Posts de Agosto/2006
Pra minha mãezinha já telegrafei
Que já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada estarei de partida
Pra terra querida, que me viu nascer
Já ouço sonhando o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer
- Goia e Belmonte, Saudades da minha terra
E foi assim, mais uma vez de madrugada, que eu deixei Lisboa - dando um adeus sonado e agradecido à Aline, descendo as escadas dela uma última vez e tomando rumo para o aeroporto, por ruas que dessa vez eu conhecia bem melhor. As avenidonas vazias já sentiam como o caminho para casa, e o misto de ansiedade, impaciência e medo já se faziam sentir uma vez mais. Dessa vez o retorno era definitivo até segunda ordem.
Tendo de novo ido dormir tarde na noite anterior por conta do rolê pelo Bairro Alto na noite anterior, o embate contra o sono se estabeleceu antes do que eu gostaria. Enquanto havia o que fazer - desmontar a bike uma vez mais, comer algo enquanto lia Os Lusíadas, empolgadíssimo, desbravar o aeroporto - eu tinha uma certa vantagem, mas quando as atividades se acabaram e só me restava esperar para que abrissem o check-in, Morfeu foi ganhando força, e só mesmo o muito medo de perder o vôo me manteve (mal) desperto.
No fim das contas, minha bagagem toda - as mochilinhas e sacolas amarradas juntas, para virar um volume só, e a bicicleta desmontada como outro - não deu excesso de peso, o que muito me tranquilizou. Ela teve que ser entregue num terminal especial para bagagem fora do tamanho-padrão, no entanto, o que só fez aumentar meu perpétuo temor das minhas coisas acabarem no Timbuktu.
Ainda tive que lutar contra o sono até depois da primeira refeição, uma hora depois de iniciado o vôo - a fome dava uma força. Assim que recolheram minha bandejinha, no entanto, me acomodei o melhor que podia e puxei o ronco; quem já conseguiu dormir nas cadeiras de faquir do ônibus entre Barcelona e Madri consegue dormir em qualquer frincha.
Horas depois, já do outro lado do Equador, os chutes na parte de trás da minha cadeira me despertaram. Resolvi manter a boa e não fiz mais do que lançar alguns olhares fulminantes para o moleque de quatro anos que mal se mantinha na poltrona anterior à minha, o que, obviamente, não surtiu efeito algum. Durante todo o resto do vôo Mateus, o moleque, pulou, gritou e se revirou, sua avô, ao lado, tentava apaziguá-lo, e os passageiros ao redor se dividiam nas facções que achavam ele uma graça e os que gostariam de distribuir seus órgãos para transplante.
Conforme o avião se aproximava, minha inquietação ia aumentando, mas eu não tinha a liberdade do Mateus para me remexer e pular e gritar; duvido que muita gente fosse achar isso uma gracinha, e eu acabaria espalhado entre vários doentes agradecidos. Como não era o único, só me restou entrar nas prosas dos passageiros no entorno, dominadas principalmente por um casal de brasileiros que voltava à pátria amada pela primeira vez depois de vinte e tantos anos morando em Portugal. Concordando com a cabeça e fazendo comentários genéricos entretive a última hora antes do pouso.
Voltar para seu próprio país sempre é moleza, chega a ser quase anticlímax para alguém como eu que durante um ano se acostumou a temer o povo da imigração cada vez que voltava para a Inglaterra. Mas, para manter a emoção, a espera para ver minha bagagem surgindo na esteira foi longuíssima. O medo de ser parado na alfândega também rolou, como sempre, mas mesmo com uma bicicleta no carrinho de bagagem não houve qualquer problema.
E então foi só atravessar o portão, e encontrar a família inteira me esperando. E eu estava de volta em casa.
Eu tenho uma confissão a fazer.
Essa história toda de viagem de bicicleta pela Europa não passava de uma desculpa para conhecer a Costa da Caparica.
