez meus colegas de Curso da Harmonia 698. A Rê, a Barbara e o Manuka me apresentaram os fabulosos sapinhos de geladeira e a Nossa Senhora Aparecida que brilham no escuro da cozinha deles. Depois pasmamos todos com a ascensão meteórica da Laura da novela, que um dia é secretária, no outro é produtora do show da Rita Lee. Engatamos no BBB4 em seguida. A Solange surtou no programa, dizendo "Podem votar em mim, eu tô sambando pra vocês, ó"; em seguida, não querendo comer os dois últimos Bis da caixa, que a Rê insistia que ela comesse, a Barbara os rejeitou também com um "Tô sambando pros seus Bis, ó!". Na hora da despedida, aprendi a melhor musiquinha pagodeira de todas: "Essa é a dança do objeto inanimado / Pra você dançar, é só ficar parado / Imita enceradeira… / Imita geladeira… / Imita batedeira…". Noite memorável, e, espero, apenas a primeira de várias.
Citação do dia dos Cadernos de Lanzarote, para todos meus colegas blogueiros e afins:
"Por muito que se diga, um diário não é um confessionário, um diário não passa de um modo incipiente de fazer ficção. Talvez pudesse mesmo chegar a ser um romance se a função da sua única personagem não fosse a de encobrir a pessoa do autor, servir-lhe de disfarce, de parapeito."
Mais uma dos Cadernos:
Expressivos até à fronteira do inefável, os rostos são o que mais facilmente mostramos e o que mais frequentemente ocultamos. Os rostos só são verdadeiramente autênticos quando desprevenidos: o medo, a cólera, um impulso que não pôde vigiar-se, exprimem a verdade total de um rosto. Em situações não extremas, o rosto é quase sempre, e só, um certo rosto referido a uma certa situação. É por isso que ele é capaz de revestir-se tão facilmente de expressões úteis, simulando um sentimento que não experimenta, uma emoção quando o pulso se mantém firme e o coração sossegado, um interesse quando está indiferente. Ou o contrário.
O BBB4 está num ritmo acelerado que me deixa com medo de como as coisas estarão daqui a dois meses. Não só porque o pessoal já tá se esfaqueando pelas costas e saindo no tapa, depois de meros cinco dias de convivência. Fui almoçar com o povo do Curso Abril agora, e já virou assunto de mesa, sobre uma que é falsa, a outra que foi pra lá com o pai recém falecido… Tenho a impressão que nos outros a coisa demorava mais pra engrenar.
O Danilo me liga ontem para dizer que, depois de um ano de busca infrutífera, ele encontrou, por acaso, as fitas em que tinha gravado a última temporada de Star Trek:Voyager quando estava nos States. Tinham ficado na casa da vó Maria, em Araraquara City, entre as fitas do tio Émerson. Graças a esse milagre, agora vou poder me divertir por mais uns meses e saber como a história acaba!
Chupinhado do blog do Peter David:
"Before Captain Hook was maimed by the croc, was he called Captain Hand?"
Depois de dois dias de balada intensa, domingão caseiro (ou apezeiro, para ser mais exato). Dia inteiro na frente do computador, preparando um visu novo para o Rabisco e instalando o lay-out que eu fiz para o blog da Cynthia, o Pimentinhas. Como se eu já não passasse tempo o suficiente na frente do computador…
"Aqui pode-se fazer de tudo, só não pode fazer sexo no banheiro; os únicos dois que tentaram não conseguiram frila nenhum, que a gente saiba, em revista nenhuma!"
Essa declaração bombástica foi lançada hoje pelo Manuka, que conseguiu assim superar todas as anteriores em questão de sensacionalismo e surpresa.
