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Posts arquivados em Novembro 2004

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17 11 2004 0 00 00

 

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PREFEITURA AFASTA PROFESSORA QUE DEIXOU MENINO HORAS ATRÁS DE PORTA

A Secretaria Municipal de Educação de Nova Odessa (126 km de SP) afastou a professora acusada de deixar um menino de sete anos de castigo, por mais de quatro horas, atrás da porta da sala de aula. O garoto foi esquecido no local até ser encontrado pela mãe, com o término das aulas. (…)

O estudante, da escola municipal de educação fundamental Saline Abdo, na periferia do municíípio, foi punido, na última sexta-feira, porque esqueceu de devolver um livro emprestado da biblioteca.

O menino foi punido ao voltar do recreio, às 15h, quando a professora recolheu os livros que haviam sido pegos pelos alunos na semana anterior. O garoto foi colocado de castigo.

A mãe do menino percebeu que ele não chegava em casa e passou a procurá-lo. Uma vizinha afirmou que o estudante não havia saído da escola com os outros colegas. O menino foi encontrado às 19h20.

Segundo a mãe do estudante, ele costuma ficar de castigo em casa e só sai quando mandam. Ela registrou o caso na polícia.

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16 11 2004 0 00 00

 

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Outra da Ana Paula. Está o Anselmo assistindo um amistoso da Seleção em alguma dessas capitais andinas que ficam a quilômetros de altura, e um jogador aparece usando uma máscara de oxigênio. Ana Paula pergunta:

- Por que ele está usando a máscara?

Eu respondo, didático:

- É por causa da altura, quanto mais alto mais rarefeito fica o ar, com menos oxigênio, se você não está acostumado precisa de uma ajuda.

Ela faz cara de quem entendeu e completa:

- Hmmmm, e ele é muito alto?

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16 11 2004 0 00 00

 

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Estou eu em Campinas, na área de serviço, procurando o jornal de domingo. Encontro apenas o de sexta, que a Ana Paula tinha usado pra segurar a sujeira que ela tinha feito triturando a pedra do Dinomania. Pergunto eu a ela:

- Ana Paula, você viu o jornal de ontem?

- Eu não, só vi esse aqui.

Procurando em todos os cantos, passo pela cozinha e abro a porta da geladeira pra olhar dentro. Me dou conta do que estou fazendo, e comento com ela:

- Olha só que bobo eu estou, procurando o jornal dentro da geladeira.

E ela responde, num momento de inspiração:

- Deve ser porque ele só tem notícias frias!

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15 11 2004 0 00 00

 

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Como podem ver, as mudanças já estão em andamento. Aguardem mais um pouco e tudo voltará ao normal.

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10 11 2004 0 00 00

 

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Liliane Prata foi minha colega de Curso e uma das pessoas mais interessantes que conheci lá. Mais de um ano e meio depois, já publicou dois livros, e seu blog agora tem chamada na capa da UOL e tudo mais, chique bala. Vendo os resultados de seu concurso para a piada mais sem graça, lembrei da mais clássica de todas: “O menino foi pra pastelaria e disse ‘Quero dois pastéis de queijo!’, e o cara do balcão respondeu ‘Só tem de carne!’”. Deixo aqui a confissão de que, na minha infância inocente, na primeira vez que eu ouvi essa piada eu ri dela, até me explicarem que era uma piada sem graça feita para pegar bobocas que riem de qualquer coisa quando dizem que vão contar uma piada. Hoje já sou boboca em outras coisas.

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10 11 2004 0 00 00

 

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De volta no Brasil há uma semana, e não consegui ainda parar para selecionar fotos, passar os textos de Santiago pras entradas, bonitinho, e contar da última semana de peregrinação. Fui trabalhar já no dia seguinte, com direito aos serões de sempre (e que, de alguma maneira estranha, até deixavam saudades), depois visitar a vó em Araraquara no findi, trabalhar mais ainda… Enfim, aguardem relatos ilustrados de Santiago em breve.

Epílogo: Barcelona - Madri - São Paulo

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3 11 2004 0 00 00

 

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Minha cabine no trem pra Barcelona, visto do alto do meu leito quase rente ao teto.
O corredorzinho que levava às cabines.
O Mar Mediterrâneo, e, quem diria, sol!

Os três dias que passei com a Déia e com o Luís em Barcelona foram maravilhosos, perfeitos para o peregrino descansar de suas férias. A Déia é uma amiga minha da faculdade, que, depois de se formar, se casou com o Luiz, e foram os dois fazer pós-graduação em Barcelona. Estiveram se virando nesses meses todos até começarem as aulas trabalhando em lojas de souvenires, dançando e fazendo caipirinha pra gringos, avaliando imóveis e dando aulas de português. Moraram com montes de gentes em alguns apartamentos, e apenas recentemente conseguiram um apê em que podem morar apenas os dois.

