
O que será isso? As nuvens descamando? Caspa dos céus? Não, é neve mesmo.
Enquanto isso, o povo no Brasil sua pulando Carnaval.
Uma tirinha atrasada, mas genial.
Como ninguém vai conseguir ler os balõezinhos:
- Funciona assim: só ganha presente criança estudiosa…
- Estudo?
- … que obedece pai e mãe…
- Pai e mãe?
- … e que escova os dentes após as refeições.
- Dentes? Refeições?
Existe uma triste regra no mundo das comunicações, mas que infelizmente é infalível. Quer vender algo, coloque uma mulher branca e bonita pra vender. Não adianta querer ser politicamente correto, revolucionário, etc. Na hora de fazer as contas, o que vai dar mais lucro é aquilo que a Malu Mader está vendendo, não o que a Valéria Valenssa empurra.
Pode ver as capas de revista. Só se encontra uma negona sacudida na capa da Raça. Mesmo as mulé que não são assim arianas são aceitas apenas se forem disfarçáveis como brancas - tipo Camila Pitanga, Juliana Paes. A Playboy coloca qualquer BBBéia na capa, mas não paga milhões pras atrizes "afrodescendentes" que surgem nas novelas agora. Nem milhinhos. Diz a lenda que a capa com a Isabel Fillardis foi um fiasco, por mais linda e popozuda que ela era.
Marcel me contava as histórias do irmão dele, que trabalha na Lever. Eles até tentam inovar, fazer coisas novas, mas não passa do teste com as usuárias; elas não conseguem admitir uma mina com um ou dois pés na senzala vendendo Lux Luxo. Também não compreendem propagandas surreais, ou que exijam mais raciocínio, mas demoram a captar isso; a negritude, no entanto, é repelida imediatamente, e sem que elas sequer se dêem conta do que estão fazendo.
No fim do mês passado, quando estava fechando a edição de fevereiro da Jungle, eu fiz um desafio pro chefinho Juliano: a gente tem que colocar uma mulher branca e bonita na capa.
Talvez porque é uma revista distribuída gratuitamente, talvez porque esteja na Inglaterra. Mas provavelmente porque as pautas que os editores acham que tem a ver com a revista são socialmente conscientes e nos levam a isso. O fato é que, nesse ano que eu sou diretor de arte da Jungle, das onze capas que eu fiz, nada menos que cinco (Seu Jorge, Gilberto Gil, Robinho, Funk Carioca e, agora, Afroreggae) são de homens, e,ainda pior, negros! Ou seja, exatamente o contrário do que se recomenda. O mais perto que chegamos de uma mulher branca e bonita na capa foi na edição do Brasil na França, que eu coloquei um desenho de uma mulher belle époque na capa.
Eu comecei a campanha pela mulher branca e bonita na capa mais de brincadeira, porque achei amusing quando me dei conta da acumulação de melanina nas capas da Jungle. Depois que levantei a questão, descobri que os distribuidores tinham a mesma opinião. Essa semana, uma cliente disse que não queria distribuir a revista em sua loja. Que a gente só passava uma idéia de um Brasil pobre, colocando esse monte de preto na capa, e que o Brasil que ela vende é um Brasil bonito, nada dessas misérias que a gente divulga.
É tão triste quando a gente descobre que as regras silenciosas da Abril estão certas, no fim das contas.
Vendo esse bafafá todo feito pela visita dos Rolling Stones e do U2 no Brasil, incluindo a empolgação do Bono no camarote do Gilberto Gil em Salvador (o qual eu vi pessoalmente em janeiro, aliás), só me vem uma conclusão. Os Rolling Stones fizeram o maior show de sua carreira no Rio, cantando para 1,3 milhões de pessoas. Fizeram duas horas e meia de show, e no fim Mick Jagger estava quase morrendo, palavras dele próprio. Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Margareth Menezes e etc. fazem show para um milhão e tantas mil pessoas todos os anos, por doze horas a fio. Com menos infra que os megashows. Confetes para elas, por favor.
