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Posts arquivados em Janeiro 2005

Settling

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26 1 2005 0 00 00

 

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Bien, bien, bien, essa última semana.

Basicamente, passei a semana passada numa corrida contra o tempo, vendo anúncios de apartamentos com quarto pra alugar, entrando em contato com as pessoas, descobrindo onde os ditos eram, e indo vê-los. Muita coisa ruim e barata, outros bons mas caros, e equilibrar os fatores preço e muquifo não foi fácil. Finalmente, na quinta, encontrei dois lugares bacanas. O mais caro ficava numa casa meio distante, mas muito lindinha, com um quarto só pra mim, sala, DVD, máquina de lavar roupa, secadora, poucas pessoas aparentemente bacanas. A outra era dividir um quarto com mais dois colombianos, num apartamento onde moram mais cinco pessoas (em três quartos), a um minuto a pé da faculdade, TV, máquina de lavar roupa, um banheiro só pro nosso quarto.

Minha vontade real era pegar a casinha com quarto só pra mim, mas não tinha os meios financeiros ainda, tinha que pagar o primeiro mês de aluguel e um depósito do mesmo valor. Então peguei o quarto com os colombianos, o que na verdade não está sendo tão ruim assim. Eles são bastante gente boa, os horários do povo da casa não batem muito, então a gente não fica se trombando. O apartamento é num prédio moderno, o quarto é razoavelmente grande, e agora eu tenho como assistir a TV britânica, o que tem se provado um exercício bastante interessante.

Sexta eu fui tentar vender meus gibis americanos que eu tenho colecionado por tantos anos. Quando eu os avaliei por e-mail numa loja dos EUA, eles teriam rendido uma grana razoavelmente preta, mas a dificuldade em mandar os gibis pra lá, receber um cheque, descontar o dinheiro aqui, etc. e tal, acabou me desanimando, e pensei que seria mais fácil vendê-los aqui em Londres. Ledo engano. Fiquei andando de metrô carregando uma caixa pesada cheia de gibis, levando de uma loja pra outra, e ninguém as quis. Aparentemente porque são novos demais (têm “apenas” dez anos) e a maioria já saiu em edições encadernadas - os britânicos não são colecionadores doentes como os americanos. Desolado, voltei pro metrô, quase desistindo, mas resolvi tentar mais uma loja antes de voltar pro albergue onde ainda estava instalado.

Estava prestes a sair do trem, fui procurar minha carteira no bolso… e ela não estava lá. Desesperado, procurei em volta, e nada. Saí do trem, tirei tudo da mochila, da caixa, e nada. Peguei um trem no sentido inverso e voltei pra estação de onde tinha saído, procurei em todos os lugares onde tinha passado, perguntei pros seguranças, nem sinal da minha carteira. Nesse ponto pensei que seria muito mais simples sentar lá e ficar pedindo por “Any spare change, please, sir?” pro resto da vida, como os pedintes fazem aqui, mas recolhi os caquinhos da minha auto-estima e voltei pro albergue, desolado.

Por sorte, eu ainda tinha 20 libras na minha mala, as quais, com as outras cinco que me deram de volta do depósito que eu tinha deixado quando entrei no albergue, deu pra comprar mais um passe de metrô pra semana inteira, já que o que eu tinha (e que durava mais um dia) estava na carteira perdida. Carreguei a big mala que ainda estava comigo (tinha levado a outra pro apê dos colombianos no dia anterior) até minha nova residência, e passei o final de semana em estado de absoluta retenção de despesas, fazendo as poucas libras que eu ainda tinha durar o máximo possível.

Passei a maior parte do dia lendo os textos que já nos deram pra estudar no mestrado, e no domingo fui pra National Gallery, que é de graça, ver centenas de quadros, vários dos quais a gente já viu em livros de arte ou de história desde sempre, e se esquece que eles existem de verdade em algum lugar do mundo. Vi os girassóis de Van Gogh, por exemplo. Às três e meia tinha um tour guiado grátis, o tiozinho explicou quatro quadros pra gente, foi bem bacana.