Já faz um ano que eu participei do Curso que a Editora dá para jovens talentos todos os anos. Foi um sonho realizado, um objetivo cumprido, um mês intensíssimo em que todos os dias eram planejados das nove da manhã às onze da noite, pelo menos. Ocasião em que conheci gente genial do país todo, pessoal talentosíssimo e criativo. Como o próprio Manuka disse, expressando seu pasmado há pouco menos de um ano, "É impressionante, todo mundo trabalha muito bem aqui, você pode largar o serviço na mão de qualquer um e ir pra casa sossegado que vai sair algo ótimo dali".
Graças ao Curso eu consegui confiança para procurar frilas na Editora; foi o começo do caminho que me levaria eventualmente a trabalhar na Recesso, feliz, até hoje.
Como já é tradição, os veteranos do ano imediatamente anterior que ainda estão na Editora vêm falar com os calouros no primeiro dia de Curso. Já vinha pensando nisso quase desde o dia que o meu Curso acabou, mas principalmente desde que a Marília chamou todos os remanescentes para uma conversa sobre o Curso que viria.
Assim, acordei mais cedo que de costume hoje, para não correr risco de chegar no serviço atrasado e perder minha deixa. Comecei a adiantar vários serviços pendentes, na prática matando tempo até chegar a hora de ir ao auditório com meus colegas. A Cynthia veio me pegar no meu andar para descermos juntos; pouco depois de chegarmos, o resto do povo chegou, e subimos o palquinho em frente à platéia curiosa.
Tonhão foi o primeiro a falar. Depois de uma explicação de quem era, o que fazia agora e o que fez no Curso, convidou todos os presentes à festa que está organizando de boas-vindas, num lugar chamado The Garage Rock Bar. Ou seja, na garagem da casa dele, com um codinome chique e genérico para que ninguém se intimide de ir numa festa na casa do Tonhão - não que os calouros soubessem disso.
Eu falei em seguida, e dei os conselhos que gostaria que tivessem me dado há um ano: preparem um portfólio decente e lindo, e não disperdicem seus vale-refeição comendo sopa. A refeição completa custa quase oito reais, enquanto a sopa custa dois; no entanto, se quiser tomar uma sopa na janta, tem que se gastar o vale do mesmo jeito. Considerando-se que ele continua valendo depois do fim do Curso, ele pode ser a salvação do frila apertado de grana que precisa almoçar na Editora até receber seu primeiro pagamento.
Todos os outros deram as dicas que vinham do fundo do peito, num clima cada vez mais descontraído. Experiências da vida de frila, do decorrer do curso… Tudo com muito humor, de forma que, mais que divertir a platéia, quem realmente se divertia éramos nós. E foi me dando uma saudade daquele povo com que convivi tanto por um mês, e que, mesmo nunca tendo desaparecido completamente, não participou mais tanto da minha vida desde então. Saudade boa, e que ainda tem solução.
E então Manuka fez essa revelação bombástica, e totalmente desconhecida por mim. Pelo que averiguei depois, um casal de alunos do curso começou a se animar na festa de encerramento, e, à uma da manhã, subiu de elevador até um andar que consideravam deserto e entrou no banheiro com as piores das intenções. Mas não foram muito longe; num prédio totalmente coberto de câmeras e seguranças, logo foram interrompidos por dois vigias noturnos, que fizeram manter o decoro e a moral no recinto.
De uma coisa eu tenho certeza: o colóquio que minha turma deu esse ano para os recém-chegados foi muuuuuito mais interessante do que a que nós acompanhamos, ano passado, de nossos veteranos.
Mas a geografia humana é uma só, um vale de lágrimas com um arco-íris por cima. A diferença está em que chove umas vezes para um lado, outras vezes para o outro.
- José Saramago
Estou lendo os Cadernos de Lanzarote (de onde vem essa citação). Não consigo deixar de me lembrar de quando fui em sua palestra quando A Caverna foi lançado, que vi-o pessoalmente, que ele me assinou um exemplar, e que não me lembro de nada do que ele disse em seu colóquio. Fico imaginando o que escreveria ele em seu diário sobre esse dia em que falou aqui em Sampa. Espero ainda ter a oportunidade de vê-lo falar de novo, e daí, dessa vez, tomar notas…