
Todo designer que se preza tem OJERIZA pela fonte Comic Sans. Como ela vem no pacote do Office, qualquer mané que quer deixar seu texto/trabalho/banner/whatever mais engraçadinho vai lá e tasca a Comic Sans no texto. Para profissionais que se dedicam a escolher a melhor tipografia para cada trabalho, que sabem que “tanto faz” a fonte, só se for o nariz deles, e reparam como tem fontes que aparecem por toda parte sem o menor propósito para tal, que se utilize tanto a Comic Sans é razão para, como diria a Rachel, vomitar de esguicho.
O que não é razão para não propagar esse vídeo abaixo. O roteiro é SENSACIONAL, humor fino que pode ser entendido mesmo por não-designers - basta você ter usado computador por mais de um ano para reconhecer as fontes de que se fala. Não é um inglês muito simples e não tem legenda, mas mesmo assim, assista!
Depois, para compreender melhor como funcionam os designers, visite Ban Comic Sans.
Fora de série. Esse povo da ThinkGeek inventou este simpático recarregador de celular movido a vento. Perfeito para quem anda de bike muito, como eu, recarregar seu celula enquanto desce a ladeira. É algo que quase me faria levar meu celular comigo para onde quer que eu fosse. Quase.
Sim, existem pessoas que se preocupam em proteger seus computadores de todo o conteúdo safado que existe assim de graça ao alcance de todos na internet. E, para essas pessoas, existem filtros antipornografia. Como se divulga um produto como esse? Nunca tinha pensado a respeito, mas uma companhia alemã fez essa campanha abaixo, que eu achei genial (juro que procurei o link dessa empresa, mas não encontrei). O único problema é o slogan - inocência é algo que a internet perdeu faz tempo, e não tem como voltar.
Eu faço revistas a anos. Já encarei os piores fechamentos. Já criei um projeto gráfico de revista e toquei a arte dela quase sozinho. Não há nada que ainda me assuste, há?
Rá.
Sexta à noite. Olívia, minha ex-estagiária, me encaminha um e-mail dizendo que tem uma moça precisando de designer pra fazer um livro de caligrafia. Ora ora, frila é comigo mesmo, pensei. E, pra quem faz caber milhares e milhares de toques na MH todo mês, o que há de ser um livro de caligrafia, não é mesmo? Agradeci à Olívia pela dica e, já pensando em como juntaria uma graninha pras minhas férias, corri atrás do contato que ela me passou. O contato passou um contato que passou um contato, até eu conseguir falar com a garota que havia lançado o pedido de ajuda na web.
Falei com ela pelo telefone na segunda de manhã, marquei de ir na casa dela pegar o serviço à noite, e deixei a faxineira fazendo limpeza no meu apê. Dez horas depois, estava eu no Butantã. A moça tinha ido separar uma briga de dois cães seus que disputavam uma cadela no cio (também dela), levou uma mordida no pulso e agora não tinha mais como fazer esse serviço. Combinamos os quandos e quantos, e eu fui pra Shambhala todo feliz que ia ganhar um tutu.
Mas oh, o destino é cheio de reviravoltas, e, quando cheguei em casa, encontrei o apartamento cheirando a limpeza e meu laptop Macedo Afonso não mais funcionando. Melhor, funcionar ele funcionava, mas o monitor não acendia nem conversava mais com ele. Terrível. Enquanto tentava todas as mandingas para ver se ele voltava a exibir algo, já previa, rangendo os dentes, o que seriam minhas próximas semanas.
Quando vi que não tinha jeito mesmo, preparei um plano de ação. Conforme prometido, na terça entreguei pra menina as primeiras dez páginas, para ela ver que eu sabia o que estava fazendo. Daí no dia seguinte tirei da frente os folders que eu devia para a Dharma|Arte. A próxima noite foi dedicada a aprontar o site do Tablado de Arruar no Wordpress. Sexta-feira descansei, e sábado, depois de ir na academia, fui todo pimpão cuidar de fazer o livro na redação.