Chegou hoje no correio The Way of St. James, a Cyclist’s Guide, livro que eu espero que deva me guiar por boa parte do meu futuro bike tour. Fiquei surpreso comigo mesmo ao involuntariamente ficar equilibrando lagriminhas na borda dos olhos ao ver as etapas que correspondem ao caminho que eu fiz - Pamplona, Puente La Reina, Burgos… A gente não sabe que tem essas emoções guardadas até que vem algo que as revela novamente. Agora, o guia é britânico até o osso; não pude deixar de rir ao ver, na lista de coisas indispensáveis a serem levadas, uma chaleira elétrica, chá e café. Sem falar que recomendam que se compre um aparelhinho de dar choque em cães, que, segundo eles, são muitos na Espanha e perigosíssimos. Muitos, concordo. Perigosíssimos? Fuá… Os que eu conheci eram uns amorzinhos. Só não devem gostar de bretões que ficam ameaçando eles com eletrochoque.
Fui fazer o back-up de todas as minhas fontes hoje. Descobri que tenho 2.4 gigas de fontes aqui no Macedo Afonso. Vindas da coleção que meu orientador me passou mais outras que eu vim juntando. Precisei gravar num DVD pra dar conta. Nota-se como designers são compulsivos quando o assunto é tipos.
Na Folha hoje:
"Mancha verde se espalha pelas margens de rio no Pará"
Juro que meu primeiro pensamento quando li essa manchete era algo nas linhas de um acampamento gigante da torcida do Palmeiras nas margens do rio.
Desde que entrei no lance de comer conscientemente, a vida ficou mais difícil. Duas semanas atrás comprei dois mamões a preço de ouro pra alegrar meu café da manhã. Cortei o primeiro, todo empolgado, e descobri que ele estava verde demais pra ser comido. Desde então, estou pacientemente esperando que o outro mamão fique maduro, o que ainda não aconteceu. Acordei hoje seco de vontade de fazer uma vitamina de banana com iogurte. Daí, pela primeira vez em um ano, me dei conta de que a casa não tem um liquidificador. A vida britânica conspira contra mim.
9 de fevereiro: Chego à conclusão de que está mais do que na hora de transformar em realidade meu tão postergado projeto de fazer uma versão totalmente em flash do Chão. Começo a raciocinar os ondes e comos e quandos.
10 de fevereiro: Eu acordo depois de ter sonhado a noite inteira com o refazer desse site. Me dou conta que me fudi porque, se não resolver isso agora, não vou ter sossego. Vou pedalando pra aula de guitarra planejando o visual de tudo. Na volta, está fazendo um sol bonito e inesperado, eu paro na frente do palácio de Buckingham, boto a câmera no chão e tiro fotos para a versão nova. Trabalho na Jungle à tarde, e, à noite, retorno para casa e ponho-me a trabalhar na primeira questão: como fazer o Flash carregar os textos conforme necessário, algo que eu nunca tinha feito antes.
11 de fevereiro: A missão foi mais difícil do que eu imaginava; incluiu entender exatamente como o Flash carrega variáveis, refazer os arquivos, que não podiam ser html, e tirar toda a formatação especial de acentos com a qual me preocupei tanto pelos últimos três anos. Parto para a próxima questão, fazer os anos crescerem e mudar de cor dependendo da posição horizontal do mouse, imitando o dock do macintosh. Horas e horas aprendendo a como rastrear a posição do mouse, posições relativas e absolutas, propriedades dos objetos globais… Devo ser uma das pessoas que mais lê o help do Flash. Depois de um dia dedicado a fazer isso dar certo, testando o efeito, eu chego à conclusão de que não gostei, e descarto tudo por uma outra versão mais simples que engasga menos.