Segunda fui na Jungle Drums, uma revista para brasileiros em Londres, cujo povo eu já tinha contactado na semana anterior. Um dos donos, o Juliano, tinha me prometido emprestar um dinheiro, o que realmente fez e me tirou do sufoco de ter que viver os próximos 30 dias com 3 libras. Além disso, maravilha das maravilhas, eles precisavam de alguém pra trabalhar na arte da revista, e me aceitaram lá! Iea! Agora, instalado e empregado (apesar de sem carteira), posso ficar muito mais feliz, tranquilo e contente.

No mais, a facul continua bem, agora as aulas de verdade vão começar, conversei ontem com o meu orientador, acho que vamos nos dar bem. Está fazendo um frio danado, mas não nevou, bem ou mal.

First days

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20 1 2005 0 00 00

 

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Bem, antes de mais nada, o acontecimento mais importante. Desde o dia que eu cheguei brotou uma espinha GIGANTE bem no meio do meu nariz, onde se apóiam os óculos escuros, destruindo a excelente boa-impressão que eu queria deixar aqui pros brits. Além de doer, fico eu sempre com a impressão de que estão olhando torto pra mim, apesar de que provavelmente não estão. Anyway.

Tive que interromper o outro post porque o professor chegou na sala, eu achei que seria melhor parar e prestar atenção no que ele estava falando.

Bem, onde parei… Então, o boxzinho do chuveiro fica num canto do quarto, mas a privada fica fora, tenho que passar duas portas pra chegar lá, minhas necessidades são todas programadas.

Tomei banho, peguei um beliche de cima (minhas experiências de albergue recomendam sempre pegar a parte de cima do beliche) e dormi montes. Depois acordei, fui começar a me localizar, descobrir como funcionam as coisas aqui, andei um pouco pelos arredores. Experiente de Santiago, fui conferir os utensílios da cozinha coletiva antes de comprar qualquer coisa, descobri que tem que pedir na cozinha do albergue as coisas emprestadas, achei um supermercado a quinze minutos de caminhada, comprei comidas e fiz minha primeira jantinha. Daí voltei pro quarto, e encontrei os outros dois americanos que estavam dividindo o quarto comigo aquela noite. Um deles tinha um guia turístico com todos os points of interest de Londres, com a estação de metrô correspondente, anotei tudo e pretendo visitar todos antes de sair do país.

Domingo eu acordei, e fui até Heathrow de volta resgatar a minha outra mala. Acabei tendo que pagar uma diéria a mais, porque cheguei depois das dez, mas não tinha nem como ter chegado antes,a bilheteria do metrô só abria às nove. Fiquei fortinho carregando a outra megamala até o albergue, tomei um fôlego, e resolvi não ficar mais preso no albergue. Comprei um travel card pra semana toda e fui me perder em Londres. Desci na estação Embankment e comecei a andar a esmo. Quando vi, estava em Trafalgar Square, que é muito linda. Continuei andando entre os prédios velhos todos, de repente cheguei em East End, onde todos os musicais estão, e fiquei passando vontade (depois descobri que os ingressos, além de caros, só são vendidos pra, tipo, outubro, então acho que vou passar vontade por um bom tempo ainda).

Caminhando e cantando, trombei com a National Portrait Gallery, com uma placa bem grande que avisava que era de graça. Não tive dúvidas, entrei lá e fiquei vendo retratos dos últimos 500 anos por umas cinco horas, deu pra acompanhar todas as famílias reais, no começo eu lia todos os textinhos, no final eu só procurava algo que me chamasse a atenção, vou ter que voltar lá depois, mas foi bom.

Saí do museu e já estava escuro (está anoitecendo por volta das cinco da tarde, aqui). Continuei andando e andando, encontrei a Catedral de São Paulo, que é bem bacana (ex-peregrinos não conseguem ver uma igreja velha aberta sem entrar), depois andei mais um pouco e cheguei no Tâmisa. Dizem que já foi muito poluído e o limparam, espero que consigam fazer o mesmo com o Tietê, porque o rio aqui é uma beleza.

