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Posts arquivados em Abril 2004

Colisão

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13 4 2004 0 00 00

 

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Vencer a preguiça e ir para a aula de natação, ou tomar banho em casa e deixar de nadar? A aula de fotografia que já tinha matado no dia anterior. A conta do banco, que se torna um buraco cada vez maior. A faxineira que não chegava logo. As banhas que vão começar a acumular se eu não deixar de matar a natação como hoje. O corte de cabelo que ficou curto demais e me deixou com a cabeça enorme.

Desci para o térreo, a caminho do trabalho, saí do prédio, virei para a esquerda. Primeiro eu vi o aglomerado de gente; depois, o ônibus que tinha batido num poste, a poucos metros de onde eu estava.

Os bombeiros já estavam lá prestando socorro; o ônibus estava vazio, e as pessoas cercavam a fita de isolamento, como sempre. Um pouco para tentar descobrir como passar por aquilo, e também por curiosidade mórbida, tenho que admitir, me aproximei do povo todo para ver o acidente. Me arrependi na hora. Debaixo do ônibus, com metade do corpo pra fora, deitada numa poça de sangue, tinha uma moça, inerte, já meio pálida. “Ela estava esperando o sinal abrir para atravessar a rua, quando a roda do ônibus soltou”, disse alguém em volta. O bombeiro devia estar tentando fazer alguma coisa para salvá-la, apertava sua barriga com a ponta dos dedos, a textura da pele já não era muito boa.

Me afastei da cena o mais rápido que pude. Não tinha como passar em torno daquilo tudo, não tinha como atravessar na faixa de pedestres, fui desviando dos carros que passavam até chegar na outra calçada, torcendo pra não me tornar a próxima vítima. As minhas preocupações anteriores todas se tornaram pequenas demais, num instante. Fiquei pensando que se tivesse descido um pouco antes, podia ter sido eu. Como minha mãe disse, “tudo que pode ser resolvido só com dinheiro não é problema”. O trânsito daquele lado da rua estava todo parado, os motoristas buzinavam mil vezes, e eu querendo gritar pra eles “Vão se foder! Vai demorar mas vocês vão chegar em casa, lá na frente tem alguém que não vai mais pra lugar nenhum!”.

Se eu tivesse resolvido ser médico, como meu irmão, eu teria que ir lá perto pra tentar prestar socorro. Como que ele consegue? Naquela aula dele que eu fui, em que abriram um cão pra ver ele respirando, já fiquei péssimo. Se aproximar daquilo, e ainda por cima de repente mexer na moça. É uma capacidade que eu não tenho.

E você ainda quer andar de moto? Os motoboys todos ousavam cortar pela faixa da contra-mão, pra burlar o trânsito. Que que cê tem na cabeça? Pode usar um capacete, vai ter juízo, mas vai que alguma coisa acontece? E se você fica que nem o tio Benê? Já pensou se acontece alguma desgraça e eu sou o próximo a morrer e…

- Você vai ser mesmo o próximo a morrer!, esbravejou alguém do meu lado. Olhei para trás, assustado, entrando na estação do metrô, imaginando se alguém estava lendo os meus pensamentos. Um cara de meia idade levantava a bengala, ameaçadoramente, em minha direção.

- Se você atravessar na minha frente de novo, você vai ser o próximo a morrer! - continuava ele, enquanto eu tentava ignorar. - Eu te mato! Corta a minha frente pra você ver! Satanás! Morra!

Eu desci a escada rolante, fingindo que não era comigo.

13/04/2004 - 13h08
Ônibus invade calçada e atropela ao menos sete pessoas em SP
da Folha Online

Um ônibus desgovernado invadiu a calçada e atropelou ao menos sete pessoas que estavam na rua Heitor Penteado, perto da rua Oscar Caravelas, região de Pinheiros, zona oeste de São Paulo.

Os bombeiros afirmam que quatro dos feridos foram encaminhados à Santa Casa e os outros três para o pronto-socorro da Lapa. Uma pessoa morreu, mas ainda não há confirmação se seria uma oitava vítima ou se é uma das pessoas socorridas.

De acordo com a SPTrans (empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade), o ônibus envolvido no acidente fazia a linha 7725/10 Rio Pequeno-metrô Vila Madalena, da empresa Oaktree. A faixa esquerda da Heitor Penteado foi interditada no sentido bairro, prejudicando o trânsito.

O acidente aconteceu por volta das 11h15. As causas ainda são desconhecidas.