Meu sobrenome é Caparica, afinal. Desde que eu descobri que em Portugal existia uma praia cujo nome era o meu sobrenome, eu resolvi que um dia iria para lá. Achava o fim que ninguém da minha família conhecia o lugar. Em algum ponto da minha estadia em Londres, eu decidi que sairia da ilha, iria para França, e dali iria pedalando até Lisboa, para conhecer a Costa da Caparica.
Mas daí o Gui me disse pra eu visitar ele em Amsterdam antes de ir embora, e eu resolvi que fazia sentido, então eu decidi começar por lá. Depois, a Tutu me chamou para visitá-la na Itália, então eu achei que o desvio fazia sentido. Em seguida a Ludmila me chamou para conhecer o sul da França onde ela morava… e assim se traçaram todos os desvios que eu já narrei aqui.
Santa Déia em Seu Lar tinha usado seus contatos para me descolar um teto acolhedor em Lisboa: eu ficaria no apartamento da Aline, amiga do Marcelo, amigo da Déia. Sim, esse lance de amigo do amigo do amigo é um pouco assustador, mas tudo tinha dado tão certo até o momento, não havia porque não confiar que ia dar certo nesse final de jornada.
Cheguei em Lisboa pela manhã. O aeroporto da capital portuguesa difere dos de outras cidades importantes da Europa em que é bem próximo da cidade em si; a Aline tinha me dado instruções de como chegar na casa do Marcelo, e em nenhum momento tinha-se que pegar estrada ou algo do gênero.
Depois de montar a bicicleta, fui avançando por solo lusitano debaixo de um tempo ensolarado. Logo de cara, eu trombo com um outdoor exibindo… a Ivete Sangalo. Ela é a garota-propaganda de uma cerveja portuguesa, e está por todas as partes. Quanto mais eu adentrava a cidade, mais eu me dava conta da dominação brasileira na terrinha: cartazes com shows de Marisa Monte (esperado), Chico Cesar (curioso), Sandy & Junior (impressionante) e Gian & Giovani (incrível).
Mas comovente mesmo foi, depois de meses em que ao esforço de encontrar caminhos se somava o exercício mental de pedir orientações em língua estrangeira, poder simplesmente parar e perguntar como chegar à avenida tal sem ter que pensar. Tudo bem que os sotaques diferem bastante, mas eles nos entendem e a gente entende eles. Consegui chegar no apartamento do Marcelo sem maiores contratempos que minha sacola de supermercado cheia de bugigangas estourando no meio de um cruzamento lusitano.
Fui recebido pelo colega de apartamento do Marcelo, já que ele estava trabalhando. Depois de comer um pouco, tirei uma soneca (havia dormido quase nada na noite anterior), e depois resolvi ir conhecer a cidade, já que fazia um dia lindo lá fora. Me informei de onde ficava um metrô, do metrô perguntei onde era a oficina de turismo, e na oficina eu descolei um supermapa de Lisboa que indicava as principais atrações da cidade - procedimento padrão.
Deixei a Angelana presa perto da Praça do Comércio, e fui andando pela margem do Rio Tejo. Logo me vi na frente do Museu do Fado, e, apesar de ser meio avesso a museus, não resisti: paguei entrada e fui ver qual que era a do fado. Gostei horrores, é um museuzinho muito bem organizado, mostra a trajetória do fado toda, cheio de recursos multimídia.
Dali eu saí e resolvi visitar o castelo de são Jorge. Perguntei para uns transeuntes como eu fazia para chegar lá, eles me olharam com uma cara incrédula e me disseram para subir sempre, ora pois. E eu esperando uma indicação de ruas. Achei que isso seria uma prova da parvoíce lusitana, mas certos estavam eles. O castelo de são Jorge fica no alto do morro, e para chegar lá pega-se um emaranhado de ruelas jogadas pelas encostas. É virtualmente impossível descrever um caminho do sopé até o cume sem listar trinta ou quarenta vias. O mais sensato é simplesmente subir sempre, que mais cedo ou mais tarde chega-se no castelo.