No fim daquela noite eu já havia passado a estar pimpinho. No domingo, estava desolado. Horas e horas de trabalho… e dos cinco capítulos, eu havia conseguido terminar dois. Como bem havia avisado minha contratante, a bucha era bem maior do que eu pensava. Para começar, como em todos os livros didáticos, você tem que diagramar os exercícios e deixar junto-porém-separado as respostas do livro do professor, o que já dá um trampo enorme. Para piorar, esse é um livro de caligrafia; o que significava que todos os espaços de respostas e/ou exemplos para os alunos são dados em pautas caligráficas, e as frases são escritas em fontes manuscritas. Não uma qualquer, uma fonte que tem variações o suficiente para realmente se fazer passar por uma escrita cursiva infantil. Ou seja, ela tem um e minúsculo normal e um e diferente para casos como be, ou ve, um l padrão e um l para ir depois de o, por aí vai. Cada. Frase. Tinha. Que. Ser. Ajustada. Letra. Por. Letra.
O prazo era segunda-feira. Domingo de madrugada mandei os PDFs dos dois primeiros capítulos e pedi, morrendo de vergonha, que ela me desse mais três dias de prazo. Mas, claro, minha vida sendo o que é, só consegui pegar na caligrafia de novo na sexta à noite. Fiquei na redação já planejando varar a noite, mas terminar tudo naquela noitada mesmo, porque a festa junina da famiglia era no dia seguinte, em Araraquara.
Mais uma vez, essa foi a mais iludida das ilusões. Quatro da matina, e eu não tinha conseguido terminar o terceiro capítulo. Já estava pegando raiva dos exercícios em tabela, que no projeto gráfico do livro eram particularmente difíceis de se fazer, já que juntavam pautas, e tabelas, e bordas com cantos arredondados. A essa altura do campeonato, eu já queria que Simbá, o marujo, fosse comido pela baleia gigante, e desejava que as crianças realmente simplificassem tudo e escrevessem Brasilha, familha e Amélha ao invés de ficarem se preocupando com as distinções entre lia e lha. Voltei para casa derrotado e já sabendo que não tinha como ir pra Araraquara City.
E assim, automaticamente, meu fim de semana foi condenado à caligrafia. Revivi todos meus traumas de infância como um menino de letra feia que não conseguia decorar lemas como Quando, numa palavra, temos duas letras juntas que representam apenas um som, ocorre o que chamamos dígrafo. Certa hora, ao me deparar com um exercício que dizia “Leia a parlenda e copie-a”, realmente fiquei com pena de toda a pivetada que faria aquilo tudo sem realmente pensar nem levar para a vida que raios quer dizer parlenda. Só consegui concluir esse instrumento de tortura infantil no domingo, às nove e meia da noite. Entreguei os PDFs e fui para casa.
Acabou? Não. Em uma semana chegam as revisões e as ilustrações. Minha letra, porém, continuará igual.
Há pouco mais de três anos e meio, o primeiro cartaz que eu vi em solo britânico, na fila do visto do aeroporto de Heathrow, foi do musical Mamma Mia!.
Há mais ou menos três, a Déia foi passar uma semana lá em Londres e ficou hospedada na minha casa. Como ela não podia ir embora sem ver um musical, eu disse a ela que escolhesse qual queria ver, e, entre as opções que havia, ela escolheu assistir ao do Abba. Comprei nossos ingressos na half-price stand e lá fomos nós.
Sim, Mamma Mia! é praticamente uma desculpa pra você ouvir as músicas do Abba; os arranjos parecem tirados de um karaokê; apesar de não ser um prodígio de narrativa, a história consegue usar bastante bem as canções (de maneira bem melhor do que o We Will Rock You, por exemplo); e mais importante que a capacidade de atuação dos atores são seus tanquinhos.
Não importa. Quando a peça acabou, eu, a Déia e todos os presentes estavam felizes.
E é por isso que eu mal posso esperar para ver Mamma Mia!, o filme. Sim, é o mesmo fiapo de história; sim, a crítica já reclamou que as cenas não passam de transições entre uma canção e a próxima; sim, há de ser uma overdose de Abba. Não importa; dia 15 de agosto, eu hei de sair do cinema feliz!
