
Notícia que acabou de dar no Jornal Nacional:
Tropas americanas tentam manter a paz no Iraque. Tropas brasileiras participam de uma missão de paz no Haiti. O novo presidente do Haiti acha que ajudaria a paz a Seleção Brasileira ir jogar no Haiti. O presidente da CBF concorda, e pretende fazer um jogo da Seleção pela paz, em que armas serão trocadas por ingressos. Ronaldinho Fenômeno também acha a idéia boa, já que o evento pode diminuir as lutas. A luta do Feômeno no momento é manter a forma física e perder peso. Para conseguir isso ele tem a ajuda da tri-atleta, modelo e namorada Daniela Cicarelli. Ronaldinho, aliás, já tatuou as iniciais dos dois no pulso.
Isso para provar que qualquer assunto pode levar à fofoca do momento. Duvido que o Haiti apareceria no noticiário não fosse a Cicarelli.
“Assim, acho uma pena que eu não saiba árabe. Dizem que há mais de 50 palavras só para descrever o tom da areia no deserto. Sutilezas, como os esquimós têm mais de 50 palavras para falar ‘branco’, e os índios mais de 50 palavras para dizerem ‘verde’.
Temos mais de 50 palavras para falarmos: ‘caralho’, ‘buceta’, ‘quanto custa’, ‘eu te odeio’ e ‘some!’, e uma gíria-coringa, ‘MasterCard’, para tudo o que não tem preço.”
- Zé, Selfoscritos
Culinária de um solteiro no domingo à noite:
“Hmmm, já são dez da noite, hora de fazer janta. Melhor não fazer a lasanha, que vai demorar muito até ficar pronta. Que bom que eu comprei esse macarrão de saquinho que fica pronto em seis minutos. Instruções… Ferver 500 ml de água. Ué, que que é essa rodela branca no fundo da panela? Ah, deixa pra lá, o que não mata engorda. Uma colher de manteiga. Será que tem margarina? Oba, que sorte, ainda tem na geladeira. Xi, a margarina venceu semana passada. Que bom que ela não desintegra quando fica vencida. Se não tem tu, vai tu mesmo.”
No sábado passado eu dei falta do meu celular. Procurei em Campinas, nada. Segunda, procurei no apê, e nada. Na terça, pedi pra faxineira procurar, e nada. Na quarta que ele foi me fazer falta, porque não tinha nada que me servisse de despertador, e precisava de alguns telefones que estavam em sua memória. Quinta eu fui ouvir minha caixa postal e, para meu desgosto, ninguém tinha ligado pra mim nos últimos cinco dias. Na sexta, já estava me conformando que devia tê-lo perdido mesmo, ou alguém roubou.
Hoje, lavando roupa, fui estender a terceira carga de roupa do dia quando, ao pendurar uma calça jeans, o pobrezinho do celula cai no chão. Sim, ele tinha sido lavado com as roupas escuras. Para minha sorte, apesar de ter sofrido o efeito das partículas de limpeza azul do Omo, ter sido amaciado com Comfort e centrifugado, ele aparentemente ainda funciona. Pelo menos está recarregando e ligou. O celzinho é heróico.
“Tabu bom é dos que fazem a gente rir pra dentro, reprimido mas vitorioso de ter pensado. Tabu é imaginar Jesus pelado, o Papa dando o cu, a Madre Teresa de dominatrix, a Ana Paula Arósio mutilando a cara com gilete, o cara que manda cortar a própria medula para ele ficar paralítico, etc.”
“Para tudo há uma palavra, ainda que estrangeira.”
“Jamais converse com seu coleguinha se ele não tiver umbigo.”
“Escrevo que é pra não repetir, pra não tentar repetir, pra não precisar repetir uma coisa que, óbvio, agora duas vezes esquecida. Quanto mais se conta, mais se esquece. Pouca gente já chegou a 1000.
Uma vez contei até 1979. Depois perdi a conta.”
“O limite faz a força, a união fazia o açúcar.”
- Zé, Selfoscritos
Cynthia uma vez me deu uma definição super adequada da Editora: "A Editora não passa de uma pequena cidade do interior vertical". E ela está certa.