Durante minha tenra infância toda ensinaram-me a desenhar castelos com torres de dentinhos quadrados no topo. Provavelmente vem desse castelo, que é exatamente assim. O castelo por si só já é muito legal de se ver. Além disso, ele oferece uma vista fantástica da cidade, e nele também está uma apresentação multimídia que conta (meio apressadamente, devo dizer) a história de Lisboa. Dentro do castelo e à sua volta, lojinhas e mais lojinhas com todos os suvenires que você pode querer e imaginar de Lisboa.
À noite conheci Aline, minha anfitriã, e ela me instalou confortavelmente em sua casa. De lá, fomos jantar na casa de amigos do Marcelo, os quais nos deleitaram com uma legítima bacalhoada lusitana (de bacalhaus noruegueses, todavia; aparentemente não existem mais bacalhaus nas costas portuguesas). Nessa ocasião, descobri que bué giro quer dizer muito legal, e me convenci que, parafraseando Mark Twain, Brasil e Portugal são dois países separados pela mesma língua.
No dia seguinte, fui euforicamente cumprir minha missão de conhecer a Costa da Caparica. Pedalei até a estação de trem mais próxima, descobri como fazia para cruzar o estuário do Tejo, e uma hora mais tarde Angelana Paula estava rodando em direção à praia que me dá o nome. A jornada demorou um pouco mais do que devia porque eu não resistia tirar uma foto junto de cada placa com “Caparica” escrito que passava pelo meu caminho.
A Costa da Caparica é uma cidade-satélite de Lisboa, e, devo orgulhosamente dizer, possui as melhores praias que eu vi na Europa. Até porque segue o conceito brasileiro de praia: ondas, areia, alegria. Da cidade em si, desenrolam-se quilômetros e quilômetros de praias, mais ou menos familiares, ao gusto do banhista. Comprei um par de óculos de sol muito giros no começo das praias (os anteriores tinham sido roubados em Barcelona), montei na bike e fui pedalando até a última. Me tornando cada vez mais envaidecido da minha costa, e cada vez mais convencido de que os britânicos são um povo muito triste por crescerem tendo Brighton como referência de praia.
À noite eu e Aline íamos fazer alguma coisa, mas acabamos nos descobrindo cansados demais para sair de casa, e ficamos vendo novela. Belíssima se aproximava dos capítulos finais, os quais eu não tinha assistido via internet na Inglaterra. Para minha indignação, porém, constatei que em Portugal ignoram acintosamente o padrão Globo de qualidade. A novela começa atrasada, reprisa dez minutos do dia anterior, e daí segue com mais quinze minutos de novidade. As interrupções para intervalos comerciais com ganchos cuidadosamente planejados pelos autores são desconsideradas, e os comerciais entram quando os portugueses acham que têm que entrar, mesmo que seja no meio de uma cena. Revoltante.
Meu penúltimo dia na Europa foi gasto batendo perna pelo Chiado, onde se encontram inúmeras livrarias e restaurantes. Visitando a Fnac que fica num shopping na área, me dei conta de como o Brasil já colonizou Portugal. Seção de discos: uma estante de dois metros de largura de discos portugueses, outra do triplo do tamanho de discos brasileiros. Seção de livros: a quantidade de livros portugueses é tão inferior à de brasileiros que acharam por bem unir tudo como literatura lusófona. E não se iluda: de recente, tem bem pouca coisa lusitana mesmo.
No dia final, Marcelo ia fazer uma feijoada na casa de amigos seus que moravam perto de Estoril, e levou eu e Aline junto. A feijoada demorou para sair; enquanto esperávamos, deixamos o Marcelo cozinhando e fugimos para a praia. À noite, Aline me levou para o Bairro Alto, onde brotou a boemia lisboneta. Bares e mais bares, de todos os tipos, num passeio delicioso que eu devia ter feito antes.
E, na manhã seguinte, fiz a pedalada final de volta para o aeroporto, já mal contando as horas. O Brasil me esperava.
Para aqueles que topam se aventurar pelo castelhano, vale muito a pena ler Filosofía de aerosol, de JP Villalobos, vulgo marido da Déia. Aproveitem e leiam o resto do blog também.