12 de fevereiro: A disciplina nas aulas de ioga é a primeira a ir pro ralo, já que eu resolvo não desperdiçar tempo indo fazer ásanas quando tenho que descobrir como fazer scrolls. Me meto em profundidades de programação em que eu não me enterrava desde que estudava no COTUCA e fazia projeto de C enquanto condenava a Mary a fazer projeto de Cobol. O dia se esvai e eu nem noto; no começo da noite, os textos estão rolando como eu queria. Limpo as tabelas e acentos de todas as 184 entradas do Chão, e daí descubro que, por um pau de fonte, em 95% deles os textos aparecem sem acentos. Busca ensandecida noite a dentro por uma fonte que substitua a que eu tinha escolhido antes, em vão. Uma conversa com Léo Favre via MSN me faz decidir que apenas um PC poderá me ajudar nessa hora de angústia, e eu vou dormir para sonhar com ActionScripts.
13 de fevereiro: Três dias de flash; já estou enlouquecendo. Ir trabalhar na Jungle fazendo páginas, algo que eu tenho total domínio, é um descanso bem-vindo. Mas não dura muito; o laptop olha pra mim, eu olho pro Flash no PC da Jungle, copio os arquivos de um pra outro, e volto ao site. Vejo dezenas de fontes de texto e escolho uma que me parece boa; a insatisfação com a fonte dos títulos chega ao ápice, e eu resolvo voltar pra fonte velha de guerra do Chão que venho usando pelos últimos 2 anos. Descubro como chamar funções no Flash por meio dos arquivos HTML e assim refaço os arquivos de entradas. Resta então respirar fundo e ir mexer nas templates do Blogger pra que ele converse com a nova versão em Flash. Quando mexo na template, o sistema se atualiza para a versão mais recente (fazia anos que eu não mexia nas templates do blogger…) e muda o funcionamento do treco. Meus planos vão por água abaixo e eu tenho que pesquisar como o maldito sistema funciona agora pra bolar uma solução que converse com o site novo. Horas e horas de pesquisa, tentativas e erros, até fazer tudo funcionar mal e porcamente; são onze da manhã do dia seguinte, mas pelo menos o lance funciona.
14 de fevereiro: As pessoas normais se preocupam com o que farão no Valentine’s day, eu, já pirando na batatinha, me preocupo com fazer esse site ficar do jeito que eu quero. Depois de vários testes, descubro que a outra fonte que eu tinha escolhido não é processada como deveria pelo Flash; a única solução é voltar para a velha Trebuchet mesmo, o que não é tão ruim. Faço os links funcionarem, e aprendo a aplicar CSS styles no Flash pros parágrafos acontecerem e os hotlinks ficarem coloridos. Pesquiso em todos os sites e comunidades de Flash como fazer o formulário de envio de e-mails funcionar, sem sucesso; me pego pesquisando sites sobre ASP e frustrado por que a documentação no site da Microsoft não existe mais onde deveria existir. Mas, tirando esse formulário, tudo funciona, e eu vou dormir bem mais cedo.
15 de fevereiro: Hora de acionar a lista de contatos; peço aos amigos todos por conhecidos ou transeuntes que conheçam ASP e me solucionem de graça a questão do formulário. Uma pessoa que puxa a outra que puxa a outra, encontro uma alma caridosa que me passa um script decente de envio de e-mails; daí, vou ajustando e ajustando o Flash, até o formulário funcionar. O blog funciona, o diário funciona, o formulário funciona, tá tudo pronto. Eu posso voltar pra terra das pessoas normais e quem sabe voltar a fazer academia.
16 de fevereiro: Ainda não resisto e volta e meia vou visitar o site de tão lindo que eu acho ele, como se ele fosse ter algo novo sem que eu colocasse lá.
18 de fevereiro: Começo a considerar que agora tenho que fazer a parte útil do site e fazer o portfólio combinar com essa parte do diário. Medo pelo próximo período obsessivo. Muito medo.
Eh tarde, mas… pelo menos o formulário de envio de e-mail agora funciona. Posso seguir com a vida, voltar a fazer ioga, retomar a dieta e tudo mais que eu deixei de lado por querer ter site pessoal em flash.