Segunda-feira fui pra faculdade pela primeira vez. Cheguei às nove da manhã, e fiquei esperando porque não tinha nada funcionando ainda. Às dez a secretaria abriu, consegui fazer matrícula, descobri a sala onde terei minhas aulas, depois de procurar um pouco encontrei o professor responsável, e descobri que a secretaria tinha me mandado as datas erradas, e as aulas tinham começado na semana passada. Mas não tinha perdido nada importante, os alunos tinham passado a semana basicamente apresentando seus trabalhos e dizendo de onde vinham, ainda estavam fazendo isso, as a matter of fact, então não havia por que se preocupar.

A classe do Graphic Design MA tem sessenta alunos, que serão divididos em quatro turmas em breve. Tem gente do mundo todo, acho que pra falar a verdade tem só duas ou três pessoas da Inglaterra mesmo, de resto tem duas portuguesas, cinco gregos, uma outra brasileira, três chineses… me sinto na ONU.

A faculdade em si é linda, não tem pobreza em lugar nenhum, os computadores sobram, tem quatro imacs novinhos só pro povo do meu MA, mas tem mais centenas de computadores de uso comum espalhados no prédio. A biblioteca é gigante, e toda informatizada.

Bem, tenho que cuidar da vida, em breve informações sobre minhas buscas de emprego e casa!

In London

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17 1 2005 0 00 00

 

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Pois bem, depois de tanta expectativa, tanta correria, tanto tudo, aqui estou eu em Londres, vendo o céu sempre cinza e as novidades dessa cidade tão velha.

A partida foi sexta-feira. Mãinha chegou cedo no meu apê em Sampa, enquanto eu estava buscando e vendendo os meus vales-transporte da Abril que tinham acumulado desde que comecei a andar de bicicleta. Eu cheguei e ela já tinha começado a arrumar meu quarto, que, admito, estava de ponta-cabeça porque eu ia embora em poucos dias mesmo, então por que arrumar? Ficamos a manhã e o começo da tarde organizando o que faltava ser organizado, preparando o ambiente pra ser desmontado depois de minha partida.

Deixei uma caixa de livros pra Thais, ficaram outras três de livro e uma de CDs no quarto, e foi pra doação mais uma caixa cheia de roupas. Pra viagem, levei minha mochila escudeira, mais duas malonas cheias de roupas, livros e gibis, esses últimos pra vender.

Cynthia Miranda chegou no apê duas e pouco. Pai chegou às quatro, mais em cima da hora do que devia. Saímos de lá em cima da hora, para, quando chegasse no aeroporto, ainda fazer um transplante de malas, check-in e tudo mais. Nos apressamos, corremos, fomos de um terminal pra outro, mas não teve jeito: perdemos o avião. Felizmente, Nosso Senhor do Bonfim estava conosco, e conseguiram me colocar num vôo direto pra Londres que saía dali a meia hora. O que no fim das contas foi melhor do que o vôo cheio de escalas que eu ia pegar inicialmente.

A despedida foi corrida e meio descabelada. Mal deu tempo de abraçar Mãinha, Pai, Lermano, Litoubrou, Litousis, Natashy e Cynthia. Mas não sei se lamento isso tudo, porque não queria ficar me debulhando no aeroporto, e segundo Cynthia conta no Pimentinhas, ficaram ela e Mãinha se esvaindo em lágrimas depois que eu entrei no portão de embarque.

O vôo foi muito tranquilo, com comida muito boa, telinhas individuais pra ver filmes, e filmes ótimos; assisti a O Espanta-Tubarões, Eu, Robô (que é melhor que eu pensava) e Questão de Honra. Chegamos em Londres seis e pouco da manhã aqui, mas aparentemente estava com montes de tréfico e tivemos que ficar esperando pra pousar até sete e qualquer coisa.

