
Previsão sentimental para esta semana, vinda de um dos melhores horóscopos do mundo, o Bridgett Walther:
Are you still bearing the brunt of others’ mistakes or lack of responsibility? Are you having any fun at all? Most of your victories seem to come from career-related activities now. Your private life appears to be a lesson in perseverance. In other words, all good things allegedly come to those who wait. And wait. And wait. Sound about right?
Yes, it does.
Abri os olhos pela manhã e o pensamento emergiu imediatamente: vou comprar um cravo vermelho para dar de presente.
Faria um mês que a gente se conheceu, afinal. E quem sabe o cravo lhe faria mudar de idéia.
Na viagem de ônibus, os passageiros barulhentos não me deixavam dormir, mas tudo bem, porque uma flor bem colocada no fim da noite compensaria pela raiva mal-contida.
O dinheiro estava contado, mas dava pra comprar o cravo. Na saída do metrô, aviso de uma mensagem de voz. Faltava crédito, faltava cartão, corri até uma banca próxima e comprei 50 créditos para falar no orelhão. Coloquei o cartão no telefone e me dei conta que, em minha estupidez, deixei todo dinheiro que me restava na banca e não sobrou nenhum pra floricultura.
A mensagem não era de quem eu queria que fosse (por bem ou por mal). Andei muitos quarteirões até o banco mais próximo, tirei dinheiro, andei mais até uma floricultura ainda aberta.
Tem cravo? Não. Nenhum? Não. E quanto é essa outra flor aqui? Seis reais o maço, sem ser pra presente. Mas eu só quero uma! Não é pra presente? Não, é pro gesto mesmo. Não dá pra vender só uma não. E que flor é essa outra aqui? É crisântemo. E vende uma só? Vende. Não, mas é meio fúnebre, eu quero cravo vermelho. Tem crisântemo amarelo também. Onde tem outra floricultura aqui perto? Ah, perto não tem, só lá em cima no metrô mesmo. Obrigado.
Não dava pra sair procurando, tomei um ônibus de volta pro metrô. Várias bancas de flores, que ficam abertas 24 horas. Agora sim vou achar meu cravo vermelho.
Tem cravo? Xi, rapaz, já acabou tudo.
Não é possível, o universo está conspirando contra mim.
Tem cravo? Tem não senhor, só amanhã.
Amanhã não pode ser, tem que ter um hoje!
Tem cravo? Hmmmmmm, não, quem sabe lá no box quinze.
Tem cravo? Tem esse branco, esse amarelinho, e esse meio roxo. E cravo vermelho, não tem? Tem não, chefia. Vai ter que servir esse branco mesmo, quanto é? Dois reais. Tá qui, valeu!
Mais um ônibus, de volta pro ponto de onde eu tinha partido, mas tudo bem, porque agora eu tenho um cravo na mão e nada pode dar errado, meu cravo é meu escudo contra a desilusão. Não tem como dar errado, o mundo é feliz, os sentimentos simples, e tudo acontece como devia ser, eu consegui meu cravo.
Mais um orelhão, depois de tentar vários. Nenhum mais funciona como devia, deve ser o excesso de selinhos com o número das acompanhantes.
Tô aqui na rua, vem me encontrar na esquina? Belê, vamos na padaria no quarteirão de cima? Tudo bem, estou te esperando.
Toma, pra você. Ah, obrigado. Hoje faz um mês que a gente se conheceu.
Conversa mole, conversa séria. Não consegui afastar o fim do que mal tinha começado. O cravo sumiu, e de nada adiantou.
Quem sabe se tivesse sido um cravo vermelho.
A Kika defendeu seu trabalho de mestrado, e o pai dela resolveu fazer uma reuniãozinha em casa para comemorar. Tudo bem que esqueceram de me convidar, mas meu pai me contou do que haveria, e eu resolvi provar meu amor à Kika e ir imediatamente para Camps, a fim de pegar metade da festa.
