Chão

Daqui não passa
elocubrações2.6.2009

Bastidores editoriais

É assim que eu vejo meu trabalho se completando...

É assim que eu vejo meu trabalho se completando...

Grande parte dos designers gráficos sofrem desse mesmo problema: quem não é designer não faz ideia do que a gente faz. Grande parte da minha família, por exemplo, não entende muito bem o que eu faço todos os dias. Sabem que é algo a ver com revistas, mas não capta (nem quer captar) muito além disso. Já tive parentes que queriam que eu avaliasse seus textos porque eu trabalho em revista, e eu fiquei sem graça de dizer que eu posso até escrever razoavelmente bem, mas não é minha carteira de trabalho que me qualifica pra avaliar qualquer texto que seja.

Em geral, a reação das pessoas quando você se dá o trabalho de explicar é “nossa, nunca imaginei que alguém fizesse isso!”. O que descompõe a gente ainda mais. As pessoas são capazes de imaginar que um repórter escreva as matérias, mas supõem que a revista fica linda e organizada por si só. Tudo bem, grande parte do sucesso de um designer é medido do fato que está tudo tão claro e compreensível que o leitor nem nota. Mas mesmo assim é desconcertante que os leigos se surpreendam tanto.

Depois que eu consegui fazer o salto devoniano de reles designer para editor de arte, minhas atividades ficaram mais variadas e mais inusitadas para quem não sabe como uma revista funciona. Tem dias em que, por bem ou por mal, eu fico o tempo todo mandando e-mails e telefonando e não encosto numa matéria. Afinal, se a página já não fica linda sozinha, aquelas lindas fotos e ilustrações também não surgem do nada.

A natureza mensal e cíclica das revistas exige que você goste do que faz mesmo - ainda mais quando é uma revista segmentada, em que tudo gira em torno do mesmo assunto e você tem que quebrar a cachola pra mostrar aquilo que é “o mesmo” de um jeito diferente. Tem muita gente que na terceira vez que tivesse que passar um dia inteiro fechado num estúdio acompanhando foto de produto ia querer cortar os pulsos.

Tem sempre o lado não-glamuroso do trabalho. Quando eu era designer 1, já tive que passar horas recortando um urso panda fofinho e peludinho, ou trocando todas as milhares de onomatopéias em inglês dos quadrinhos do Dexter para suas versões em português. Agora eu tenho que encarar planilhas de custo da arte, e descobrir porque o fotógrafo ainda não foi pago, e se o ilustrador liberou os direitos de sua ilustra pros gringos usarem. E ainda volta e meia recortar um corredor malhadinho e suadinho.

E tem o lado que causa inveja alheia, claro. Tipo fazer casting de capa. Curto horrores passar horas recebendo os (e as) modelos no dia marcado, ver book, ficar fazendo papinho furado, tirar foto deles, repeat. Depois chamar os finalistas pra tirar foto correndo. E depois coordenar fotógrafo, maquiador, locação, modelo, pra fazer a foto. Adoro fazer capa.

É claro que nem tudo são rosas: eu tive que começar a aprender a lidar com os inesperados, e com gente que simplesmente não entende o que você pede, colaborador que atrasa a entrega dos trampos, e gente que tenta dar truque. Essa última edição mesmo teve um ilustrador que tentou me dar um migué entregando um serviço bem bem porco. Eu fico num estado que seria capaz de ir lá e amputar os dois braços dele a machadadas, mas como não posso só me resta torcer para que a Yakuza confunda ele com alguém e corte seus dez dedos fora com uma tesoura de jardim.

Mas enfim, como já dizem os sábios da editora, até hoje nunca saiu uma revista com uma página totalmente em branco, então a edição sempre tem final feliz. Por mais que eu passe 14 horas trabalhando e me estresse e tudo mais, na hora que eu mandei a revista toda pra gráfica e vejo ela lá impressa no quadrinho, me dá um orgulho do que eu fiz que vale tudo o que aconteceu no último mês.

E logo no dia seguinte tudo começa de novo!

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elocubrações12.4.2009

Movido a lay-out

Quase que tenho vergonha disso, mas enfim. O que me faz escrever nesse blog é a animação com um lay-out novo com o qual eu realmente esteja satisfeito. Pois bem, esse aqui demorou duas semanas, com dedicação integral nesse feriado, mas com certeza me empolgou. Com a obsessão típica, não conseguia fazer nada além disso aqui. Agora, completado, eu posso voltar a escrever e me dedicar a outros sites.

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elocubrações26.3.2009

Antifuligem

Você, ciclista como eu, já foi cegado e quase sufocado por caminhões soltando rolos de fumaça NEGRA? Anote a placa e denuncie: em São Paulo, 0800-113 560 ou no site da Cetesb.

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elocubrações19.8.2008

Não aceite imitações

Nas minhas navegações por aí, me deparei com essa página que explica como reconhecer roupas Armani falsas. Nada surpreendente nem simples para não-iniciados: sinta se o tecido é bom, veja se as costuras são boas, conheça as cores das etiquetas Armani e, se o corte for muito radical, desconfie porque Armani é clássico.

Pois bem, servindo como utilidade pública para se constranger pessoas metidas a besta, aqui vai uma dica passada para mim por Cacau Tyla, minha ex-chefinha, incapaz de comprar falsificações, sobre como se reconhecer bolsas Louis Vuitton falsificadas: os padrões de bolas LV verdadeiras são sempre absolutamente simétricos, o que causa um desperdício de couro absurdo e, consequentemente, torna o produto mais caro. Portanto, se alguma exibida estiver ostentando uma bolsa cuja estampa é meio torta, ou está descentralizada, ou com um logo inteiro numa extremidade e pela metade no lado oposto… pergunte em que lojinha da 25 de março a embestada comprou.

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elocubrações15.7.2008

Mamma Mia, here we go again

Há pouco mais de três anos e meio, o primeiro cartaz que eu vi em solo britânico, na fila do visto do aeroporto de Heathrow, foi do musical Mamma Mia!.

Há mais ou menos três, a Déia foi passar uma semana lá em Londres e ficou hospedada na minha casa. Como ela não podia ir embora sem ver um musical, eu disse a ela que escolhesse qual queria ver, e, entre as opções que havia, ela escolheu assistir ao do Abba. Comprei nossos ingressos na half-price stand e lá fomos nós.

Sim, Mamma Mia! é praticamente uma desculpa pra você ouvir as músicas do Abba; os arranjos parecem tirados de um karaokê; apesar de não ser um prodígio de narrativa, a história consegue usar bastante bem as canções (de maneira bem melhor do que o We Will Rock You, por exemplo); e mais importante que a capacidade de atuação dos atores são seus tanquinhos.

Não importa. Quando a peça acabou, eu, a Déia e todos os presentes estavam felizes.

E é por isso que eu mal posso esperar para ver Mamma Mia!, o filme. Sim, é o mesmo fiapo de história; sim, a crítica já reclamou que as cenas não passam de transições entre uma canção e a próxima; sim, há de ser uma overdose de Abba. Não importa; dia 15 de agosto, eu hei de sair do cinema feliz!

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