Na imigração, fui atendido por uma mulçumana de lenço na cabeça, que não me causou problema nenhum e me deu um visto de estudante. Fui depois recuperar minhas malas, e saí pelo desembarque com sono mas pronto pra descobrir pra onde eu ia.

Deixei uma das mega-malas num guardador lá, e fui seguindo setinhas até o trem que liga os terminais do aeroporto de Heathrow. Fui pro terminal dois, e dali pro metrô. Seguiu-se então uma hora e meia de viagem, com uma baldeação sem escada rolante (carregar 32 quilos de mala é dureza) e uma troca de trens na mesma linha até chegar em Kensal Green, onde fica o albergue que eu tinha feito reserva. Mais escadas e uma andadinha depois, estava eu no balcão do Millenium Lodge fazendo check-in.

O lugar é meio caído, mas é barato e oferece café da manhã de graç. Fiquei num quarto no terceiro andar. Sim, você adivinhou, o elevador não funciona e eu tive que carregar a megamala escada acima. Nas escadas existe um grafite de um cantor para cada andar, então eu, com a mala nas costas, passei por figuras sorridentes da Bjork e do Bob Marley até chegar na Tina Turner, que fica no meu andar.

Tem três beliches no meu quarto. Como o quarto é só para homens, tem um chuveiro l´ num canto mesmo - mas a

(Quando escrevi o original disso no blogger, o professor entrou na sala na hora em que escrevia isso, então interrompi o texto nesse ponto. Fica assim mesmo por conta da autenticidade.)

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14 1 2005 0 00 00

 

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Depois de um ano e meio de vergonhoso esquecimento, finalmente atualizei meu portfolio on line. Ficou um chuchu, visite!

Festa de despedida

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12 1 2005 0 00 00

 

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Cynthia Miranda, recentemente, comprou um celular novo. Foi na loja e se encantou com um moderninho que dava a hora em vários pontos do mundo. Ficou tão seduzida por essa função que, só quando já estava assinando o boleto do cartão de crédito é que ela parou pra perguntar sobre todas as outras funções do celular novo, como falar, agenda eletrônica, envio de mensagens etc. Mas deu sorte e comprou um que faz todas as outras funções bem, além de dar a hora em 50 cidades do mundo todo.

Com a minha festa acabou sendo mais ou menos assim. Eu tinha resolvido que seria na Bunker Lounge, porque tinha ido lá uma vez e tinha gostado do lugar e dos drinques. Sabia que seria na quarta-feira dia 12, para que os abrilianos que tinham esticado a folga de fim de ano mais uma semana conseguissem ir sem drama. Então fechei o negócio com eles, sem sequer me perguntar que tipo de música tocaria na tal da quarta-feira. Só quando fui entregar a lista de convidados (setenta e tantos nomes) foi que me dei conta disso, e senti uma pontada de medo.

A festa começou cedo, na minha casa. Ships me ligou dizendo que tinha acabado a água na casa dela, em Osasco, e pediu pra tomar banho aqui no meu apê. Ela e Mari e Denis chegaram por volta das oito e meia, porque Denis ia trabalhar à noite e não poderia ir à festa. Fizemos um aquecimentozinho em casa, depois Denis foi trabalhar e eu fui com elas pra festa. Cheguei lá e só tinha a gente.

Mas depois de um tempo os convidados foram chegando; no entanto, por um bom tempo só havia no lugar convidados da minha festa. Foi bastante gente, e eu tirei fotos de chegada e de despedida com todos. Me senti muito querido, consegui dar conta de conversar com todos, o clima estava muito bom. Rê Steffen resolveu que só tiraria fotos de olhos fechados. Cynthia resistiu um tempo a tirar qualquer foto (ou mesmo a reconhecer minha presença na festa), mas depois acabou cedendo. Ocapa som que tocou foi black music do começo ao fim, já que aquela era a noite black. Razão pela qual a Bunker estava cheio de um pessoal fantasiado de clip de rap. Mas a gente conseguiu se divertir mesmo assim.

