Back to the Jungle

Existe algo muito preocupante se incubando em Londres. Está acontecendo bem debaixo dos nossos narizes, e ninguém faz nada a respeito. Quando as autoridades competentes acordarem para esta questão, será tarde demais, e inúmeros crimes já terão sido cometidos. Estejam alertas: a moda dos anos 1980 está voltando.

As evidências estão por toda parte. As cores fosforescentes estã em alta. A chamada de capa da InStyle recomenda sem a menor vergonha “power shoulders”. Os jovens rapazes estão exibindo suas longas franjas assimétricas sem a menor vergonha. Cuidado, garotos, Boy George começou essa história e hoje está cumprindo pena por ter acorrentado um garoto de programa.

Hoje eu tinha meus últimos encontros para tirar do caminho em Londres. Primeiro, voltei para a minha ex-faculdade para conversar com uma outra professora. Ao contrário da outra vez, que eu me fiz anunciar e fiquei esperando, dessa vez fui entrando no vácuo dos outros alunos, e funcionou maravilhas. Falei com a professora, fui até a biblioteca, procurei algumas coisas que eu precisava, usei a internet que alguém tinha deixado ligada e fui embora sem levantar a menor suspeita. Brasileiro um, segurança zero.

O próximo item na agenda era voltar pra Jungle Drums e finalmente reencontrar Juliano Zappia. Dessa vez ele estava lá, olha que maravilha. Peguei-o no meio de sua marmita, de boca cheia. Enquanto ele terminava seu almoço, eu fui conhecer meus sucessores. A Jungle continua no mesmo lugar, mas melhorou bastante, a parte comercial agora ocupa a maior parte do apartamento, com o pessoal do editorial agora escondidinho onde era o quartinho do Tubarão. Mas isso é bom; agora que têm mais foco no comercial, a revista está dando lucro de verdade pela primeira vez, apesar da crise, e tem mais funcionários do que nunca. Fiquei muito orgulhoso do trabalho que o Juliano vem fazendo.

Depois de uma reuniãozinha com seus vassalos, o Juliano me levou para um café lá perto para a gente colocar a conversa em dia. Fiquei sabendo do lado dele das histórias do tempo que ele passou na casa onde eu morei, como estão os outros ex-jungle agora, das mudanças no projeto gráfico, e contei do que fiz nos últimos anos. Antes de eu ir embora, Juliano me mostrou a ediçã comemorativa de 6 anos de Jungle, e lá num cantinho tem uma foto minha. Fiquei feliz de ter deixado minha marca naquele território.

Depois de ponderar um pouco, resolvi ficar por Central London mesmo e fui revisitar a National Gallery. Eu, que só tinha visitado o museu de fim de semana, conheci um lado todo novo. Por todos os cantos tinha estudantes de arte copiando quadros com toda calma e parcimônia. Mas, mas legal ainda, a quantidade de alunos de escola p&uaacute;blica era impressionante. Eu vi três classes distintas, desde uma turma de aluninhos de uns cinco anos que tentava decifrar um quadro da visita dos Reis Magos com a ajuda da professora, até um grupo de aborrecentes que não conseguia responder às perguntas do professor. Eu tive que sair de perto, porque ficava com vontade dar a resposta para todas.

E para acabar bem a noite, fui até Victoria Station para assistir a Wicked. Eu consegui um lugar bem bacana, sem ninguém muito cabeçudo na minha frente. Estou cada vez mais certo de que sou um banana de musicais mesmo; assim que começa, o povo entra e os atores começam a cantar, eu começo a achar aquilo tudo tão lindo que eu choro. E Wicked é lindo mesmo. Apesar de o livro em que ele se baseia ser bem chato (se duvida, leia-o de graça aqui), o pessoal que o adaptou para o teatro fez um trabalho excelente de peneirar o que prestava e resolver as lacunas de uma maneira melhor que o livro. Os diálogos sã espertos e engraçados, as músicas são ótimas, figurino luxuoso e um cenário impressionante, todo baseado em círculos concêntricos. E, sério, a melhor iluminação que eu já vi.

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2 Comentários

  1. Publicado 8/outubro/2009 em 9:18 am | Permalink

    Adoro o começo do post no estilo “repórter investigativo”.

  2. Felipe Oliva
    Publicado 8/outubro/2009 em 11:24 am | Permalink

    “Brasileiro um, segurança zero” – atoron. (Saudades…)

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