
Desenvolvi várias artimanhas pra conseguir montar as edições do Rabisco praticamente sem sequer ler os textos. Então qual não foi a minha surpresa ao, nessa edição, descobrir, graças a um texto, não só descobrir um site de banda muito bacana mesmo, como também com um som muito legal: o Muse. Passa lá!
Comentários familiares depois de assistir a Diários de Motocicleta:
Marcio!: Mas o legal mesmo é mostrarem o Alberto Granado hoje, vivo, no fim do filme! Será que foi ele quem inventou o pó Granado, para os pés?
Danilo: Ô, assim como o Tenispé Baruel foi inventado pelo doutor Victor Von Baruel.
Marcio!: E o Leite de Rosas? É feito por várias gestantes chamadas Rosa?
Mãinha: Ai, melhor ouvir isso que ser surdo, né?
Ler os livros do Terry Pratchett é sempre divertido. Tem alguns que são meio fraquinhos, mas mesmo assim valem como passatempo. Já tem outros que são muito engraçados mesmo, o tempo todo. Ele tem sacadas muito boas. Tipo:
The Carter parents were a quiet and respctable Lancre family who got into a bit of a mix-up when it came to naming their children. First, they had four daughters, who were christened Hope, Chastity, Prudence, and Charity, because naming girls after virtues is an ancient and unremarkable tradition. Then their first son was born and out of some misplaced idea about how this naming business was done he was called Anger Carter, followed later by Jealousy Carter, Bestiality Carter and Covetousness Carter. Life being what it is, Hope turned out to be a depressive, Chastity was enjoying life as a lady of negotiable affecton in Ankh-Morpork, Prudence had thirteen children, and Charity expected to get a dollar’s change out of seventy-five pence - whereas the boys had grown into amiable, well-tempered men, and Bestiality Carter was, for example, very kind to animals.
Primeira vez que a Cynthia me disse que talvez o FHC viesse der uma palestra foi há uns três meses; eu na hora disse que Mãinha daria um dedo pra ver seu ídolo ao vivo. Conforme as coisas foram ficando mais certas, eu pedi pra Cynthia mexer os pauzinhos e ver se conseguia colocar eu e Mãinha dentro da palestra, o que, com sua competência e lábia, ela conseguiu.
Mãinha não falava de outra coisa na semanas que precederam o evento. Vim com ela de Campinas pra Sampa na segunda de manhã, torcendo para que todos nossos planos de clandestinidade dessem certo. A palestra era, em teoria, apenas para os jornalistas da Editora; os resto da fauna da empresa teria que assistir fora do auditório, num telão.
Chegamos e fomos direto para o auditório, onde descobri que estávamos tão clandestinos que ninguém sabia de nada de nossos planos e perigava a gente ter que assistir no telão mesmo. Corri até a Cynthia, que correu até a Wania, e assim, enquanto eu aprontava a tela de Powerpoint que ficaria atrás do ilustre palestrante, as cordinhas foram puxadas e conseguimos, os três, lugares no fundo do auditório.
Para meu pasmado, Mãinha e Cynthia fizeram uma conexão tão imediata que, entre uma corrida minha pra ver como estava o telão e outra as duas já estavam tricotando felizes da vida sobre o Chico Buarque, como o PT era uma desgraça e como o FHC era tudo de bom. E eu tinha que ouvir as acusações cheias de desgosto das duas de que eu tinha votado no Lula.
Bem ou mal, quem primeiro viu o ex-presidente entrando fui eu; é sempre engraçado como ao vivo as pessoas são diferentes, mas iguaizinhas ao que a gente vê na televisão. Você descobre que elas são de verdade mesmo.
Seguiu-se então uma hora de palestra e perguntas dos presentes. Mãinha e Cynthia mal continham a euforia. A cada citação que FHC fazia de um filósofo ou sociólogo, Cynthia tinha um orgasmo. Ao fim do evento, estavam as duas em estado de graça. Agora vinha a parte em que minha mãe é especialista: tirar foto junto com as pessoas. Com determinação ela começou a ir no contrafluxo das pessoas que saíam do auditório, com máquina em punho, pra conseguir um retrato ao lado de seu querido ex-presidente. Infelizmente o organizador do evento raptou o palestrante antes que qualquer um pudesse chegar com a intenção de tirar uma foto; quando vimos, ele já tinha ido, sem posar ao lado de um fã sequer.
Descemos eu, Cynthia, Wania e Mãinha para almoçar, as três revoltadas de não terem conseguido uma foto ao lado de Fernandão, as três inebriadas com o que tinham ouvido na palestra. Me senti uma vítima no meio de uma revoada de tucanas serelepes. Nunca foi o FHC tão enaltecido e o Lula tão desprezado como nesse almoço.
Na hora de ir embora, eu e Mãinha reparamos num carrão preto estacionado na entrada da Editora. "Será que é o carro do presidente?", disse ela. "Acho que sim", disse eu, "tá cheio de segurança em volta…". Deixei ela no carro, peguei minha mochila, e fui trabalhar.
Vinte minutos depois, quando eu já imaginava que Mãinha estava entrando na Bandeirantes, meu telefone toca, perguntando se minha mãe podia subir. Em alguns minutos, chega ela, feliz da vida, equilibrando uma lagriminha no canto do olho. Só disse uma frase: "Eu consegui!", e, mostrando a digital, me mostra uma foto dela toda sorridente ao lado do Efeagá. Ela ficou na entrada do prédio, à espreita, esperando, até que a vítima caiu em sua emboscada e ela se aproximou pedindo pra tirar uma foto com ele. A pessoa mais próxima se ofereceu para bater a foto para ela - a qual acontecia de ser o presidente da Editora!
Depois dessa façanha, Mãinha conseguiu seu certificado de tiete profissional. Chico Buarque que se prepare.