Foi muito bacana. Eu começava a ver as fotos que tinha tirado na noite e já ficava com lágrimas nos olhos, mas segurei as pontas. Saí de lá às três da manhã, para ainda ir com Edu Gomes até a Bella Paulista e ficar tagarelando sobre a vida com ele até as cinco e meia. Uma despedida excelente. Vou ficar com saudades de todos.

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6 1 2005 0 00 00

 

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While my eyes go looking for flying saucers in the sky

Pronto. Agora ninguém pode reclamar de falta de aviso.

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6 1 2005 0 00 00

 

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Manuka me escreveu hoje e me passou essas inspiradas palavras:

Abrace o chão, mas não se prenda nele!

Genial. Valeu, rapaz.

Pires

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4 1 2005 0 00 00

 

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Uma coisa eu aprendi com minha festa de aniversário: se quiser que muita gente vá, escolha um lugar com menos estigma, ou seja, não a faça na Trash 80s, que é muito legal e muito animado, mas tem muita gente que simplesmente não topa esse lance de música de criança. Como eu também já tinha sentido que a brincadeira já deu, resolvi fazer minha festa de despedida na Bunker Lounge, que descobri na festa de bota-dentro de Liv Soban. O lugar é bonito, tem drinks ótimos e som supimpa, acho que será uma ótima.

E, sendo eu quem sou, tinha que fazer um convite. A idéia eu já tinha desde o final do ano: usar o versinho de "London London", "While my eyes go looking for flying saucers in the sky", e fazer essa imagem ao pé da letra. As fotos, é claro, ficariam por conta da minha ídola e musa e fotógrafa oficial Dani Toviansky. Por causa da loucura de fim de ano, não conseguimos fazê-las antes do reveillon, mas, de volta ao trabalho, roubamos umas horinhas de expediente para prepará-las.

As fotos foram feitas na sala da Dani mesmo, que armou as luzes, me encostou na mesa dela, e começou a disparar. Eu fazendo caras de quem procurava algo no céu, olhando pra um lado e pro outro, enquanto Dani usava toda sua técnica de fazer celebridades se sentirem lindas para conseguir as fotos que queria. Depois peguei o barbante e um pratinho que emprestei do armário de produção da Recesso e, morrendo de medo que um escapasse do outro e eu voltasse com cacos amarelos para a redação, começamos a tirar as fotos do flying saucer.

De volta ao meu computador, Dani me passou as fotos pela rede, e eu comecei a montar o convite em si, usando as magias do Photoshop para transformar a divisória cinza em lindo céu azul, e me esforçando pra fazer caber toda a informação. Gostei muito do resultado, que você pode ver aqui, e aparentemente as pessoas também. As outras fotos do "ensaio" você pode ver abaixo.

Sete viagens

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3 1 2005 0 00 00

 

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Viagem 1: Depois de poucos dias de folga, gastos principalmente em casa e fazendo o site da SOL (que ainda há de ficar pronto), embarquei num Cometão de Sampa rumo a Araraquara no dia 23 de dezembro, para passar o Natal com a vó, tios, primos e etc. Ocasião sempre deliciosa, em que a gente se vê cercado pela primaiada já cada vez menos criança, volta a jogar videogame (e descobre que já perdeu toda a habilidade com os joguinhos), lê bastante, passeia um pouco, joga muito baralho e come até não poder mais. A ceia de Natal foi a alegria de sempre, com amigo secreto comovente, presentes sendo abertos euforicamente e muita cantoria. No dia seguinte, eu, Danilo e meu tio nos propusemos a assistir à versão extendida de O Retorno do Rei, experiência da qual mal saí vivo depois de cinco ou seis horas de filme. Mas vale a pena fazer isso uma vez na vida. Antes de ir embora, montei minha ex-cama de casal na casa nova do tio Emerson, esperando que ele faça dela ótimo proveito.