Num desses acessos de paranóia que tanto cabem aos ditadores, o generalissimo Franco, em seus tempos de Guernica e outros crimes contra a consciência limpa, resolveu que corria-se o risco de que as nações vizinhas invadissem o soberano espaço espanhol… de trem. Para evitar tal ultraje, ele fez com que os trilhos das estradas de ferro espanhola fossem mais estreitos que os trilhos usados no resto do mundo, garantindo que apenas trens espanhóis conseguissem correr sua grande fatia da península Ibérica.
As consequências disso são: no Brasil, por uma dessas idiossincrasias que tanto nos caracterizam, metade dos trilhos foram feitos segundo o padrão inglês (e mundial), e outra metade foi feita seguindo o padrão espanhol, o que faz com que a integração da malha ferroviária impossível; e, quando se viaja de trem para a Espanha, não existe trem expresso, sempre tem que se parar na fronteira, ir para o outro lado da estação e pegar outro que te leve a seu destino. Foi assim que numa madrugada fria lá estava eu de novo fazendo mais uma dessas manobras que tanto caracterizam essa minha viagem, carregando bicicleta e malinhas de uma plataforma para outra a fim de chegar naquela manhã em Barcelona.
Não era a primeira vez que eu punha meus pés nessa cidade; depois que fiz o Caminho de Santiago eu estiquei até lá, e um ano depois eu aproveitei uma semana em que as coisas estavam mais tranquilas para retornar enquanto ainda era verão. Em todas as vezes (incluindo a atual) minha super anfitriã era Andréia Moroni, colega de faculdade e amiga para toda a vida, menina de planos tão destemidos quanto eu. Foi quem me inspirou a fazer o Caminho de Santiago; do meu círculo de amigos, foi a pioneira em se casar, a pioneira em migrar para estudar em terras estrangeiras, e a pioneira em se divorciar. Quando, há seis anos, eu pedi sua barraca de camping emprestada para que eu fosse passar o carnaval em Trindade, não imaginava que iniciava uma amizade que daria tantos frutos.
A novidade dessa visita é que, dessa vez, Andréia desbrava mais um limiar da vida antes de todo mundo, e está mais que levemente grávida. Quando cheguei em seu novo velho apartamento no centro de Barcelona, JP, o pai da criança, foi me receber nas escadas, enquanto Andréia me esperava redonda na porta do apê. Nas visitas anteriores a gente já tinha discutido seus planos de adentrar a horda das mães tatuadas e modernas, e pude ver imediatamente que ela estava cumprindo suas promessas: me abraçou vestindo um top que deixava a superbarriga à mostra, com o tigre que ela tem tatuado nas costelas já levemente deformado e um piercing colorido no umbigo, a esse ponto já totalmente distendido. Me instalaram no que será o quarto de Mateo, o rebento, e tudo indica que JP e Déia serão os pais mais legais de todas as galáxias: no berço, um ursinho se escondia de vários aliens de pelúcia que dominavam o quarto.
Barcelona é uma cidade linda que sempre me faz feliz por simplesmente estar lá. Seus cruzamentos octagonais e ruas largas enchem-na de sol, os prédios do Gaudi a temperam com um sabor único, as ramblas chamam para que se esqueça as preocupações da vida. Apesar de ser uma cidade costeira, as partes legais da cidade estão longe do mar; na verdade, para se pegar uma praia em Barcelona necessita-se um esforço razoável. Eu já tinha conhecido os principais pontos turísticos da cidade (Parque Guell, Catedral da Sagrada Família, Bairro Gótico…) nas minhas outras visitas, então nessa minha estadia apenas me dediquei a percorrer a cidade montado na Angelana Paula, situar tudo em meu mapa mental, e torrar nas praias o máximo possível.
Déia mora em Gracia, região muito bacana e central de Barcelona, e que, justo no dia em que eu cheguei, estava iniciando seu tradicional Festival de Gracia, em que os moradores das ruas decoram suas calles (ou, sendo apropriadamente catalão, carrers) com temas de sua própria invenção, para uma semana de festa de rua e música. Feitas em geral com sucata, as decorações iam do cafoninha ao bem bolado, mas sempre divertido e entertaining. Várias noites, num de ja vu da minha noite em Cambrai, eu ouvia bandas de alguma rua dos arredores cantarem animadamente sucessos do Roxette com sotaque castelhano.