Depois de alguns meses trabalhando lá, você pode ter certeza que já viu em corredores, saguões, elevadores e refeitórios praticamente todo mundo do prédio, e todo mundo já te viu alguma vez. Obviamente, você tromba mais com as pessoas que têm uma rotina mais semelhante à sua. Por outro lado, volta e meia você se surpreende descobrindo alguém que trabalha no seu andar a séculos e você ainda não tinha visto.
Por ser uma editora, acontece o fenômeno curioso da segregação entre Igreja e Estado. As pessoas sérias do marketing, financeiro e whatnot não costumam conviver muito com as pessoas das redações, a não ser nas transações inevitáveis entre uma e outra.
Isso se reflete principalmente na hora do almoço. Do meio-dia até uma e meia, mais ou menos, o refeitório fica repleto de pessoas de camisa social, terno, tailleur, salto alto - aqueles que têm profissões "sérias" almoçam em horário comercial, com o resto do mundo, já que também costumam chegar mais cedo. Entre quinze pras duas até as três e pouco, aproximadamente, os repórteres, designers e adendos descem pra filar a bóia. Daí você vê toda uma fauna de cortes de cabelo moderninhos (pintados ou não), piercings, botas, tatuagens, óculos de aro grosso, umbigos de fora e cuecas aparecendo porque a calça é baggy. Alguém de um grupo não se sente superconfortável almoçando no horário do outro - isso já foi constatado ouvindo conversas de pobres marketeiras que tiveram que almoçar mais tarde, e não conseguiram conter os comentários de espanto no elevador de volta para seu andar.
Descobri outro dia que todo mundo faz o que eu faço: começa a reparar em algumas pessoas específicas por alguma razão. No começo do ano, por exemplo, eu apelidei um carinha de Wally. Isso aconteceu porque eu comecei que, não importava a hora ou aonde eu estava indo, toda vez que eu descia para o térreo por alguma razão eu cruzava com ele. Depois de várias coincidências, eu comecei a procurá-lo na paisagem (daí o codenome), e, em geral, o encontrava.
Outra em que nós da Recesso começamos a reparar é uma mulher de quase cinquenta anos, provavelmente, toda estilosa e moderna. Toda vez que a gente ia tomar sopa na janta, aparecia ela. De tão estilosa, a gente considerava que ela devia trabalhar em alguma revista de moda ou algo assim, e a apelidamos de Constanza, em homenagem à Pascolato (existiam semelhanças). Para nossa decepção, porém, depois de algum tempo descobrimos que ela na verdade é revisora, e mais, frilava no nosso andar mesmo.
Semana passada, estou eu voltando para a redação, tarde da noite por causa do fechamento, quando passo pela Constanza e levo um susto. Tive que me segurar para não correr. Fui até a Cris e a Pri, que estavam sentadas na frente dos macintoshes, e disse "Gente, vocês não acreditam! A Constanza pintou o cabelo de laranja!! Deixou de ser Constanza!! Olha ali!!".
Nesse momento, como se fosse um filme, os três levantaram para ver a redação no fim do andar e "discretamente" observar a mudança na Constanza. E, claro, como num filme, ela estava olhando pra gente naquele exato momento. Continuando o padrão comédia B, a gente sentou na hora, morrendo de vergonha, e depois caímos na risada. Ela não deve ter entendido. Ou talvez, pior, deve ter entendido tudo.
Obviamente isso deve acontecer do outro lado também. Se alguém souber de algum apelido meu que as pessoas usam para se referir a mim a distância, por favor não me conte.
Fui na cabine de Shrek 2 ontem. O filme é muito bom mesmo, mas a parte mais bacana mesmo é a música que os Counting Crows fizeram para o filme, “Accidentally in Love”. Mais uma canção para minha coleção de músicas felizes sobre o amor. Tratem de assistir ao Shrek 2, nem que seja só para ouvir essa música, ela toca bem no comecinho.
“O Brasil tem mais farmácias do que livrarias. Somos mais doentes do que informados. E a informação que nos chega é doente.”
- Zé, Selfoscritos
Quando se faz um álbum, olha-se todas as fotos disponíveis, se dá destaque para as melhores, corta-se fora a parte feia das boas para que fiquem ótimas, e se joga fora as feias para nunca mais se olhar para elas. Aprendi isso com Mãinha. É uma filosofia que serve pra vida também.