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12 4 2004 0 00 00

 

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Lendo a W.I.T.C.H. que eu trago pra Ana Paula todos os meses, trombei com esse depoimento numa matéria sobre como contar para o menino que você gosta dele:

“Escrevi uma carta e entreguei pra ele. Ele nem deu bola. Rasgou a carta e jogou no lixo! O duro é que eu gostava dele há cinco anos! Nunca mais me declaro!”
Juliana Bueno, 11 anos

A mina tem ONZE ANOS! E estava a fim dele há CINCO! Passou quase metade da vida a fim do garoto! Não sei se eu rio ou se choro.

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8 4 2004 0 00 00

 

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Déia: Amanhã meu cachorrinho novo vai lá pra casa!
Eu: Que raça é?
Déia: Poodle.
Eu: Já escolheu o nome?
Déia: Ainda não, se alguém tiver alguma sugestão…
Mô: Como se chama a sua outra cachorrinha?
Déia: Gabi.
Mô: Ah, então chama ele de Giane, daí eles ficam com nome de casal!
Eu: Além disso, você vai poder falar que o Giane fica esperando você chegar em casa todas as noites, e que ele fica tão feliz ao te ver que ele te lambe toda!

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8 4 2004 0 00 00

 

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Rô: Nossa, que cheiro gostoso tá aqui no hall.
Mô: É verdade, bom mesmo, que perfume será?
Déia: Não deve ser perfume não, acho que é incenso.
Pri: Ou um aromatizador, essência…
Eu: Que mané incenso, que mané perfume o quê! Isso é desinfetante, Pinho Sol Floral, comprei um desse essa semana lá pra casa!

Acabando com a poesia das situações…

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7 4 2004 0 00 00

 

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Essa semana a companhia responsável pelo refeitório da Editora resolveu dar um upgrade na qualidade do serviço. O que basicamente significa que as mesmas saladas de sempre agora vêm em bandejas maiores e mais bonitas, e que todos os funcionários têm que usar avental e um lenço preto na cabeça, dando a impressão de que o restaurante foi invadido por piratas. Mas quem já comeu no bandejão da USP não reclama.

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4 4 2004 0 00 00

 

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Eu sei que atrás desse universo de aparências, das diferenças todas, a esperança é preservada. Nas xícaras sujas de ontem o café de cada manhã é servido. Mas existe uma palavra que eu não suporto ouvir, e dela não me conformo. Eu acredito em tudo, mas eu quero você agora. Eu te amo pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado, pelas tuas cicatrizes, pelas tuas loucuras todas. Minha vida, eu amo as tuas mãos, mesmo que por causa delas eu não saiba o que fazer das minhas. Amo teu jogo triste. As tuas roupas sujas é aqui em casa que eu lavo. Eu amo a tua alegria. Mesmo fora de si, eu te amo pela tua essência - até pelo que você podia ter sido, se a maré das circunstâncias não tivesse te banhado nas águas do equívoco. Eu te amo nas horas infernais, e na vida sem tempo, quando sozinha eu bordo mais uma toalha de fim de semana. Eu te amo pelas crianças e pelas futuras rugas. Te amo pelas tuas ilusões perdidas e pelos teus sonhos inúteis. Amo o teu sistema de vida e morte. Eu te amo pelo que se repete e que nunca é igual. Eu te amo pelas tuas entradas, saídas e bandeiras. Eu te amo desde os teus pés até o que te escapa. Eu te amo de alma para alma, e mais que as palavras, ainda que seja através delas que eu me defendo, quando digo que te amo mais que o silêncio dos momentos difíceis, quando o próprio amor vacila.

A Maria Bethania declama isso no disco do último show dela, mas não tem os créditos de quem escreveu… Se alguém souber, me avise.

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1 4 2004 0 00 00

 

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Ares [14:49]:
Meu, tive uma conversa com o M. na terça, achei tão lindo. Não sei se publico.
Lois [14:49]:
que tipo de conversa?
Ares [14:50]:
Eu fui lá no apartamento da Harmonia, estava só ele. Daí a gente começou a conversar enquanto assistia TV, falamos do meu curso de fotografia, de trabalho, de revistas, ele disse que tinha encontrado a K….
Lois [14:50]:
que legal… ah, publica. o q tem de mais?
Ares [14:51]:
Daí eu perguntei “E a S., como está?”. E ele começou a dizer que ela estava fazendo estágio numa escola lá no sul, se divertindo à beça com as crianças, e que ele sentia falta dela, da presença dela, do corpo dela, do beijo dela, e que ele se sentia um adolescente quando eles conversavam no telefone… ele mal conteve o choro, deu pra sentir a voz travando. Eles se amam muito, é lindo ver, triste que eles estejam a três estados de distância.
Ares [14:53]:
E é isso que eu não sei se publico. Porque é fenomenal, mas é algo da vida dele, não da minha, né?
Lois [14:53]:
ah, o que que tem. se vc não citar nomes…
Ares [14:55]:
Sabe casal que você vê os dois juntos e sente que juntos eles são mais que apenas a soma das partes? É ele junto com a S..