Cheguei em Barcelona por volta do meio-dia, numa manhã de sol que contrastava muito com a chuva eterna que vinha encarando até então. O clima estava bem mais quente, dava até pra estender a roupa no varal, que maravilha. Liguei pra Déia e pro Luiz, que me explicaram como chegar no metrô perto da casa deles, e em menos de meia hora nos reencontrávamos depois de meses de distância.

A baleia de ferro na praia de Barcelona.

Os dois foram ótimos e me levaram para todos os cantos de Barcelona, aproveitando o feriado do dia 1 de novembro. Jogamos frisbee na praia artificial e visitamos o bairro gótico no primeiro dia, no dia seguinte visitamos a catedral da Santíssima Trindade e as casas feitas pelo Gaudí, e, no último dia, fomos eu e Déia até o Parque Güel, depois de andar um pouco pelo centro assuntando faculdades. O tempo entre passeios era gasto com conversas deliciosas e refeições saborosas preparadas pelo Luiz na microcozinha do apê deles. E lendo Persépolis, uma HQ escrita por uma iraniana, contando sua vida no Irã dos aiatolás e como foi parar na Europa.

Catedral de Nossa Senhora dos Navegantes.
Outra catedral de Barcelona.
Velas acesas com os pedidos dos fiéis. 3 euros cada..
Minhas confortáveis instalações na sala da Déia e do Luiz.
Eu, Déia e Luiz no metrô de Barcelona.

Além disso, pude tomar banhos realmente quentes, usar um banheiro limpinho (mas tinha que lembrar de virar o puxadorzinho da privada depois de puxar a desgarga) e lavar toda a minha roupa de uma vez, ficando alguns dias sem o uniforme de peregrino, fantasiado de Luiz.

Também foi na casa da Déia que eu finalmente me dei conta de que aquela coceira persistente e insistente e muitas vezes irritante, que vinha me acompanhando a quase uma semana, era porque eu estava infestado de carrapatos. A experiência de puxar um pontinho preto dos seus pelos e descobrir que ele tem perninhas é meio chocante para meninos asseados e urbanos como eu, que não costumam pegar essas coisas.

Catedral da Santíssima Trindade, do Gaudí, ainda em construção.
Eu e Déia, fantasiado de marido dela.
Eu e Luizinho Peres na noite de Barcelona.
Uma das casas com a fachada feita pelo Gaudi.
Eu e o lagarto na entrada do pargue Güel.
Close no lagarto.
Pilar em forma de lavadeira no parque.

No dia de ir embora, comecei a procurar minhas roupas brancas no varalzinho deles e não encontrava. Daí, depois de pensar um pouco e olhar algumas roupas que a Déia dizia que não eram do Luiz, me dei conta de que tinha colocado minhas roupas brancas pra lavar com as coloridas, e agora estavam todas cinza-escuro.

O ônibus pra Madri conseguiu a proeza de ser infinitamente mais desconfortável que qualquer assento de avião que eu tivesse tomado até então. O encosto mal se inclinava, e um calombo entre os dois assentos não permitia que se deitasse confortavelmente usando o lugar vazio ao lado do meu. Foram doze horas de viagem praticamente insones. No meio da noite fizeram uma parada num posto, onde comprei uma revista espanhola com a Cicarelli na capa. Cheguei em Madri e peguei o primeiro metrô do dia em direção ao aeroporto. Na livraria, fiquei com muita coceira de comprar o livro novo do Gabriel García Márquez, mas o dinheiro que eu tinha não dava, então comprei um pocket da Isabel Allende e uma Muy Interesante Júnior pra levar pro pessoal da Recreio.

A revista com a Cicarelli na capa, e o livro que estava lendo, El Paraiso en la otra esquina, do Mario Vargas LLosa.
Ex-peregrino insone no busão pra Madri.
Estação Aeropuerto, em Madri.

Indo embarcar, não me deixaram entrar no avião com o canivetinho-tesoura que tanto tinha me servido durante a viagem, mas deixei-o com o tio do raio-x sem dó. O vôo também foi mal dormido, mas muito mais confortável que o ônibus. Quando o telão não estava mostrando um filme, mostravam a localização atual do aeroplano e sua velocidade: 700 km por hora. O que eu tinha demorado 23 dias pra percorrer, ultrapassávamos em uma hora. Conforme fomos nos aproximamos de São Paulo foi me dando uma euforia imensa, uma saudade do meu país e da minha cidade, a convicção de que o mundo é enorme, mas o Brasil é muito mais legal que o resto do mundo. Quase que corri pela alfândega pra chegar no mundo de verdade de novo.

Ana Paula e Mãinha esperando por mim.
Eu com o pai no portão de saída.
O peregrino à casa torna.

Pai, Mãinha e Ana Paula foram me buscar no aeroporto. A alegria do reencontro foi quase desmedida, mas foi bom. Fomos pra Campinas, onde comemos uma pizza em família. No dia seguinte, de manhã, tomei o ônibus pra Sampa, pra já ir trabalhar. A vida real começava de novo.