Como sempre que junta os ex-haréms, a conversa rolou solta para os recantos mais improváveis, e boa demais pra não registrar aqui. E isso é apenas o pouco que consegui anotar no meu caderninho mental.
Descobrimos por que não existem mulheres-bomba. A promessa que fazem pros caras se matarem pelo Islã é que eles vão prum céu onde haverá 300 virgens à disposição do pedófilo safado. Já a mesma promessa para uma mulher… Imagine a pobre suicida, chegando no paraíso, e encontrando centenas de garotos com a cara cheia de espinha e com a mão cheia de cabelo, todos disputando para ser o primeiro para perder o cabaço com a coitada. É o mais próximo da visão do inferno para a maioria das mulheres.
Tive que contar o caso que li na sexta. Um cara foi pego tentando fazer tráfico de drogas. Ele tinha engolido CINQUENTA E UMA camisinhas cheias de heroína. A polícia levou ele prum hospital, onde deram laxantes pro indivíduo, que conseguiu "se livrar" de quarenta e quatro. Como o exame de sangue dele estava acusando um nível alto de entorpecentes, os médicos, com medo de que alguma das camisinhas tivesse se rompido, resolveram não arriscar e operaram o cara para retirar as que faltavam. O belo agora está processando o hospital em cinco milhões de dólares, dizendo que não deu permissão para realizarem a operação que provavelmente salvou a vida dele.
Danilo então lembrou do caso de uma mulher na Índia, que há seis meses estava tossindo sangue, com febre. Os médicos suspeitavam de tuberculose, mas o remédio não fazia efeito e ela continuava tossindo sangue. Fizeram um raio-x dela, e viam uma mancha no alto do pulmão direito. Realizaram uma videobroncoscopia (ou seja, enfiaram uma camerazinha de fibra optica pela goela da mulher) e acharam um preservativo. A dona tinha aspirado uma camisinha, estava com ela no pulmão, vivia quase normalmente, e não se lembrava do evento nem ligava isso à tosse dela. Está registrado, podem ver.
O Kil tentou convencer alguém de que não era nerd. Mas daí se deu conta do quanto ele jogou RPG, leu ficção científica, assistiu Matrix e O Senhor dos Anéis, e resolveu admitir o vício num mea culpa comovido. Mas não conseguiu superar o Anand, que sabe - na ordem - os subtítulos de todos os trocentos filmes de Jornada nas Estrelas.
E olha que a gente nem começou a falar sobre mamilos, como já aconteceu
Notícia freakazóide do ano:“Governo da Austrália aprova troca de sexo para criança de 13 anos”. E eu que achava que o Transmetropolitan estava tão distante.
Como bem apontou a Julia ontem, estou viciando na Vida Simples. Desde que eles resolveram fazer capas bonitas, monocromáticas, sintéticas e unissex, eu não resisto mais. Felizmente consigo meus exemplares por meio de escambo. Na matéria sobre sexo, desse mês, eles fazem um paralelo entre sexo bom e os dançarinos “que, de tanto ensaiar, desenvolvem memória muscular até o dia em que simplesmente dançam sem pensar”. Muito verdadeiro. Pena que pouca gente tem paciência para desenvolver a prática.
Agora o ritual de passagem para a vida adulta se completou de vez: fiz minha primeira declaração de imposto de renda. Descobri que esse ano ainda sou isento, mas tinha o imposto retido na fonte, então posso receber tudo de volta. E que o tudo que tenho pra receber de restituição ainda é menos do que eu teria direito a ter restituído se tivesse pagado mais imposto. Contas, contas, contas.
Exercício de ficção depois de ler Ensaio sobre a lucidez: governo de nação quer provocar evento que justifique guerra contra outro país. Provoca atentado chocante e televisionado. No entanto, rapidamente organização terrorista alheia assume culpa pelo evento. Sem saber bem o que fazer, governo ignora e ataca país-objetivo de qualquer maneira. E só se embanana mais a cada passo, a partir daí.