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1 4 2004 0 00 00

 

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Moicano colocou lentes de contato, e elas já renderam seus primeiros frutos: em seu primeiro banho com visão além do alcance, flagrou a vizinha do prédio da frente tomando banho. Investimento com retorno imediato.

Papo picante

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1 4 2004 0 00 00

 

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Lois [14:54]: eno seu texto ainda… putz, ficaria bárbaro. vc tem um texto ótimo

Ares [14:55]: Brigadim. :-)

Lois [14:55]: (brigadim nada, dérreal)

Ares [14:56]: (Hmmmm. Num tem dérreal, mas a rapidinha é cinco. Faço três pelo preço de duas)

Lois [14:57]: (e com prazer é mais caro? aceita passe?)

Ares [14:59]: (Como assim, com prazer é mais caro? Eu tenho uma reputação a zelar, o prazer já vem no pacote! Aceito passe, mas se for passar cheque tem que dar o RG e o cartão do banco)

Lois [15:01]: (Nossa, e como eu não conhecia esse serviço? É meio como butique de madame? Eu tava pensando em pagar com passe espiritual mesmo - assim você tinha uma dose extra de energia. No caso de você aceitar passe escolar, precisa da carteirinha da UNE?)

Ares [15:05]: (Passe espiritual a gente não aceita, nóis só se preocupa coas carne. Também aceitemo passe escolar, mas se a minina for dimenor, a gente não se responsabiliza pela honra dela.)

Lois [15:08]: (sensacionaaaaaaaaaaaaal. cincorreál. negócio fechado. mas tem de ser três seguidas. dois minutos de intervalo só pra uma água - e sem cigarro)

Ares [15:10]: (Certado então, madame. Vai baixando as calcinha aí que eu já tô subindo.)

Lois [15:11]: (olha, você já demorando demais da conta. acho que vou regatear)

Ares [15:13]: (Peraí que eu tô atendendo a ôtra dama aqui)

Lois [15:16]: (Esse mercado tem demanda alta, hein? Já surgiram outras crientis procê aqui no RH da firma. Tem cada dama desesperada…)

Ares [15:17]: (É a reputação que nos precede. Mais num se preocupa, lavô tá novo)

Lois [15:25]: (Imagem é tudo e, com certeza, lavô tá novo. Mas… quando a demanda aumenta muito e a estrutura não está pronta pra atender, o serviço deixa a desejar. Sabe como é, né?)

Ares [15:27]: (Como que a dona sabe, experiência pópria?)

Lois [15:29]: (Opa, eu sou uma dama quilometrada. Não parece, mas domino o assunto)

Ares [15:30]: (A dona já tá dando eco?)

Lois [15:32]: (olha, eu sou uma dona de respeito. veja lá como fala comigo, seu moço)

Ares [15:34]: ("Eu vou tirar suas carçola!" "Çola… ola… ola… la… a…")

Lois [15:35]: (o seu moço fica infiltrado na firma e desencaminha moça de família qui nem ieu)

Ares [15:38]: (ô, minha flor de formosura, desencaminhá vossemecê é uma sortona)

Lois [15:41]: (seu moço, seu moço. donzela de alma qui nem ieu num podi ouvi essas coisa. a genti si iludi.)

Lois [15:50]: essa conversa me fez dar umas boas gargalhadas

Ares [15:51]: Que bom, a intenção era essa!

Lois [15:51]: eu tava precisando rir desse jeito mesmo. até engasguei

Ares [15:55]: Uau!

Lois [15:59]: uau é? e pra eu explicar do quê eu estou rindo? hahaha

Esse papo rolou paralelamente a outra conversa, superséria, com a Lois no ICQ. Desenvolvemos nossa esquizofrenia nessa tarde. E, antes que perguntem, sim, também trabalhamos enquanto escrevemos esse tipo de abobrinha.