Viagem 2: Saí de carro com Danilo, Pai e Natashy rumo a Campinas, uma viagem de duas horas sem engarrafamentos nem atribulações. Ao chegar em casa, carreguei meu recém-ganhado MP3 player e deixei o especial do Ney Matogrosso gravando antes de partir novamente.

Viagem 3: Nessa mesma noite, outro Cometão de Campinas para o Rio de Janeiro. Dormi menos nessa viagem do que deveria, em grande parte por causa de Hija de la Fortuna, da Isabel Allende, que me retinha preso à história mesmo que eu estivesse com sono. Cheguei no Rio antes do que imaginava, liguei pro Vô Anselmo, que já estava de saída, e daí me pus a esperar por ele no calor africano da rodoviária do Rio. Sendo nós quem somos, demorou uma hora e meia até que a gente se encontrasse. Passei o resto do dia com o Vô, conversando sobre a vida, família, planos de viagem, foi muito bom. À noite ele me deixou na casa de Léo Favre, que me hospedou nos dias seguintes. Nesse dia mesmo começou a rotina de conversas noturnas longuíssimas com Léo, em que os dois se encostavam onde estivesse mais confortável e ficavam filosofando sem rumo certo. Nos dias seguintes andei de bicicleta por toda zona sul do Rio, descobrindo que é menor do que eu pensava e que a ordem das praias é Botafogo, Copacabana, Ipanema e Leblon. Conheci gente excelente, encontrei Cynthia de Miranda lá, andei à noite em Copa vendo os gringos fazerem turismo sexual, e, quando vi, já era dia 30, e o dever me chamava.

Viagem 4: Cynthia me fez o favor de me acompanhar nessa, senão não sei se teria forças. Voltamos para Sampa (dessa vez de Itapemirim), dormindo muito confortavelmente, depois de ter colocado todas as fofocas em dia. Chegamos na rodoviária do Tietê às cinco e qualquer coisa, e fomos puxando nossas malas até o metrô, para chegarmos até a estação Barra Funda.

Viagem 5: Depois de pegar as passagens que já nos aguardavam lá e tomar um suco de café da manhã, entramos num busão para Piraju, em mais cinco horas de viagem. Deu pra dormir um pouco, ler muito e conversar um tanto. Em Piraju, Pai, Ana Paula e tio Celso nos buscaram, para que passássemos o reveillon no fenomenal sítio do Boi Sentado. O clima lá sempre é bacana, a gente canta e descansa, o videogame do Anselmo estava funcionando, eu levei um couro do GBA da Ana Paula, e continuei comendo. A virada foi numa pousada, ao som da Banda Brasília. Já foi pior, dessa vez deu pra levar bem, principalmente com Cynthia e tio Celso animando a festa. O primeiro dia do ano foi tranquilo, e no dia seguinte passamos horas e horas movendo tudo para o carro para voltar para Campinas.

Viagem 6: Mais três horas dentro de Napoleão, o carro francês, para voltar pra Camps. Não consegui dormir muito porque o banco de trás não é dos mais confortáveis e me faltava um travesseiro. Mas terminei o Hija de la Fortuna, que não decepciona. Em Campinas, consegui assistir ao especial do Ney Matogrosso, que tinha gravado direitinho. Pus o e-mail em dia, internetei um pouco e fui dormir para acordar muito cedo no dia seguinte.

Viagem 7: No ingrato horário das cinco e meia da matina, acordamos eu e Cynthia para retornar para Sampa o quanto antes. O fretado que planejávamos pegar não estava funcionando, fomos buscar um táxi que nos levasse à rodoviária, o que provou ser bem mais difícil de se fazer do que em Sampa. Passamos mais uma hora no inferno em forma de prédio que é a rodoviária de Campinas, até conseguirmos partir no nosso Cristália, atrasado. Ainda arrastando as malonas, pegamos mais um metrô, e eu cheguei no meu apêzinho, que estava de pernas pro ar. Mas era bom estar de volta em casa. Agora começava a semana de despedida.