Uma das características mais peculiares das mídias online é que, quanto mais sucesso se tem, mais prejuízo ela dá - os custos de banda aumentam e aumentam, mas muitas vezes a publicidade não acompanha. Na Abril, há pouco mais de dois meses baixaram uma determinação de que cada redação pagaria a banda que consumisse, e assim de repente sites que davam um dinheirinho passaram a ficar no vermelho. Os vídeos foram todos migrados para o Youtube (que é banda alheia de graça, afinal), e todos os JPGs passaram a ser de baixa qualidade.
O Gawker criou um conceito que ainda não chegou por aqui, mas não duvido que vai desembarcar mais cedo ou mais tarde: paga-se o jornalista pelo número de acessos que seus artigos têm. É um conceito cruel por si só, mas, num meio em que cada vez mas se exige o máximo pelo mínimo, e, se não estiver contente, tem outros três que topam fazer o que você não quer, não surpreende que o site funciona. Afinal, é uma forma de meritocracia, certo?
É mas não é. Pelo terceiro trimestre seguido, o Gawker reduziu o valor por clique pago a seus jornalistas. Inicialmente se pagava US$ 7,50 por 1000 pageviews. No trimestre seguinte, o pagório caiu para US$ 6,50. Agora baixou para US$ 5,00. E era pra ser US$ 4,15, comunicou o diretor Nick Denton, mas ele foi joinha e conseguiu deixar a taxa por cincão. A razão? O site faz tanto sucesso que o custo com banda foi para as alturas, e, para a conta fechar, o dinheiro tem que sair de algum lugar. Então, se você quer continuar ganhando o que ganhava no começo do ano, dê um jeito de escrever matérias que atraiam ainda mais pageviews… consumindo mais banda. O que pode vir a baixar ainda mais seu salário.
E tem gente que acha que vida de jornalista é só glamour.
Dá alegria e tristeza ao mesmo tempo, devo dizer. Lendo “Who Needs Friends?”, fiquei com enjôo só com a possibilidade de fazerem um filme de Friends. Daí fiquei feliz porque vão fazer um filme dos Thundercats. Logo em seguida meu alterego de sete anos voltou para seu devido lugar e me dei conta que dificilmente vai sair algo que preste disso - vide Speed Racer. Em geral, acho que deviam deixar os seriados em paz - ainda mais um que já deu tudo que tinha que dar, como Friends. No final da matéria, a Anna Pickard diz tudo:
Talvez a melhor idéia de todas, para o bem daqueles que não têm 120 horas à disposição e uma paciência sem fim, seria fazer Lost: O Filme Breve e Claro. Porque, francamente, se dessem um desfecho e acabassem logo com ele, economizaria uma porção de tempo para os teóricos de conspiração do mundo todo.
Depois de três anos e um mês de fiéis serviços, Macedo Afonso, meu querido e dedicado macbook G4, arriou. Ele era tão robusto e jovial quando eu o comprei. Agora já estava ficando lerdinho, sua tela manchada já deixava de ser um charme e a falta de memória RAM para rodar os novos programas e a ausência de webcam embutida começavam a indicar que seu tempo já tinha dado.
Há uns oito meses, seu monitor já tinha falhado, mas depois de uma visita à assistência técnica e uns chacoalhões ele resolveu se esforçar e voltou a funcionar sem que eu tivesse que pagar o conserto. Infelizmente, na última segunda-feira, voltei pra casa à noite e o encontrei cegueta: o monitor não conversava mas com a base, e assim nem sequer acendia. Não houve chacoalhão que resolvesse a questão.
Lá fui eu pra assistência técnica, onde mais uma vez o susto fez com que ele voltasse à vida. Em vão; quando tentei utilizá-lo uma hora depois, Macedo Afonso já não funcionava mesmo. Retornei à assistência, fiz um back-up dos projetos em que estava trabalhando no momento, e deixei-o lá para que descobrissem o que havia de errado.
Hoje, dois dias depois, me enviaram o orçamento. E, com lágrimas nos olhos (e uma faca na conta bancária) descobri que a cirurgia para salvar a vida do Macedão era tão cara que valia mais a pena pagar o enterro. Fácil. Respondi o e-mail dizendo que não deveriam mais tentar salvar a vida do pobrezinho, e que eu ia buscar o corpo assim que pudesse para que ele tivesse um fim digno em seu lar.
Mas, como não presto, já estou correndo atrás do substituto. A vida é assim…