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31 8 2008 13 47 57
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Tags: carreira, reminiscências, rio de janeiro
No começo do século, quando eu ainda estava na ECA e já tinha resolvido que ia trabalhar com revistas, eu fiz uma matéria que a Abril oferecia de edição de imagens em revista. A proposta era basicamente entender como é o projeto gráfico de uma revista, e criar um para uma revista que o grupo mesmo propunha.
Foi um semestre de palestras empolgantes, em que eu encontrava semanalmente aquelas pessoas que todas faziam o que eu queria tanto fazer, que saíam lá do templo onde trabalhavam só para entregar migalhas de sabedoria para a minha humilde pessoa. Como eu curtia aquilo.
Já as pessoas do meu grupo não curtiam muito, e não se esforçaram o mínimo para que saísse um trabalho bacana. A nossa orientadora, uma designer da Quatro Rodas chamada Giselle, deixou bem claro para nós desde o começo que ela estava lá para orientar, não para fazer nosso trabalho, e que pra ela não fazia diferença nenhuma se o que a gente entregasse saísse bom ou ruim. A nota era nossa, ela já tinha se formado e não afetava em nada na vida dela o nosso desempenho.
Mesmo assim, eu e outro colega resolvemos desencanar dos outros quatro membro do grupo e fizemos um projeto bem bacana. Apesar de ser algo que hoje eu vejo como totalmente iniciante, eu tenho afeição por aquela revista que me custou tantos dias para fazer.
Agora, já no fim do século, eu já fui para a Abril, saí e voltei, continuo achando o lugar o máximo mas não o vejo mais como um Olimpo distante (de Olimpo, aliás, não tem nada). Gasto mais dias fazendo revistas, mas que pelo menos são muito melhores do que aquela, têm muito mais páginas, e têm a vantagem de ser de verdade.
Nessa última semana, estando no final de um processo de seleção para editor de arte da editora Ática (que pertence à Abril), eu fui chamado para participar da equipe de uma nova revista (a ser lançada em dois meses), que chamaremos de SX. Sim, finalmente, como editor de arte. Hooray! Projeto muito bacana, que tem tudo para dar certo, que caiu como uma luva para o que eu queria e pretendia e podia colaborar, e vai me deixar mais fitness ainda.
Pois que, dois dias depois de aceitar o convite, enquanto eu ainda estava no processo de fechar minha última edição da revista em que trabalhava, minha queria Bebel Abreu me liga. “Marcinho, o que você vai fazer no fim de semana do dia 30/31?”. Não sei, Bebel, não tenho nada programado ainda. “Ah, então você não quer ir avaliar portfólios de ilustradores no Rio, na exposição Ilustrando em Revista? O Alceu sugeriu seu nome, agora que você vai ser editor.”
Foi um dos momentos em que todas as minhas reações esfuziantes queriam ser liberadas, mas tiveram que ser contidas a duras penas porque eu estava no meio da redação. Claaaaro que queria! Só me avisa que horas que começa pra eu programar de tomar o ônibus e…
”QUE MANÉ ÔNIBUS, MARCIO!? Cê vai de avião! A Abril paga!"
Que bom que não completei com “…e avisar meu amigo Léo que vou ficar na casa dele”. Que pobrinho eu sou.
Então que, uma semana depois, eu desembarcava no Rio e de lá para o CCJF, onde Bruno D’Ângelo estava dando uma palestra para aspirantes a ilustradores em revista contando sua trajetória. Depois, toda a comissão avaliadora foi almoçar, eu entre eles. No grupo, a Giselle, hoje editora de arte da Bons Fluidos. Não podia deixar de pensar como as coisas são engraçadas, como eu estava lá repartindo um filé à francesa com aquelas pessas nas quais eu babava há nem tanto tempo assim.
A tarde foi uma maratona de receber ilustradores, ver o que tinham pra mostrar, e tentar orientá-los na medida do possível. Muito interessante e educativo para nós avaliadores também. Depois teve um happy hour, no qual todo o meu cansaço desabou, a ponto de eu não ter forças para levantar da cadeira. No fim da noite, chegar no hotel, que era muito bom, ter um quarto só pra mim (!) e tirar a cara de bobo da cara de que a empresa realmente acha que eu mereço um gasto desses.
Amanhã, voltar para a minha nova mesa, na qual eu ainda estou me acostumando, e colocar para funcionar o tal do projeto. Para o alto e avante.
As respostas para tudo que foram hit nessas minhas últimas semanas de NI:
Semanas felizes com pessoas que se encontraram. Vão deixar saudade.
Liguei a TV e surgiu no Multishow um daqueles clipes que serão emblemáticos dessa década: “Star all over”, com Miley Cyrus (ela faz a Hannah Montana, para aqueles que não sabem. Não sabe quem é a Hannah Montana? Trate de acompanhar o Disney Channel!). Em 20 anos, os adolescentes vão ver esse vídeo de uma menina louca, de calça vermelha e colete de tachinha, com os suspensórios inúteis caindo da cintura, tirando fotos de qualquer coisa na rua, dançando a Macarena com astronautas, cercada de dançarinos que surgem do nada e tentam ser cool, e vão se perguntar como é que ninguém se dava conta do ridículo. Eu sei exatamente como é. Há 20 anos eu achava Bervely Hills 90210 a coisa mais bacana do mundo.
p.s.: O mais impressionante é que os anos podem passar, mas o plot(?) de vídeos teen continua basicamente sempre o mesmo.
