
E, para a alegria deste que escreve, sim, o Orkut se provou útil.
Essa história não é minha, mas é tão boa que eu preciso registrar. Davi Furlan foi para a Índia há pouco mais de um mês e meio (de onde foi muito bacana de me mandar um cartão postal), e voltou há umas duas semanas. Foi fazer peregrinações, encontrar seu guru e buscar seu caminho espiritual. Voltou muito sensível da terra do rio Ganges. Tanto que, no vôo de volta, começou a chorar, aos prantos, ao assistir uma refilmagem indiana de E.T., na hora que o menininho doente diz que é melhor o E.T. voltar pro espaço. Eu entendo. Namastê.
Sobre aquele evento do peito da Janet Jackson, extraído do Peter David, um raciocínio que ainda não me havia ocorrido:
And every time you see articles about censorship lately, they all keep referring to Janet Jackson’s breast as being some sort of (pardon the expression) flashpoint. This fixation on a exposed mammary gland, an object possessed by roughly half the people in this country, displayed for two seconds in the midst of a three hour program featuring violent men in tight pants, sexy cheerleaders, and commercials with such family friendly aspects as amusing flatulence.
(…) Anyway, I find myself wondering…how much of this stems from her being Black?
(…) Lawsy lawsy, a Black woman is overtly displaying her sexuality. Where does she get off? Black women can have equality, sure…but only on our terms, and when we’re ready to give it to them (such as when the predominantly white voting body of the Academy Awards bestows an Oscar on Halle Berry.) But if they’re aggressive about it, or get in people’s faces about it, then it’s time to call out the defenders of decency and beat them back into submission before it’s too late. Make damned sure Janet Jackson doesn’t show up on the Grammys (although Justin Timberlake, whose inability to grip the correct section of the costume was very likely responsible for the incident, it’s okay for him to be there. The white guy can show his face; the Black woman has to hide.)
You think I’m wildly off base about this? Think there’s not the slightest kernel of truth? Consider this, and give yourself a very honest answer… If it had been Snoop Doggy Dog ripping the blouse off Christina Aguillera, do you think the skew of the subsequent coverage would have been on a white woman’s breast? Or would it have been on a helpless white woman being sexually assaulted by a Black man?
Tirando o fato de que aquilo deve ter sido planejado (afinal, ela tinha uma estrela colada no peito), eu acho que faz sentido. That’s the way things work over there…
Meu computador em Sampa quebrou ontem à noite num estalo de luz. O monitor e acessórios continuam funcionando, mas a CPU não liga. Problema: os textos de verdade do Chão vão demorar mais ainda para aparecerem, agora que estão aprisionados num computador em coma.
Depois de ver A Paixão de Cristo, pensamento inquietante: quantos pobres-coitados, antes e depois, devem ter sofrido aquilo tudo ou pior, por terem afirmado serem o Messias, e, por não o serem (ou não convencerem o mundo que o eram), foram esquecidos e perderam-se entre sofrimentos tantos outros, sem um evangelho apócrifo que fosse para manter sua presença no mundo viva?
Já me acostumando com os horários de trabalho um tanto alternativos da Recesso, acordei nove e pouco, tomei café, me vesti para trabalhar, calcei o All Star e rumei para o metrô.
Eu: "Que estranho, parece que tem algo dentro do pé direito do tênis. Antes ele apertava um pouco o dedinho, mas isso já passou…"
Allzul: Já vai começar a reclamar?
Eu: Dá licença que os pensamentos são meus?
Allzul: Desculpe, mas você fica aí refletindo alto demais, já tô ficando de saco cheio.
Eu: Os incomodados que se mudem.
Allzul: Você me amarrou nesse seus pés cheios de dedos, eu não tenho muita opção.
Eu: Rá rá, se ferrou.
Allzul: Espero que a van não demore muito hoje, assim você chega logo no trabalho e pára de ficar pensando na vida. Trouxe os discos?
Eu: Trouxe. Au, mas tem algo apertando meu dedão mesmo. Desde quando você ficou ranzinza assim?
Allzul: Eu não sou ranzinza, eu estou ranzinza. Eu sou um tênis musical, meu negócio é sair pra dançar, procurar um All Star preto de cano alto que combine comigo, não ficar pisando as mesmas lamúrias de sempre na ida e na volta do trabalho.
Eu: Será possível que eu não tenho sequer intimidade pra pensar o que eu quero no caminho do metrô?
Allzul: Oh, please. Daqui a pouco já vai começar… "Ninguém me ama, ninguém me quer, buuuuuu, o que eu faço…" Dá vontade de me enforcar com meus cadarços.
Eu: Uau, a capa da Contigo! ficou bacana. Au, meu dedão. Ah, sei lá, é tão difícil achar alguém que valha a pena, é toda uma confluência de atração física, afinidade intelectual, admiração por seus talentos e um carinho que vem meio de lugar nenhum… Achar mais alguém assim vai ser tão difícil…
Allzul: "Ah, e se eu tivesse mais cabelo, ah, e se eu tivesse dez centímetros a mais, ah, se eu não fosse uma toupeira que coloca o tênis pra secar no forno…". Corta isso aí. Tesoura no pensamento. Ficar se lamuriando não adianta nada. Cê sabe muito bem que quando menos se espera, isso tudo surge do nada, é só ter paciência, quando você menos esperar pode ser surpreendido.