Os espanhóis almoçam às quatro da tarde e jantam quase no dia seguinte; Déia e JP já tinham se adaptado aos horários, mas eu custei um pouco. Mas valia a pena: JP, sendo mexicano, cada dia agraciava sua esposa e o hóspede intrometido com delícias de sua cozinha natal, que me faziam lavar a louça com alegria. Nos momentos de ócio, eu assistia aos seriados enlatados devidamente dublados em castellano, e assim me diverti imensamente assistindo Embrujadas, Perdidos e Mujeres Desesperadas. Tirando isso, tive mais uma prova de que a rede Globo está entre as melhores do mundo, a TV aberta espanhola dá vontade de chorar. Mas nada ainda bate o desleixo da TV italiana.
Depois de uma semana de minha presença na casa, Rolando, um amigo de JP, chegou para visitar o compadre antes de retornar a Guadalajara. Eu me transladei para a sala, e aumentei meu convívio com Chope, o gato amigo. A chegada do Rolando deu novos ânimos para os passeios, e continuamos a sair para comer tapas à noite. Um dia nós três e meio visitamos um museu científico no alto dos morros de Barcelona que apresentava um pouco de tudo, desde biologia até f&isica;, incluindo uma mini mata alagada onde descansava impávida uma capivara brasileira, bicho que os olhos mexicanos de JP nunca tinham visto. Me surpreendi me empolgando com os experimentos que o museu oferecia para explicar o mundo na prática, desde a quinta série que eu não passava por isso.
Ao fim de vários dias de reflexões e cálculos mentais, resolvi que gastava a mesma coisa e seria mais útil descartar minha passagem de Air France e tentar comprar uma outra que me levasse antes para o Brasil. Foi assim que depois de alguma pesquisa internética no meio de agosto, comprei um bilhete de TAP saindo de Lisboa para São Paulo na semana seguinte. Uma mudança de planos tão súbita que até eu passei alguns dias atordoado, mas que foi comemorada com iupis! e uhuuus! saltitantes da Ana Paula, lá no Brasil.
Meus últimos dias de Barcelona passaram voando, e seu grande barato foi filosofar com a Déia e acompanhar o desenvolvimento de Mateo, o rebento. O garoto está enorme, e depois de uma visita ao médico ela voltou com a notícia de que ele provavelmente nasceria duas semanas antes do previsto. Estava com ela no metr&oacirc; quando ela me anunciou que estava tendo contrações, as quais continuaram até a noite, mas felizmente, depois de que JP a levou para a maternidade levemente preocupado, não passaram de alarmes falsos ou, como bem disse a Déia, um ensaio geral para a grande noite. Ela ainda não se acostumou ainda com o conceito de dar leite e morre de vergonha cada vez que os peitos escorrem, e não tem defesa minha a favor do conceito da vaca das divinas tetas que a faça parar de ficar constrangida.
Foi com o aperto no coração de sempre que exatamente duas semanas depois de chegar eu me despedia da Déia em plena madrugada, para partir a meu destino final antes de retornar ao Brasil. Ficou a promessa de retornar assim que possível, para matar a saudade, conhecer Mateo ex utero e dar uma força à Déia em seu propósito de fazer que esse moleque, que vai nascer com três nacionalidades e que vai ter que aprender duas línguas para sobreviver em Barcelona, ainda aprenda português. Espero que seja em breve.
Agradeçamos a São Pedro, que fez chover três dias seguidos aqui em Barcelona, o que me permitiu ficar enfurnado em casa esse tempo todo refazendo o visual e o funcionamento do Chã. Agora tem albunzinho de fotos (que pretendo nao deixar ficar abandonado…) e comentários pra sempre, pra alegria de Cynthia Miranda. Só me falta tirar a semana de atraso que o blog está da realidade.