Nas minhas navegações por aí, me deparei com essa página que explica como reconhecer roupas Armani falsas. Nada surpreendente nem simples para não-iniciados: sinta se o tecido é bom, veja se as costuras são boas, conheça as cores das etiquetas Armani e, se o corte for muito radical, desconfie porque Armani é clássico.
Pois bem, servindo como utilidade pública para se constranger pessoas metidas a besta, aqui vai uma dica passada para mim por Cacau Tyla, minha ex-chefinha, incapaz de comprar falsificações, sobre como se reconhecer bolsas Louis Vuitton falsificadas: os padrões de bolas LV verdadeiras são sempre absolutamente simétricos, o que causa um desperdício de couro absurdo e, consequentemente, torna o produto mais caro. Portanto, se alguma exibida estiver ostentando uma bolsa cuja estampa é meio torta, ou está descentralizada, ou com um logo inteiro numa extremidade e pela metade no lado oposto… pergunte em que lojinha da 25 de março a embestada comprou.
Um cientista maluco com planos para dominar o mundo. Um super-herói boa-pinta que sempre aparece para estragar os planos do vilão. Uma mocinha inocente apaixonada pelo herói e cobiçada por seu aqui-inimigo.
Clássica história de super-herói.
Agora, conte a história do ponto de vista do vilão e, só para deixar tudo mais divertido, faça disso tudo um musical. Aí você terá Dr. Horrible’s Sing-along-blog! Criado por Joss Whedon (criador de Buffy, The Vampire Slayer) para se ocupar durante a greve dos roteiristas, é um exemplo de como se pode usar os clichês de um gênero para se criar algo novo e interessante - e engraçado e, mais chocante ainda, inteligente. Veja tudo. O final tem surpresas guardadas. E use o closed caption (é só passar o mouse por cima da tela e apertar "cc"), que facilita muito na hora de acompanhar as músicas.
Li recentemente o Long Tail, do Chris Anderson. Fiquei muito empolgado com o conceito e realmente acho que ele não pode ser mais ignorado - o que, infelizmente, ainda acontece muito, principalmente aqui no Brasil. Seguindo o conceito de que a cauda longa fica mais grossa quando se elimina fatores limitantes como o transporte e o espaço físico, realmente faz todo sentido que a Amazon invista num e-reader como o Kindle. Há quem ache que, como o público leitor é reduzido - a maioria das pessoas não lê sequer um livro por ano, e os maiores devoradores de livros são mulheres com mais de 50 anos - ele já conquistou todo o público que poderia conquistar. Eu, particularmente, apostaria que ainda vai crescer muito, assim que o preço cair. Um e-reader decente e cool poderia conquistar todo aquele mercado de jovens que têm que comprar livros inteiros para ler só um capítulo para a faculdade - e fazem os lucros dos xerox de CAs de todo o Brasil.
Eu com certeza adoraria ter um para baixar livros imediatamente, ao invés de esperar semanas para que um chegue das estranjas até minha casa. Supondo-se, obviamente, que eles liberariam a venda online overseas, o que, muito para minha irritação, não acontece para a música. O iTunes não tem ainda loja brasileira. E a Amazon só permite vendas nos EUA.
Eu quis comprar online o disco de covers do October Project no site da Amazon, e não pude porque estava no Brasil. Levado ao crime pelas grandes corporações, cheguei até a procurá-lo nos torrents da vida, mas não encontrei. Tive que pedir para um amigo meu que mora nos EUA comprar lá e me mandar por e-mail. Tanto esforço para algo que devia ser tão simples. A gente quer dar nosso dinheiro para eles e eles não deixam.
Depois que a H2OH fez tanto sucesso e conquistou shares e mais shares do mercado de refrigerante, a Ambev lançou o Guarah. Eu juro que tentei gostar, mas não consegui. Acho que o comentário mais acertado com relação à novidade veio do Tales de Menezes, da VIP: “A ciência evoluiu a tal ponto que conseguiram inventar um refrigerante que eu não consigo beber. Esse Guarah parece guaraná misturado com água!”.
Sem falar que aquele comercial com os olhinhos de guaraná é uma das coisas mais creepy que eu já vi.
Hoje, choque dos choques: a Coca-Cola revelou um pouquinhozinho da sua fórmula. A razão? Com a tendência de coisas saudáveis e naturais, os marqueteiros acharam por bem dizer que a Coca não contém sabores ou preservantes artificiais. Num mercado em que o povo cada mais bebe chá e outras coisas “naturais”, querem convencer que a Coca - com sua clássica e vaguíssima lista de ingredientes composta de água gaseificada, açúcar, cafeína, ácido fosfórico, colorante caramelo e “sabores naturais” - também são naturebas. Acho que o que eles não consideram é que o que atrai à maioria das pessoas que gostam de Coca é que ela é do Wyrm mesmo e pronto.
Escrito em real time via Twitter durante o debate. Make sense of it if you can.