Eu: Será…? Não sei. Au, cê tá me incomodando muito mesmo. Putz, que mico, tirar o tênis na fila da ponte orca. Mas não vou andar até o serviço com o dedão doendo assim. Dá licença. Que que é essa coisa preta aqui dentro?
Enfiei a mão lá dentro do tênis, e tirei, assustado, um besourão preto, cascudo e enorme, que, com o susto, joguei no chão. O besouro estalou no chão, esticou as patas e saiu andando pra longe de mim. Assustador, principalmente porque não sei como ele foi parar lá.
Allzul: Não te disse?
Dando (muito tardiamente) seguimento aos mal-entendidos levemente obscenos: cheguei no trabalho, abri a internê, e, na página da UOL, vi a chamada “Seios independentes reinam em tempos caóticos”. “Como assim?”, pensei eu. “Será o domínio das vítimas de câncer nos seios? Será o triunfo das tetas de sexshop? Quem mais será que tem seios independentes além da Elvira, A Rainha das Trevas?…”. Daí uma sinapse fez contato com outra, e revelou-se que, na verdade, essa notinha bizarra se referia ao mercado fonográfico: Selos independentes reinam em tempos caóticos. Quanta diferença faz uma letrinha…
Quando estava frilando na Jota, a chefe de arte me mostrou o AstroAbby, cujas previsões incrivelmente sempre parecem ter a ver com o que está acontecendo com você no momento. Desde então, eu sempre passo lá nas horas de desespero, insegurança ou puro ócio mesmo. Essa semana a previsão deles pro meu signo acertou tão na mosca que me assustou:
You can’t seem to completely release the past (including a prior lover or two). Maybe a relationship ended badly or you never expressed your thoughts - or maybe you’re in a different frame of mind now and somehow feel obligated to set the record straight. Maybe you simply need to unburden your conscience of past mistakes. Whatever. Just remember to put more emphasis on the present than the past.
Fácil falar, difícil fazer…
Dar presentes é algo um tanto difícil; principalmente se você gosta da pessoa, e quer acertar. Em geral acho que eu acerto no presente, mas já tive experiências trágicas que me deixaram com medo para o resto da vida de dar um presente de novo para a pessoa em questão.
A tática que eu uso, em geral, é ir num shopping ou similar, bastante grande, e com o perfil de gasto equivalente à quantia que eu quero despender. Tenho que ir com tempo e descansado, porque o processo é simplesmente começar a bater perna em todas as lojas, com a mente aberta e olho vivo, até que o presente pula na sua frente e você sabe que só pode ser aquele.
É raro o presente vir até você, mas acontece.
Mãinha resolveu aproveitar que o tio Émerson queria estrear a piscina que ele construiu no terço que lhe coube da Chacrinha, e combinou com a tia Nilva de fazer o aniversário da Ana Paula junto com o do tio Eraldo. Ter uma irmã doze anos mais nova é um barato, mas dói um pouco no bolso, porque temos uma diferença de idade grande o suficiente para que ela espere ganhar algo do irmãozão. Já estava começando a afiar o All Star, quando a Andréia me mostrou uma boneca transadíssima que uma colega dela fazia. A boneca tinha calça e miniblusa estampadas, colar, pulseira, brinco, piercing no umbigo, bolsa, e era fofa sem ser infantilóide. Depois de vê-la, não tive muito como escapar.
Liguei alguns dias depois para a moça, e encomendei meu presente: uma boneca com o máximo de cara de Ana Paula possível. Tinha que ter cabelo cacheado, óculos e faixa no cabelo. Fiquei de mandar um e-mail com uma foto da Ana Paula, mas complicações no soletrar do endereço não deixaram a foto chegar a tempo.
Mas também não foi necessário. A moça me ligou perguntando se eu queria um piercing no umbigo da boneca (achei melhor não, para que não me culpem se no futuro maninha fizer um), e se minha irmã tem franja (tive que dizer que não, nem nunca teve). A boneca chegou via Andréia alguns dias depois, simplesmente fenomenal. Super moderninha, com os detalhes que eu tinha pedido (note-se que a boneca tem óculos, apesar de não ter nariz nem orelhas…), relógio no pulso, sandália nos pés… Genial.
Mesmo assim, fiquei com um medo da boneca não fazer sucesso com Lirousis. Medo que se provou infundado. Ela gamou no presente no momento em que o viu. Tanto que não queria largar mais dele. Ela a levou para a festa na Chacrinha, e Mãinha teve que proibi-la de ficar com a boneca debaixo do braço, pra não sujar. No fim da tarde, depois de um dia de correria e piscina, Lirousis desabou de cansaço, e daí tive a visão mais recompensadora de todas: ela estirada no colchão, puxando o ronco, abraçada na boneca que eu tinha dado. Nem com Mastercard.
De volta para Camps, a boneca foi parar em cima da cama cor-de-rosa do quarto cor-de-rosa da Ana Paula. Alguns dias depois, ela a levou para a escola, para mostrar pras amigas. Dia seguinte, a boneca foi junto para a aula de sapateado, onde perdeu os óculos. Mãinha ortodontista, no entanto, sendo especialista em dobrar ferrinho, mais que rapidamente providenciou outro par de óculos para a boneca, que continua sua missão de entreter minha irmã até o dia em que a Capricho tomar seu lugar.